19 dezembro 2007

Testemunho: enriquecimento curricular

Sou licenciada em Teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e quando acabei o curso constatei que arranjar trabalho como actriz era extremamente complicado, uma vez que pelos vistos neste país não é necessário ter qualquer tipo de habilitação para exercer a profissão. Deste modo, enveredei pelo caminho do ensino e concorri para várias escolas.

Acabei por ser chamada para uma escola pública do ensino básico para dar a aula de expressão artística, englobada naquele programa inventado pela senhora ministra, das Actividades de Enriquecimento Curricular.

É já o segundo ano em que estou a trabalhar nesta escola a Recibo Verde tal como todos os milhares de professores de inglês, educação física, música e expressões artísticas espalhados pelo país nesta "verdadeira mina de ouro" que estão a ser para o ministério da educação as Actividades de Enriquecimento Curricular.

Para que se entenda, estar a recibos verdes como professora, nesta situação, significa: Receber 12 euros à hora, chegar ao Natal e à Páscoa e devido às férias escolares receber apenas 50% do salário, não ter direito a baixa por doença ou a qualquer tipo de subsidio de natal, de férias ou maternidade, e como se não chegasse chegar a 20 de Junho (último dia de aulas) e estar novamente desempregada, ficando a aguardar pelo dia do Outubro próximo em que novamente nos é feito um contrato para o seguinte ano lectivo.

Esta situação para além de ser profundamente injusta, antidemocrática e humilhante para o professor é também ilegal.

3 comentários:

Liliana F. Verde disse...

Este é o panorama de milhares de jovens no nosso país. Como é que assim se consegue ter família, estudar (fazer um Mestrado, por exemplo), enriquecer-se lá fora? Impossível! E é tão triste, tão triste que ficamos, lamentavelmente, dependentes dos pais até aos 30 anos...

Clara Pinto disse...

Pois, eu já estou nessa situação pelo 3.º ano consecutivo, a dar Inglês. Mas, no meio de tudo isto, o que mais me indigna é as nossas "entidades patronais" acharem que estão em posição denos exigir horas extraordinárias não pagas para fazermos as avaliações dos meninos e para comparecermos a reuniões nas escolas, como se, de facto, tivessemos um vínculo com o Ministério da Educação.
No dia em que os jovens como nós preferirem ir dobrar roupa para uma loja, o programa de animação de escolas da Sra. Ministra afunda-se mais depressa do que o próprio Titanic.

ana disse...

Também sou professora de Inglês no 1º ciclo, como o pagamento é reduzido e pago muito tardiamente, trabalho tb como formadora...e é triste levar um ano lectivo inteirinho a trabalhar e não ter direito a subsídio de férias, de doença, de Natal, 13º mês...grave mesmo, é o facto de o NOSSO próprio estado fomentar este tipo de situações! Porquê? Os trabalhadores independentes não fazem descontos? Não trabalham para o país? Porque somos tratados de forma tão injusta?? Quem me vai amparar se eu ficar desempregada? Vou bater à porta de quem?