24 abril 2007

Testemunho

Tive uma experiência de trabalho, há bem pouco tempo, numa empresa onde trabalhei durante 2 meses, que representa em tudo aquilo que a vossa iniciativa pretende eliminar.

Esta empresa, regida feudalmente por um patrão, recruta intencionalmente recém-licenciados de cursos que, á partida, têm dificuldade em inserir-se no mercado de trabalho. A promessa é a da realização de um estágio profissional, através do IEFP, com todos os direitos e deveres inerentes. Esta é a aparente oferta.

O que se passa na realidade, é que esta empresa funciona quase totalmente à base de recém-licenciados, e que enquanto o estágio não é aprovado, a remuneração é consideravelmente baixa, sem direito a férias ou até a uma licença de maternidade (como vi acontecer).


Segundo o regulamento do IEFP, para a realização de estágios profissionais requer-se um número mínimo de trabalhadores efectivamente contratados. Ora como tal não acontece nesta "empresa", o patrão cria empresas de um dia para o outro, para desta forma poder incluir o maior número possível de "estagiários", sem ter que recorrer a contratos. Os poucos contratos que existem (2) são contratos de curtos meses de duração.

O mais chocante, é que enquanto o estágio não é aprovado, existem pessoas que estão a trabalhar cerca de 10h por dia, incluindo sábados, estando dispostas a receber apenas o correspondente a um subsídio de alimentação. Executam também a limpeza total das instalações, mesmo não tendo sido informados desse requerimento aquando da entrevista de emprego.

A verdade é que esta empresa tira, intencionalmente, partido do medo do desemprego e do desespero, escolhendo a dedo as pessoas que estão nesta situação. A conivência deste trabalhadores precários, que chegam a trabalhar mais que as 40h semanais por apenas 100euros mensais, também é o que torna possível esta situação.Na maior parte dos casos, o pedido de estágio profissional nem chegou a dar entrada no IEFP.

Ao mesmo tempo, sinto que o IEFP está a ser vítima de uma burla, quando atribui financiamento a estágios profissionais a uma empresa que não respeita os direitos dos trabalhadores, nem o regulamento dos ditos estágios. Afinal, o financiamento ao estágio deve incentivar à contratação de mão-de-obra com menos experiência, e não incentivar a precariedade no trabalho.

Desta forma, e ao perceber a situação em que me vi envolvida, vim-me embora por não querer continuar a pactuar com uma situação de completa fraude.


4 comentários:

Zorra disse...

Nojento e indecente...que caso horrível. Apoio-vos totalmente!

Anónimo disse...

Epah, vou entrar daki a um mes e meio para essa coisa de estagio profissional, eles proporcionam condições completamente diferentes do que estão referidas.
A renumeração é duas vezes o ordenado minimo( jã com subsidio de alimentação ), e é uma empresa com um bom nome em Portugal.
Mas posso deixar um concelho para todos os "colegas" que vão entrar para estagios professionais, PROCUREM VOCES NÃO DEIXEM ISSO AO CARGO DO IEFP. Este eu consegui com uma espera de 6 meses, e já com nivel 4 dentro da minha area...

Anónimo disse...

Epah, vou entrar daki a um mes e meio para essa coisa de estagio profissional, eles proporcionam condições completamente diferentes do que estão referidas.
A renumeração é duas vezes o ordenado minimo( jã com subsidio de alimentação ), e é uma empresa com um bom nome em Portugal.
Mas posso deixar um concelho para todos os "colegas" que vão entrar para estagios professionais, PROCUREM VOCES NÃO DEIXEM ISSO AO CARGO DO IEFP. Este eu consegui com uma espera de 6 meses, e já com nivel 4 dentro da minha area...

Su disse...

Eu cá sou nível 6 e estou à espera do estágio desde finais de Janeiro. Nunca mais começa e eu que desespere. Ninguém me diz nada. O IEFP não aceitou ainda o estágio por causa do orçamento e não sei quê, deve ser deve...
Alguém aqui como eu?