07 maio 2007

TESTEMUNHO: Recibos Verdes na Administração Pública

Acabei a minha licenciatura há quase sete anos e desde então tenho trabalhado sempre na administração pública no regime de prestação de serviços, com contratos cuja duração vai de 3 meses a 2 anos. Nunca estive mais do que 2 meses desempregada e além de trabalhar na minha área de formação, recebi sempre o subsídio de férias e de Natal.

Não ambiciono arranjar um trabalho para a vida, como a geração dos meus pais. Como gosto de mudanças e de experimentar coisas novas, não me assusta o ter de trabalhar em diferentes áreas, mesmo que estas nada tenham a ver com a minha formação académica.

Contudo, não percebo qual a justificação para que, estando na mesma instituição há 4 anos, caso me demitam, não tenha direito a subsídio de desemprego. Ou se tiver a má sorte de ter um problema de saúde não terei a baixa médica porque o escalão mais baixo da S.S. não confere esse direito. Sou uma trabalhadora que em teoria só pode dar lucro ao Estado, visto que só me são exigidos deveres e não são reconhecidos direitos.

Ao longo da minha vida participei em diversas manifestações e no passado 27 de Março estive presente na manifestação dos jovens contra a precariedade laboral. Foi com pesar que verifiquei que algumas manifestações dos anos 90 contra as provas globais ou contra as propinas reuniam mais pessoas, quando o assunto, embora fosse importante, não "mexia" com a vida de tanta gente. Os trabalhadores fartos dos recibos verdes têm diferentes cores políticas, diferentes formações profissionais e educacionais e pertencem a diferentes gerações.

No entanto parece não haver a consciência do poder desta massa laboral. Esta considerável fatia da sociedade portuguesa vota, produz e consome. Acredito que uma greve faria parar vários sectores produtivos do país. Mas a precariedade não permite que muitos se dêem a esse luxo (mais um direito omitido), tal como não permite que apareçam em manifestações convocadas para as 14h de um dia de semana. Deste modo, proponho modos alternativos de luta como a criação de uma petição, ou a realização de vigílias nocturnas durante vários dias, junto das entidades responsáveis pela resolução do problema, que afecta tanta gente. Urge consciencializar a sociedade para ganhar esta causa. Contem comigo!

Carla Rocha Gomes

9 comentários:

BLACKBOX 565 disse...

APOIO ESTA FERVURA.
SAÍ À POUCO TEMPO DA SITUAÇÃO DE RECIBOS VERDES… APÓS 2 ANOS DE APERTO.

PARA QUANDO UMA NOVA MANIFESTAÇÃO?

OS PORTUGUESES TEEM DE FREVER COM MAIS FREQUÊNCIA!!!!!!!

AJM disse...

http://www.petitiononline.com/

CJT disse...

Felicidades para amanhã!!!
http://fractura.net/blog/?p=12

I.P. disse...

Também eu já me vi a braços com a "(des)política dos RV". E se formos suficientemente reivindicativos, arriscamo-nos a nem a RV ficar... Por isso, admiro muito a vossa iniciativa e a nossa luta. Gostaria de me manter ao corrente das vossas iniciativas para poder participar. E já agora, uma sugestão: porque não fazer uma iniciativa de teatro-fórum numa praça ao ar livre para promover a adesão? De lembrar que no Brasil muitas das alterações da legislatura (também laboral) decorreu de iniciativas de teatro-fórum! Quiçá...

Anónimo disse...

Uma questão:
estão a pensar fazer alguma coisa para a greve geral de 30 de maio?
por aquilo que percebi das informações que li todos os trabalhadores, efectivos ou não, têm o direito à greve- isto inclui trabalhadores a prazo e/ou a recibos verdes? caso assim seja, talvez não fosse mal pensado organizar material de divulgação específico para estes trabalhadores, uma vez que poucos mais se lembram deles, e pôr para aí os call centers e afins a ferver.
cumprimentos ferverosos,
rosa.

sa disse...

Que FERVA até queimar quem compactua com este tipo de situações!

Também eu já estive a RV, e é jurar para nunca mais. Infelizmente, os tempos são de crise e temos de nos sujeitar....

Estou convosco!!!

Anónimo disse...

Algo que me vinha a ocupar os espirito era exactamente a criação de uma Bas de Dados on-line, que quantificasse e caracterizasse os "Recebidos Verdes" deste país. Finalmente alguém deu o primeiro passo. A reportagem mexeu comigo. Há algum tempo fui apanhado na encruzilhada da vida e "forçado" a aderir aos Recibos Verdes" para sobreviver. O engraçado +e que até nem sou nada "verde" sou bem maduro.Tenho perto de 50 anos e até hoje não me consegui livrar desta enorme imoralidade e ofensa à dignidade do ser humano. Trabalhar desta forma pouco ou nada dignifica . A Constituição foi assimm deitada ao lixo. Porque raio não se legisla por forma a separar os verdaeiros dos falsos tarefeiros e outros prestadores afins ?

Até já

Anónimo disse...

Recebi hoje um flyer com a divulgação do blog e vim imediatamente espreitar.

Ainda estou no início da minha licenciatura, ainda não faço parte do mercado, mas já me sinto verdadeiramente preocupada com esta situação, por conheço várias pessoa que têm que se sujeitar aos recibos verdes, nunca sabendo o que lhes vai acontecer - e tendo famílias a sustentar.

É urgente uma mudança.

Anónimo disse...

Sou um reformado que, ao longo de toda a minha vida laboral de 42 anos, sempre trabalhei como efectivo. Eram outros tempos, com outras virtudes e outros defeitos. No entanto,não quero deixar de apoiar a V/ luta, transmitindo à mesma a minha solariedade. Não desanimem. Não desistam. Lutem sempre com inteligência, pois que, só a inteligência é capaz de vencer todos os prepotentes e arrogantes "Golias" e "Chicos Espertos"!