31 janeiro 2009

Testemunho: empregada de escritório

Tenho 22 anos e trabalho há dois a recibos verdes, como empregada de escritório de um agente de mediação.

Faço de tudo, sem que uma qualquer tarefa que não seja eu a fazê-la! Até para as formações ou reuniões das seguradoras eu sou mandada, porque nem nisso a entidade empregadora perde tempo.

Trabalho mais de 40 horas semanais, sempre dentro das instalações, obedeço a uma hierarquia, tenho um ordenado fixo de 450 euros, dos quais ainda sou obrigada a descontar para a Segurança Social.

Este ano não tive férias. Nem no ano passado. Tive recentemente problemas pessoais e alguns problemas de saúde algo graves, mas a recibo verde eu não me posso dar ao luxo ficar doente. Não pude meter baixa, não pude faltar nem para ir levantar exames que tinha feito, porque tal como me disseram: ‘pede a algum familiar que tos levante!’ De notar que a clínica fica apenas a dois quarteirões do meu local de trabalho e não demoraria mais de dez minutos!

Fui assaltada e as chaves foram na carteira, roubada por esticão. Fui avisar no trabalho que se teriam que mudar as chaves, fui recebida com ar de desdém, tive que me desculpar pelo incómodo causado e ainda me foi apresentada a factura das chaves novas!

Os documentos para entregar nas finanças são assinados por mim. Assim quando algo corre mal, a responsável sou eu, porque fui eu que assinei e porque eu não sou funcionária de ninguém, sou sim 'empresária em nome individual', o que dá sempre jeito ao patrão!

Gostaria de retomar os estudos, mas o ordenado não chega para isso. Já enviei currículos para outros locais, mas neste momento está muito difícil encontrar novo emprego.

E aqui reside o problema, é ter que me dar por satisfeita, por não estar desempregada. E com apenas 22 anos, tiram-nos as perspectivas de um futuro melhor da forma mais cruel e egoísta possível.

11 comentários:

Olho de Lince disse...

Pelo importantíssimo trabalho que o FERVE tem vindo a desenvolver, A mais alta labareda atribuiu-vos o Prémio Dardos. Dêem lá um saltinho.

Anónimo disse...

Ponha os pés à parede a esses filhos da p..... Mande-os para a p.... que os pariu e seja feliz, porque a sua vida é sua e não desses senhores que se dizem empresários e que querem instituir uma nova escravatura. Revolte-se!

polar disse...

Minha Querida,
se eu tivesse ainda 22 anos nunca na vida me deixaria intimidar!!!!
O mundo é seu!
Emigre!
Saia deste País de malucos á solta!

Os últimos jovens a quem dei este conselho estão há 1 ano na Holanda e em menos de um fósforo ela está numa escola paga pelo governo Holandes a estudar a lingua e não só,conseguiu ficar a tomar conta de uns filhos de 2 casais portugueses fora do tempo de aulas e ganha quase 700 euros pelo pequeno part time,ele foi trabalhar para uma empresa de novas tecnologias ganha 1900 eur.
Já tem casa própria!Tem ambos 24 anos!!!!ARRISCARAM não quizeram hipotecar o futuro deles a ESTES ABUTRES!!!!

Desejo-lhe boa sorte!
Antes de sair dessa empresa(!!!???)
faça questão de lhes dizer tudo o que pensa e eventualmente DENUNCIAR!

Anónimo disse...

Olá...
Essas criaturas, só podem ser mostros que vivem à face da terra, alimentando do nosso suor.

Cheguei agora ao emprego, estou aqui lavada em lágrimas, por causa da minha situação. Ainda por cima com Seg. Social para pagar e o Ordenado ainda nao entrou na conta este mês.

Se eu tivesse 22 anos, tivesse cá a minha família (sou estrangeira) e não tivesse um filho para criar... já me tinha feito à vida.

Não fique parada, ainda é nova, procure apoios, mas não dÊ continuaidade a isso... olhe que, ei deixei-me estar e já vou a caminho de 5 anos... estou uma "alface gigante" de tão verdinha.
Fique bem, e boa sorte.

B.

Miss K disse...

E porque não uma queixa na Inspecção Geral do Trabalho?? Se há meios para denunciar a situação, porque não utilizá-los??

Anónimo disse...

Andam a substituir trabalhadores mais velhos por jovens em condições precárias e depois surpreendem-se que o desemprego aumente, o consumo baixe e que jovens não consigam ter condições para constituir família ou tornarem-se independentes.

Libertas disse...

Eu percebo a angústia profunda desta jovem. Estou completamente solidário contigo.

Queria reflectir sobre a responsabilidade desta situação. Só vejo um culpado: o estado da economia; o estado depressivo em que a economia se encontra há desde há uns 10 anos. O patrão faz o que tem a fazer: se pode pagar 450, não paga 500 euros.

Há 15 anos era impossível contratar um empregado de escritório de qualidade por menos de uns 50% a mais que o SMN.

Hoje, se esta jovem se despedir, rapidamente haverá outro para a substituir.

Enquanto a economia não crescer, a miséria continuará. Precisamos que os empresários portugueses invistam para darem mais e mais emprego, para acabarmos com a miséria.

Um abraço,

Anónimo disse...

SAIA DO PAÍS!!!
um curso em idade jovem é o nosso maior sonho...é frustrante não poder usufrui-lo pq nao se tem dinheiro, e as bolsas aki neste país só funcionam para quem tem, e não quem necessita verdadeiramente.
eu tirei o meu com grandes custos, e sacrificios, num mundo onde ao meu lado colegas esbanjavam o carro novo do stand que o pai tinha comprado, e estouravam dinheiro em coisas sem importancia e necessidade!!
trabalhei de dia e estudei de noite, apanhei muito frio e muita chuva, qnd saia mais tarde, pq os horarios pra minha zona são 1 merda! chegava quase ás 2 da manhã por vezes, qnd todos a essa hora ja estavam no quente na cama!chorei muito, custou-me muito...mas a força ao ver que apenas teria voz se fosse "alguém" na vida, falava mts vezs mais alto.
Se ao trabalhar e estudar tiveres de almoçar tds os dias sopa e sandes, levar almoço no termo, lanche de casa e só ao jantar teres uma alimentação decente, fá-lo....a sério faz isso! sacrificios de 5 anos, mas uma vida inteira decente. Mas decente, não neste país onde ninguém quer saber de jovens com conhecimento, sejam eles licenciados, bachareis, ou de formação profissional, ou até autodidatas...
Sou mais uma cabeça a ir de partida, pois aqui ninguém respeita nem quer saber. Tenta saber sobre os programas de estagios internacionais, leonardo da vinci, socrates, inovjovem, inovarte. Financiam-te ,monetariamente estás numa empresa a estagiar e ainda podes ter a sorte de lá ficar, e msm se nao ficares nessa, só o facto de estares num país ha uns meses ou anos, é factor de preferencia para futuros empregos.
Áh muito importante, não ouças certas vozes amigas k só dizem é merda, amigos não pagam dividas nem te ajudam atribuir uma velhice digna aos teus pais!
Boa sorte para ti

Anónimo disse...

Segue estes conselhos! Vai estudar! Aproveita tudo aquilo que podes ao estudar fora! E digo-te, é a melhor forma... Não esperes por ajudas/bolsas de estudo em portugal, mesmo que sejas aquela que mais precisa, isso não vai acontecer(Embora vás perceber que filhos de administradores da própria faculdade têm esse direito..)
Também eu estudei e trabalhei. Vida dura. Muito dura. Trabalhas de dia, para pagar a faculdade que fazes à noite. As propinas são absurdas. Como a outra colega diz, muito frio, muita chuva, muitas lágrimas e muita tristeza... Demorava 1h30 a chegar a casa, chegava mto tarde e ainda tinha que fazer trabalho para apresentar no dia a seguir. semana sim, semana sim. comi e dormi mto pouco durante 5 anos. As dificuldades foram muitas e as ajudas muito poucas para o necessário. Trabalhar de dia e estudar à noite, não é o pior, acredita... Desde a exploração e precariedade no trabalho, ao não pagamento da segurança social durante anos por falta de verba, a todo o desgaste emocional ("enxovalhada" tanto no trabalho como na faculdade)... Mesmo com uma grande depressão que me tirava qualquer vontade de viver, nunca desisti! Acabei tudo e SOBREVIVI!
E minha querida... depois dessa tempestade, não imaginas onde já estive.. Só alguém que tenha a coragem de passar por coisas destas na sua vida, tem coragem para fazer ainda mais... E eu fiz. Fiz aquilo que ninguem tem coragem de fazer. Não fui para a Europa, isso toda a gente faz. Estive muito longe, aprendi muito sobre tudo, sobre a minha profissão, sobre a vida e sobre as pessoas. Não tenho raiva de ninguém, cada um vive aquilo que tem para viver. Mas não trocava a minha vida pela vida de ninguém, porque isto fez-me ser quem eu sou. E tenho muito orgulho no meu percurso!
Depois de 3 anos fora e sem pôr os pés em Portugal voltei às origens. Estou ainda a "recibos verdes" mas porque quero, porque pagam-me muito muito bem! já não tenho que aceitar "não ser respeitada"!
acredita em ti! sempre!

João disse...

Jovem ofereço-me para te ajudar no que conseguir. Tb sou escravo e felizmente o meu proprietário não me dá muito com o chicote.

No dia em que te quiseres demitir instala software ilegal no teu computador (que é propriedade da empresa; para que mais és independente não podem provar que tiveste lá a bulir) e manda um mail para os cromos da Assoft que eles vão lá multá-los.

Foi isso que eu fiz com os meus últimos proprietários que à dois anos tiveram um lucro líquido de 54 milhões de euros.

Cá mas fizeram, cá os fiz pagar.

Tia Maria disse...

Eu também estou na Holanda e confirmo tudo o que o/a polar disse.

Eu também estou a estudar holandês á borla, tudo pago pela gemeente(câmara).

Nos primeiros tempos aqui, tanto eu como a minha esposa trabalhávamos nas limpezas, e trabalhávamos 4 horas por dia cada um.

Dava para pagar a renda da casa, a renda da casa que temos em Portugal, e para tudo o resto.

O resto do tempo andava á procura de trabalho na minha área, eng. inf.

O meu primeiro ordenado não foi muito alto para os padrões holandeses, 2000€, mas foi para começar.

Quando me renovaram o contracto de 3 meses e me fizeram um de 6 meses, fui aumentado em 300€, ou seja, 15%.

Ah, fora o ginásio, as despesas de deslocação para o trabalho, aqui é obrigatório, e partilha de lucros no fim do ano.

Recebi 3 ordenados em Dezembro, 1 normal e dois de lucros, aqui não há sub. de natal.

Na segunda empresa, ganhava já mais de 3000€, com carro da empresa, e as mordomias todas.

Agora estou a trabalhar como freelancer, é quase o mesmo que RV, mas com umas condições que valem a pena. E se não ganho, não pago impostos, nem me chateio com nada.

E o que ganho por mês, dá para pagar o ordenado de dois Sócrates. É só fazer as contas.

Cumprimentos da terra das tulipas