14 agosto 2007

Testemunho: Arquitecta

Aqui vai mais um exemplo de uso e abuso por parte de um colega arquitecto, bem posicionado na vida.

Respondi a um anúncio, fui a uma entrevista e comecei a trabalhar, numa situação que seria experimental por um mês, quer a nível de remuneração, quer a nível de situação profissional. Aceitei.

Ao fim de 4 meses a trabalhar 42.5 horas por semana, por 500€, sem mais nenhuma regalia (e nem a recibo verde estava), a situação mantinha-se como inicialmente. Ou seja, estava a trabalhar para o "boneco", sem regalias sociais, nem sequer a contar para a reforma.

Cansei, "despedi-me" (daquilo que não era um emprego), dado que é preciso ter um grande estômago para aguentar uma situação assim, em que após cerca de 18 anos a estudar, não temos nenhum valor e continuamos a viver à custa dos pais, porque após pagar transportes e almoço, pouco ou nada me sobrava.

Neste momento, já estou à procura de novo emprego há quase 3 meses e nada. A situação que me resta (ou nos resta, dado que conheço muitos colegas na mesma situação) é ir para o estrangeiro, ou voltar à estaca zero e tirar outro curso ou continuar a sobreviver à custa dos meus pais, porque tudo o que surge é igual ou pior à situação que tive.

Continuo no desemprego (sem subsídio), até quando...

Mais uma arquitecta a viver de “paistrocínios”

Anónima

5 comentários:

Anónimo disse...

Queria deixar aqui um testemunho.
Todos os dias consulto vários sites de emprego e verifico que aparecem alguns, mas na área de arquitectura nada. Ás vezes o que aparece é para o Dubai, Angola, etc. No entanto com frequência vejo abertura de lugares em grande número para a tropo, marinha, etc.
Pergunto eu, que até conheço alguns casos de miúdos maus alunos e pouco esforçados, que não conseguiram ir além da escolaridade obrigatória e que num um, dois, três, entraram para a tropa portuguesa, têm um salário rezoável, uma série de regalias sociais e um contrato por seis anos com possibilidade de continuação,se valeu a pena andar a estudar tantos anos, com esforço e sacrificio para tirar um curso na área em que gostaria de trabalhar, para depois não arranjar emprego. Como eu costume muitas vezes dizer "Vou mas é para a tropa, é o que está a dar".

eremita disse...

Eu pergunto: Quantos dos deputados que estão na Assembleia da República tem curso superior?

Quantos Presidentes de Câmara tem curso superior?

Fomos todos iludidos. Está na altura de abrir bem a pestana. Se é que restam algumas....

Leo disse...

Cá estou de novo, não faço parte da geração dos recibos verdes,mas também tenho uma jovem filhota, a qual estava em arquitectura (3 anos).Fiquei muito triste por ter desistido.Mas hoje ao saber dos vossos testemunhos,embora me preocupe,já não me aflige tanto, saber o rumo que ela tomou.É «Patroa dela mesmo» embora trabalhe 24 horas sobre 24 horas, com os conhecimentos que tem, design textil mais arquitectura, explora o artesanato textil, criando artefactos para vender em feiras de atesanato.Escolheu este rumo e lá vai vencendo aos poucos.Não desiste,agora vai tentar escultura.
NÃO DESISTAM NUNCA,se não prosseguirem o vosso curso em termos profissionais, dêm uma volta de 360º graus, o Mundo e a sociedade não vos há-de vencer.Se tiverem habilidade manual, não tenham vergonha ou se sintam despretigiados, por agarrarem outras profissões que não "doutoures etc".Conheci uma mulher que é electricista, trabalha por conta própria, e pode ganhar o dinheiro que quiser.Este é meramente um exemplo.Há que ser criativo, e iventar novas profissões.O Mundo Pula e avança, também nós o podemos fazer
Beijos a todos e torço por vós
Por um Mundo Melhor Quanto Baste!
Leo

Anónimo disse...

Já pensaste em ir para Inglaterra?
Tenho 2 colegas arquitectas que foram a umas entrevistas e ficaram logo seleccionadas! 3500 Euros para começar, dizem os patrões!! Os colegas dizem que precisam de mais profissionais nestas áreas!

Anónimo disse...

Às vezes é complicado ir para fora e deixar a nossa família e amigos, nesse caso há a possibilidade de apostar noutra profissão.
Boa sorte!