17 novembro 2008

Testemunho: Comunicação Social

Infelizmente, sinto na pele a precaridade, há precisamente nove anos. Quase uma década de insegurança laboral, de constantes injustiças, sem nenhuns direitos e com todos os deveres comuns a um trabalhador dos quadros.

Sou licenciada em Comunicação Social e, no final, da licenciatura senti que tinha cumprido um dos sonhos da minha vida. Mas, depressa, e num abrir e fechar de olhos, passei do sonho ao pesadelo!

Ainda no terceiro ano do curso, fiz um estágio de três meses, não remunerado, é claro, na empresa, onde ainda hoje trabalho com "falsos recibos verdes". E, entretanto, já se passaram quase dez anos e o meu sonho de conseguir entrar para os quadros vai-se esfumando a cada dia que passa.

Sempre dei o litro na empresa, trabalho tanto ou mais do que um "profissional" da casa, tenho um horário a cumprir, cumpro as minhas folgas, mas nunca tive um contrato de trabalho, nem subsídio de alimentação, de férias, de Natal, direito a baixa e outras regalias. Mas claro que mensalmente tenho o IVA, Retenção na Fonte e pagamento da Segurança Social....

O que ainda me vai dando algum ânimo, se assim se pode dizer, é o simples facto de fazer aquilo que gosto, ao ponto de manter, em perfeitas condições, a minha criatividade, um dos aspectos essenciais ao normal desempenho das minhas funções.

Há alturas em que me vou abaixo e chego a pensar se terei feito a melhor escolha em termos profissionais...Ainda assim, lá vou encontrando algumas forças para tentar encontrar uma maior segurança no trabalho, mesmo que hoje em dia isto seja quase uma utopia...vou mandando currículos, diariamente consulto diversos sites de emprego, já foi a algumas entrevistas, mas, até agora, ainda não surgiu nada de aliciante.

Porque de uma coisa tenho a certeza: para pior não quero ir, por isso, terei de aguardar que surja uma melhor oportunidade...a esperança é que me vai mantendo com um sorriso, embora de forma disfarçada, nos lábios. À espera de dias melhores e que o Governo se dignifique a olhar de frente para esta precaridade e a tomar medidas!

2 comentários:

Revoltado disse...

Infelizmente ler estes "testemunhos" só me revolta e leva pensar onde esta a juventude deste país? Anda adormecida( com PC, playstation, noitadas, louros da luta dos nossos avós, compras a prestações, facilidades...) , finge não querer saber? revolta dentro de mim...

Sou instrutor de condução e também estou a recibos verdes(um dia destes coloco aqui o meu testemunho) , todos os meus alunos levam com a conversa do "País está feito para os grandes, dinheiro há muito mas tudo no mesmo bolso", infelizmente apesar de lhes tentar mostrar a razão se é que ela existe, muitos deles mostram-se indiferentes em relação à questão, o que faz pensar que o mal não está nos que exploram os outros mas sim no simples facto dos explorados(jovens) não ligarem à situação em estão...

Tb sou falso recibo verde disse...

Não conhecia este blogue. Tive conhecimento dele através de uma reportagem na TV. Desde já agradeço a sua existência, uma vez que este espaço faz a ponte entre todos nós, independentemente da área profissional.

Revejo-me neste "post". Tb sou jornalista, com carteira profissional daqui pouco há 10 anos. Já tive a oportunidade de ter contrato de trabalho, mas que no final do tempo não me foi renovado. Neste momento sou um falso recibo verde. Tenho mapa de trabalho, folgas rotativas, horário de trabalho (e que horário... o meu recorde foi de 17 horas num dia e o acordo com o sindicato de jornalistas fala em 7h/dia) e local fixo de trabalho onde me encontro todos os dias. Já cá veio a Inpecção Geral do Trabalho, aliás esse "digno" organismo vem cá todos os anos, mas incrivelmente fica tudo na mesma, nada mexe.
Por receio de deixar de ter trabalho (pelo menos ganho alguns trocos para sobreviver, sim porque para viver necessitaria de um pouco mais, mas depois vem o senhor IVA) não divulgo aqui a minha identidade nem o jornal onde trabalho, não vá haver uma caça as bruxas.
Só acho piada os jornalistas (como eu) falarem todos os dias de injustiças, de desemprego, de represálias... quando eles próprios sofrem isso na pele diariamente nas suas redacções.

Um abraço a todos, obrigado por este espaço existir!