11 agosto 2007

Testemunho: empresa de telecomunicação

Trabalho para uma empresa de telecomunicações, por via de outra de um grupo económico sólido.

Na empresa que me "contrata" cumpro o que me pedem. Tenho deveres. Será que tenho direitos?

Estamos a meio de Agosto, não sei ainda quanto vou receber os honorários de Julho e não recebi o valor correspondente à minha produção de Junho 2007. Coisa que costuma acontecer nos primeiros dias de cada mês. Tive colegas que aguardaram três meses. Será que um banco também aguarda que eu lhe pague a prestação da casa que, supostamente, é mensal?

Caricato é que até dia quinze de Agosto tenho de pagar à Segurança Social perto de 152 euros referentes ao mês anterior de trabalho. Sim, um daqueles que ainda não recebi. Tenho deveres.

Nem falo do adiar de vida que é trabalhar a recibo verde. Sem férias, sem poder sair de casa dos pais, sem poder estar doente, sem poder ter subsídio de desemprego. O Estado espera que todos os meses eu contribua para a reforma ou insegurança de outros cidadãos, mas não me compensa quando fico "desamparado".

Tudo isto se passa numa empresa com preocupações sociais no acordo. Mas, como sempre, tudo é relativo e o que está escrito não é para cumprir. Viva então a cultura do mérito e a democracia promotora de oportunidades e igualdades.

Tudo isto é triste. Tudo isto existe.

Grato.

Anónimo

3 comentários:

Fervendo em Lume Rápido disse...

O Estado espera que todos os meses eu contribua para a reforma ou insegurança de outros cidadãos, mas não me compensa quando fico "desamparado" --> é por esta e por outras que eu NUNCA hei-de descontar para a segurança social. Em toda a minha vida tive que subir a pulso, fui eu que paguei as propinas do curso superior, fui eu que paguei os cursos de formação, fui eu que arranjei emprego. Fui eu, sempre eu e só eu e o Estado nunca me ajudou, por isso, que se F***, não pago segurança social nem faço descontos, posso muito bem guardar o dinheiro que EU (e não o Estado) ganho num banco para quando for velho, se chegar lá, precisar. O resto é treta! Siga...

Anónimo disse...

E denunciarem as situações às autoridades competentes? Toda a gente se queixa mas quando chega a hora da verdade ficam calados que nem ratos e pior, outros também ficam caladinhos por terem medo de perder o emprego... e assim as empresas vão-se safando, confiando na falta de solidariedade dos trabalhadores.

O Estado não é dos melhores, mas também não é omnipresente ou omnisciente.

#1 espero é que depois não vá pedir reforma à Seg. Social após "por descuido" ter gasto as suas poupanças ou que quando ficar doente ou desempregado espere receber algo da Seg. Social, aliás esta está como está porque há muita gente idosa que nunca descontou nada e andam a receber uns 100 euritos porque a sociedade tem pena... pois é mais 100 euritos multiplicados por muitos = desiquilibrio financeiro na Seg. Social.

Também eu tive que pagar as minhas propinas do ensino sup. (e sou contra as mesmas) e afins e não é por isso que não acho que o Estado não ajude, agora podia era ajudar mais, apesar das pessoas só se lembrarem dele quando precisam.

Já agora deixem também de pagar impostos, as estradas municipais aparecem do nada, os hospitais funcionam do nada (podiam funcionar melhor, mas também podiam ter que pagar tudo ou ser negada assistência por o vosso seguro não cobrir as despesas ou terem que pagar tudo), as escolas do ensino básico também funcionam a ar, o saneamento idem... aliás porque temos Estado e Câmaras Municipais?!

Rita disse...

Nos fazemos o estado e o sistema. Não pagar impostos nem seguranca social e depois se queixar da falta de apoio de um estado no qual não participa, parece-me incoerente, inconsistente e acima de tudo revela a falta de sentido do "bem comum" que muito prolifera em Portugal.

Também me parece que nao ter a coragem de assinar, dar o nome é mais um sintoma do persistente muito queixar e pouco fazer para mudar.

Rita Lencastre