13 fevereiro 2009

Testemunho: Arqueologia

Tenho 25 anos e sou licenciada em Arqueologia desde 2005. Mal terminei o curso, arranjei logo um trabalho para fazer: uma escavação em Vila Real, com a duração de 2 semanas. Para tal, tive de me colectar... mal sabia eu, na altura, as complicações que são os recibos verdes. Quando saímos da universidade o que queremos é trabalhar, ganhar experiência e algum dinheiro.

Depois dessa escavação veio outra, que teria a duração de mais um mês, desta feita em Tomar. Era para a mesma empresa. Entretanto surgiu um trabalho de uns dias em Caminha, na área onde gosto de trabalhar (Arte Rupestre), e a ideia era ir até lá e depois regressar a Tomar. Acontece que houve uma providência cautelar por causa do local da obra, pela Quercus, e as escavações ficaram sem efeito. Estava então sem trabalho...

Se pelos trabalhos de Vila Real e Tomar recebi relativamente rápido, pelo trabalho em Caminha estive 6 meses à espera, já com o recibo passado. A maior parte das empresas pede o recibo antecipadamente, e sem ele, o mais provável é não recebermos.

Tenho muitas histórias sobre os trabalhos que tenho feito para contar. A maior parte deles tiveram a duração de 1 mês, mais ou menos, sempre espalhados pelo país inteiro, sendo que a vida de um arqueólogo que queira exercer a sua profissão é feita com a casa às costas, literalmente.

A situação podia ser gratificante, estando a fazer o que à partida gostamos, se as condições de trabalho compensassem. Pois bem, na minha opinião, o mínimo aceitável para uma oferta de trabalho seriam os 50€/dia, isto se o trabalho não for muito longe de casa.

Senão vejamos... a maior parte das ofertas não contempla qualquer tipo de ajuda quanto à deslocação (por vezes temos de ir do Porto ao Algarve, por exemplo), alojamento, alimentação, já para não mencionar o facto de termos de descontar 20% do que ganhamos para o IRS, uma média de 150€ para a Segurança Social e se tivermos sorte e fizermos mais de 10 000€/ano, ainda nos cobram IVA. Feitas bem as contas, não sobra praticamente nada.... Convém ainda contar com as despesas do material necessário para o trabalho, porque a maior parte das empresas não o providencia, e do combustível utilizado, por exemplo, num acompanhamento de obra, onde se for numa estrada, o arqueólogo tem de andar para trás e para a frente ao longo do troço...

Por isso, os arqueólogos, como tantos outros em Portugal, são uma espécie que não pode ter casa própria, muito menos família e se quiser trabalhar na área tem de se sujeitar a algumas condições que lhe são oferecidas. Por vezes torna-se até impossível ir a casa aos fins-de-semana, porque não dá para gastar mais do que X e as distâncias são longas e caras!

Isto porque começa a existir muita competitividade entre as empresas (que neste momento já são cerca de 70), muita oferta em termos de mão de obra e para ganharem os concursos são apresentados orçamentos miseráveis. O maior problema reside ainda no facto de haver sempre alguém a aceitar as condições, quaisquer estas que sejam! Mais frequentemente os recém-licenciados, ávidos da tal experiências e do tal dinheirinho, até se aperceberem que não é possível viver em determinadas condições.

Eu própria cheguei a aceitar um trabalho de escavação, com a duração de 2 semanas, que hoje não teria feito. Pagaram-me miseravelmente, não oferecem quaisquer condições para alojamento (por acaso fiquei em casa da familiares) e nem o material da escavação forneceram... Aceitei o trabalho porque na altura estava desempregada e estupidamente não tínhamos combinado nenhum valor pré-acordado, pelo que eu não sabia o que me iriam pagar.

O trabalho mais bem pago que fiz, teve a duração de 5 meses, mas houve falcatruas, por parte da empresa, sem fim! Desde terem alugado casas para nós arqueólogos muito longe do local de trabalho, sem que alguém as tivesse utilizado. Escusado será dizer que tivemos de pagar as casas na mesma, bem como as contas da luz dos anteriores moradores, o novo contrato, etc....

Compraram-nos material para trabalhar (parcas reflectores, frontais, coletes reflectores, capacetes - de espeleologia em vez de serem os normais das obras, e como tal muito mais caros - galochas com biqueira de aço, tampões para os ouvidos, etc...) sem perguntarem se precisávamos ou se já tínhamos, que depois tivemos de reembolsar, foram mais de 130€ sem nunca nos terem dado os recibos referentes, cobraram-nos os estragos da viatura que utilizávamos (porque ninguém se acusou de o ter feito) dizendo que quando encontrassem o culpado nos devolviam o dinheiro, e já lá vão quase 3 anos (continuamos à espera).... Já para não falar no facto de em 5 meses de trabalho nos terem pago 2 vezes...com um óbvio atraso! A maior parte das pessoas estavam deslocadas de casa e já não tinham dinheiro sequer para comer, quanto mais para ir a casa aos fins-de-semana! Nesta altura, muito generosamente, eles "deram-nos" 500€ a cada um, para nos irmos aguentando até nos pagarem o resto.

O último pagamento foi feito, penso eu, que sob pressão de uma denúncia ao Tribunal do Trabalho que até hoje não sei quem fez, porque de novo, ninguém se acusou...

Depois destas experiências menos boas fiz um estágio numa câmara municipal. É certo que não recebia muito, mas foi muito bom receber sempre no final do mês e saber com o que contar. Teve a duração de 9 meses, ainda que alguns elementos da câmara me tivessem querido manter lá, acabei por sair, devido a algumas vozes discordantes. Parece que esse pessoal não gostam quando se levanta o véu e se descobrem algumas coisas menos bem feitas ou mesmo, que fogem à lei!

Fiz uma pós-graduação e fui estagiar para Santiago de Compostela durante 3 meses, onde fiquei ainda durante mais 2, com uma bolsa de investigação.

Quando regressei, tinha perdido os contactos com as empresas de arqueologia, já há muito que não trabalhava para nenhuma, e estive uns valentes meses desempregada. Foi a pior situação em que me encontrei até hoje, literalmente a enlouquecer em casa!

Fui assistente de um professor numa disciplina de mestrado numa determinada Universidade, mas não recebi nada porque as universidades "estão em crise"! Contudo, foi um trabalho gratificante...

Depois de vários meses sem trabalho fui para uma escavação, novamente em Tomar, mas para uma empresa diferente. Estive lá 1 mês e meio e quando me pagaram pela última vez, o cheque estava careca! Ainda tive de pagar os custos de reenvio de cheque ao banco, e ainda hoje a tal empresa me deve 50€, que estou cansada de reclamar mas nem me atendem o telefone!

A escavação teve continuidade, mas em Agosto mandaram-nos 2 ou 3 dias para casa porque tinham de marcar uma posição relativamente aos donos de obra que não queriam dar mais dinheiro para a escavação e queriam-na pronta o quanto antes! Esses 2 ou 3 dias acabaram por se tornar no mês inteiro e entretanto eu fui fazer outro trabalho, no Alentejo, este sim, com óptimas condições...

Neste momento não estou a trabalhar na minha área, e o que estou a fazer não é num regime diário, pelo que também não ganho muito. Mas como costumo dizer vou estando ocupada e "vai entrando" qualquer coisa...

Não queria deixar também de referir que com este sistema de trabalho mês sim, mês não, ou às vezes, trabalhar 1, 2 meses e estar 4 ou 5 desempregado, os arqueólogos não têm propriamente férias. Quando estou desempregada não considero estar de férias... até porque não posso pensar em ir a algum lado, já que tenho de fazer uma gestão muito programada do meu dinheiro. Se não temos férias, muito menos temos subsídio de férias...

É claro que há excepções... Há empresas que contam sempre com as mesmas pessoas para trabalhar, pelo que estas têm sempre trabalho. Contudo, o sistema dos recibos verdes impera e mesmo os trabalhadores do ex-IPA (Instituto Português de Arqueologia), que agora é o IGESPAR, estavam com recibos verdes desde 1998.

O único contrato que eu alguma vez assinei foi o do meu estágio profissional na câmara municipal...

A minha história repete-se pela maior parte das pessoas que conheço e que trabalham na minha área, com algumas excepções.
Eu tornei-me uma pessoa selectiva, porque não gosto de ser "abusada" no meu trabalho, mas há quem aceite de tudo e não tenha outra hipótese. O trabalho em Arqueologia é duro, quer seja em acompanhamentos arqueológicos de obras, quer seja em escavações, ou prospecções de campo, e como tal tem de ser feito por gosto... o que acontece em grande parte das vezes é que esse gosto vai sendo vencido pela falta de condições e pela desilusão do mundo do trabalho, para o qual não somos minimamente preparados na universidade. Muitos colegas da minha área profissional se dedicam agora ao trabalho em lojas, telemarketing, agências de viagens, o que for necessário para ter uma vida minimamente normal...

Num cenário mais negro a cada dia que passa, não vejo perspectivas de melhoria...

13 comentários:

Rodrigo disse...

São situações que começam a ser, infelizmente, excessivamente comuns. Protesto contudo que, menos importante do que a denúncia é a acção. Há que fazer coisas. Os jovens licenciados sem trabalho, os jovens subjugados ao recibo verde, a geração 500 euros, explorada, oprimida, esmagada, a quem todo o peso da dissolução lenta mas firme das estruturas de defesa da classe trabalhadora caiu sobre as costas, não pode deixar-se ficar quieta, deve agir, tem de agir. E essa acção não pode cingir-se às manifestações, não pode ater-se aos blogues, não pode ser senão uma luta desesperada e mortal pela subversão completa do actual estado de coisas - pela edificação de um mundo novo, onde as aspirações de quem é jovem não sejam pisadas, onde a sua formação académica seja respeitada e não dada como «incompatível com o mercado» (como se não fosse este a ter de satisfazer os indivíduos, e não o contrário!), onde, em suma, possamos viver como merecemos, como nos esforçámos para viver, como trabalhámos para viver, como sempre foi natural e expectável que se vivesse depois de longos anos de esforço e estudo. Se as coisas não são assim, há que pô-las assim. E do modo mais rápido possível, mesmo que seja preciso ir contra a vontade de uma população encostada e subserviente, para quem a nossa fome e a nossa frustração nada contam.

Quem quiser discutir estas questões comigo (e se mo permitirem os responsáveis do blogue) contacte-me para o endereço de e-mail comiteportugues-iml@live.com.pt. Todos somos poucos.

Olho de Lince disse...

Esta situação tem enormes semelhanças com a situação em que estão as pessoas da àrea das artes, pelo que me é muito familiar, infelizmente. Curiosamente é assunto sobre o qual a comunicação social quase não se pronuncia.

ana disse...

Olhos de lince a comunicação social não se pronuncia porque há uma série de interesses por trás...vivemos numa democracia no papel mas na prática vivemos numa quase ditadura. Eu também sei muito bem o que sofre a área das artes, não digo infelizmente porque estou feliz pela minha escolha. A culpa de muitos de nós não chegar onde deseja acima de tudo começa a ser nossa, porque estamos muito parados. Concordo com o Rodrigo temos que começar a agir mais, o blogue e as manifestações são um inicio mas devíamos começar a organizarmo-nos e actuar de outras formas. Não sei se tem a noção que muitas das manifestações que são feitas com as melhores das intenções e razões são completamente descredibilizadas por quem tem o poder. E ainda mais pessoas que são exploradas como nós, por exemplo os nossos pais, também as descredibilizam porque ficam com a sensação que as pessoas não estão lá unidas, que estão pelo dia de "divertimento". É o que tenho ouvido e por isso quero deixar aqui o alerta.
Por isso e por tudo aquilo que sentimos e que nos une devíamos começar a organizar outro tipo de acções, temos que o fazer!!

Somos muito passivos, uns por medo outros porque não sabem por onde começar e outros porque nem usam o pensamento para perceber a situação em que vivem...por isso mais uma vez digo que temos que começar a ser criativos e eficazes na exigência dos nossos direitos. Todos sabemos (espero não chocar ninguém) que há bons e maus profissionais e que vai sempre existir desemprego...mas a exploração, o terrorismo psicológico, etc ...só existe porque criamos em nós o medo. Deixamos que nos fizessem isto e ainda vamos a tempo de o mudar.TEMOS QUE COLOCAR UM PONTO FINAL! estamos a ficar sem trabalho, até os precários começam a ser escassos, os nossos familiares mais velhos também, sem cuidados de saúde, sem educação (porque a maioria das reformas é só para ficar dados bonitos nas estatísticas) e sem segurança...estamos a perder tudo o que nos dá dignidade....

Anónimo disse...

Cara arqueóloga, o seu problema é real, mas perdoe-me porque o seu problema tem a ver com condições de trabalho e não com recibos verdes. A senhora arqueóloga está muito bem a recibos verdes porque efectivamente presta serviços determinados, para empresas diferentes, etc, etc....Ganha à peça, desculpe, è escavação. E embora tenha razão que o que pagam não chega, a verdade é que está correcta a sua situação como trabalhadora independente. Não vê os médicos e advogados a queixarem-se de serem recibos verdes, pois não? Porque a si lhe pagam mal e a eles bem. Só para esclarecer que há falsas situações de recibos verdes e outras que são correctíssimas do ponto de vista do direito do trabalho. E a sua situação é mesmo de recibos verdes.

Anónimo disse...

Anónimo disse...
Faça-me um favor envie a sua carta para o Presidente da República que está muito preocupado com os jovens licenciados.
Aproveite e envie logo também para o Socrates que centrou o seu discurso de campanha no desenvolvimento do país só possivel com educação,com a escolaridade obrigatória até ao 12º ano,com mais jovens licenciados!!!!E depois é o que se vê os Jovens Licenciados vão trabalhar pra SONAE,para os Call Centers....Eu tenho dois filhos 45 anos e muitos contratos semestrais.Estou no desemprego questiono-me de como poderei custear os estudos dos meus filhos.
Ah! sim esses abutres dos banqueiros acenam com todo o tipo de créditos!!!!
Aqueles jovens que foram na conversa de aceitar pagar o curso através de financiamento bancário e agora vivem com os recibos verdes...tão na merda!!!!

16-02-2009 12:45

ana disse...

Atenção todos nós devemos estudar... não venham com a história de que se ficavam por o 9ºano ou 12ºano...etc mesmo que o nosso futuro seja atrás de uma caixa de supermercado! Quanto a isso devia levantar-se questões era sobre o sistema de ensino que está em vigor e o caminho que ele está a seguir. Porque saber não ocupa lugar, pelo menos dá-nos desenvolvimento intelectual para sabermos que estamos a ser explorados. Porque eu não vivo na cidade, vivo numa aldeia e não imaginam a tristeza que é ver pessoas da minha idade que nem conhecem os seus direitos porque este mundo de debate etc passa-lhes ao lado, não porque queiram mas porque nunca lhe foi incutido esse espírito.

Em relação ao trabalho a recibo verde, etc só posso dizer digam o que dizerem é algo que devia terminar, devia ser tido como opção e não como obrigação! A arqueóloga, o medico, o advogado, o professor, o arquitecto, o designer devia ser recibo verde por opção e não porque só assim consegue trabalhar. A culpa é dos governantes que nós (população em geral) elegemos.

Arqueóloga disse...

Caro Anónimo,

O meu caso pode enquadrar-se perfeitamente nos Recibos Verdes, mas é porque não tenho outra hipótese! Não poderia estar a trabalhar com um contrato, para uma empresa? Podia! E porque não estou? Porque nem sequer nos chegam a dar essa hipótese. O meu recibo verde, embora possa estar a ser bem aplicado (supostamente), não é opção minha! É-me imposto pelo sistema do mundo do trabalho no qual me enquadro! Eu conheço pessoas que trabalham há anos para a mesma empresa, a recibos verdes! E porque não um contrato, nesses casos? Porque em termos fiscais não compensa às empresas? Porque é mais simples exigir o recibo? Mas que temos nós, trabalhadores (forçosamente independentes), a ver com isso? Reparou na linha do meu texto em que dizia que no próprio Instituto Português de Arqueologia, e como tal um organismo publico, desde o seu aparecimento (1998) até à sua extinção (2007/2008) as pessoas trabalhavam a recibos verdes? Continuam a ser bem aplicados nesta situação?
Além disso, quando trabalho para uma empresa, tenho um patrão na mesma, tenho horários de trabalho, etc... se fosse realmente uma trabalhadora independente não deveria funcionar como uma mini-empresa e gerir-me a mim própria? Fazer o meu próprio orçamento, em vez de me oferecerem condições, trabalhar consoante os horários fossem mais convenientes, etc, etc, etc?

Digamos que eu não sou alugada, sou contratada, só que contratos, nem vê-los!

reinaldo disse...

oi boa noite , meu nome reinaldo, gostaria de saber , como fasso para entra em contato com vc , tenho material do tempo do imperio muito valiosa.telefone , 021,88534860

Tia Maria disse...

A questão dos recibos verdes e dos médicos não se qeixarem, é porque os médicos são realmente trabalhadores independentes.
Trabalham quando querem, cobram o que querem, não dão contas a nínguem, etc.

Não é o caso de 99% dos RV em Portugal, eu era formador e nunca fui eu a decidir quanto cobrava á hora, já não falo dos horários, porque a formação tem que ter horários, e recebia ordens das hierarquias das empresas.

E era chamado quando havia formações, não era trabalhador a tempo inteiro.

As empresas exigiam-me fato e gravata, que eu não usava, porque não gosto, e o IEFP, se chegasse atrasado, não me pagava a hora.

E depois, como eu também não a dava á borla, recebia ameaças.

Portanto, sr. Anónimo, essa sua conversa é, como dizem os outros dois, da treta.

Já agora, sabia que eu trabalho como freelancer e ganho 6* mais á hora do que ganhava em Portugal, e que tenho um contracto especifico de freelancer???

E que a minha esposa ganha 500€ por semana, com contracto, nas limpezas???

Cumprimentos da terra das tulipas

Anónimo disse...

Muitos de nós estamos nessa situação, também sou arqueologia, mas licenciada por um politécnico, ou seja, não reconhecida, ninguem sabe como, porque nem como fazer, alguns colegas meus tiveram o reconhecimento outros não, nao se percebe. Fazemos o trabalho dos trolhas. Nunca trabalhei em arqueologia, pelos 2 anos de experiencia minima (absurdo para quem acaba os estudos) e assim continuei, a trabalhar em areas tao diversas como limpezas, hotelaria, até numa imobiliária. Ate que fui fazer estágio numa camara. Entretanto comecei o mestrado em arqueologia, na esperença do tal reconhecimento como arqueologa, mas nada (foi dinheiro gasto, mais nada). Agora estou desempregada, sem subsideo, sem dinheiro, sem pratica arqueologica e sem conseguir arranjar trabalho. Para uns tenho habilitações a mais para outros experiencia a menos, ou seja num beco sem saida. É frustante ja nao me lembrar de como se faz trabalho de campo, durante o estagio estive num museu, por isso perdi a prática...É triste, mas vou continuando a bater portas de lojas, trabalhos administrativos, hoteis enfim. Não me vou sujeitar a trabalhos voluntarios para ganhar pratica novamente, fazer trabalho escravo para as empresas enriquecerem, nem pensar. Bem haja a todos os que continuam na luta com recibos verdes. Ana Ferreira

Liliana Carvalho disse...

Também sou arqueóloga e hoje com 29 anos tenho exactamente o mesmo sentimento de frustração e o que mais me revolta são que os donos das empresas de arqueologia são arqueólogos como nós que outrora se revoltaram e que hoje são os maiores exploradores. E hoje ao fim de 8 anos a trabalhar em arqueologia sem parar e com um mestrado vou-me juntar aos meus colegas que encontraram trabalho em áreas completamente distintas porque ja é demasiado angustiante continuar.

Aline disse...

Este testemunho confirma em muito a minha situação. Sou formada em arqueologia, numa altura em que havia "muito trabalho na área" e em que os recibos verdes nao eram mal usados, dito de certa forma, como o estão a ser agora. Trabalhei em arqueologia ainda a tirar mestrado (1 semana) e voltei a arranjar trabalho assim que me formei (2 semanas) até que decidi investir noutra área, e tirei mais uns quantos cursos. Isto por todas essas razões que aí sublinhou. E acreditem que dos meus colegas de curso nem metade deles prosseguiram a trabalhar na área, por ser temporária, andar com a casa à costas e nao sobrar praticamente nenhum. E se quem corre por gosto nao cansa eu digo já que eu adoro arqueologia e trabalhar na área, e ainda hoje penso todos os dias em tentar, mas em Portugal o cenário de emprego nesta área é negro, e nós arqueólogos, somos tratados como uns trolhas que vêm embargar a hora para escavar uns ossinhos, e enquanto a mentalidade nao mudar isto nao vai andar, nem enquanto continuarem a aceitar estas condições de trabalho. Temos de bater o pé e virar costas, que por muito que nos custe, que ainda hoje me custa bastante nao trabalhar na área, temos de o fazer!

FILIPE GOUVEIA disse...

Aqui o anónimo que diz que a sua situação é efetivamente de recibos verdes, e que está correta de acordo com a lei, é mais um daqueles que cospe bosta pela boca só porque sim. CARO ANÒNIMO FAÇA O FAVOR DE CONSULTAR O ARTIGO Nª 12 DO CÓDIGO DE TRABALHO E FACILMENTE CONSTATARÁ QUE DE FACTO O RECIBO VERDE CONSTITUI UMA ILEGALIDADE EM TRABALHO ARQUEOLÓGICO. ESTE MESMO ARTIGO REFERE-SE À PRESUNÇÃO DE EXISTÊNIA DE CONTRATO DE TRABALHO E ENUMERA UM CONJUNTO DE CONDIÇÕES QUE A EXISTIREM OBRIGAM À EFETIVAÇÃO DE VINVULO LABORAL, COMO POR EXEMPLO, A EXISTENCIA DE HORÁRIO DE TRABALHO, ENTRE OUTRAS... SE LER O ARTIGO ENCONTRARÁ ESSA E OUTRAS CONDIÇÕES QUE EXISTEM EM TODOS OS TRABALHOS ARQUEOLÓGICOS... INFORME-SE ANTES DE DIZER BACORADAS... ENFIM Á GENTE QUE FALA SÓ PORQUE PODE...