26 abril 2012

VÍDEO MAYDAY LISBOA



E no 1º de maio, saímos à rua!
Pela nossa vida!
Pelo nosso futuro!
Pela nossa dignidade!

DEBATE DO SPN::26 ABRIL::18H00::PORTO

O Sindicato dos Professores do Norte (SPN) tem vindo a organizar uma tertúlia mensal, designada SPN no Olimpo, que visa assinalar os 30 anos deste sindicato.

Hoje, o debate designa-se "Cidadania: participação vs (des)mobilização" e conta com a presença do FERVE, de João Teixeira Lopes (sociólogo)  e de José Miranda (dirigente estudantil).

O debate decorre no Olimpo Bar-Café, na Rua da Alegria, 26 (aos Poveiros), no Porto.



22 abril 2012

1º DE MAIO: PRECÁRIAS/OS E DESEMPREGADAS/OS SAEM À RUA


Trabalho mal pago, emigração, desemprego sem fim, estágios não remunerados, economia informal, vidas a prazo. A precariedade no trabalho e nas nossas vidas generaliza-se e não é por acaso. Em Maio fará um ano que o acordo com a troika foi assinado pelos mesmos que agora sustentam a política de destruição do emprego e do Estado social. Um ano depois tudo falhou, a austeridade justifica tudo e não resolve nada. O desemprego e a precariedade aumentam à medida que pagamos uma dívida para resolver uma crise que não criamos. Nesse caminho a democracia tem sido esmagada pela austeridade. Por isso Maio é um mês de exigirmos o nosso futuro. Vamos dizer basta e exigir emprego com direitos para todos/as e o respeito pelas nossas escolhas.

No dia do/a Trabalhador/a, o 1º de Maio, nós, precários/as e desempregados/as, sairemos às ruas do Porto para gritar bem alto que já chega de exploração. MAYDAY, MAYDAY, MAYDAY.

18 abril 2012

IEFP DESPEDE MAIS DE 200 TRABALHADORES, NÃO PAGA INDEMNIZAÇÕES E ALTERA DATA DE DESPEDIMENTO!!!

Provedor de Justiça contraria governo e IEFP afirmando que estes pretendem reduzir a "expressão residual" o direito às compensações dos trabalhadores despedidos - IEFP envia carta aos trabalhadores a corrigir data de despedimento

No fim do ano passado o IEFP despediu cerca de 1.000 trabalhadores, mais de 200 trabalhadores com contratos a termo incerto, e cerca de 800 trabalhadores precários a falsos recibos verdes. Para uns e outros a decisão do governo foi a de ultrapassar a lei, tentando não pagar as indemnizações devidas às mais de 200 pessoas com contrato, e mais naturalmente, não reconhecer sequer a situação ilegal dos trabalhadores precários a falsos recibos verdes, formadores, cujos direitos têm sido mais facilmente atropelados. Agora, o Provedor de Justiça dá razão aos trabalhadores contratados e quase simultaneamente, continuando a embrulhada legal, o IEFP assume que realizou um despedimento ilegal e pretende "corrigir" a data de despedimento.

Após as movimentações dos trabalhadores, dos movimentos de trabalhadores precários e dos sindicatos, e realizadas queixas ao Provedor de Justiça, eis que este dá razão aos trabalhadores despedidos e confirma, por outras palavras, a embrulhada legal em que a tutela, através do Secretário de Estado do Emprego - Pedro Martins - e os responsáveis do IEFP, pretendem envolver os trabalhadores para que estes não recebam cerca de 3.000 euros (segundo números do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores (STFPSA)) de compensação devida legalmente, e justa, pela cessação do seu contrato de trabalho.

O Provedor constrói uma resposta que do nosso ponto de vista é fortíssima (citamos):

"Deste modo, a argumentação subscrita pelo SEE (Secretário de Estado do Emprego) não só reduz a uma expressão residual o direito à compensação legalmente consagrado, como isenta o empregador público do seu pagamento, justamente nas situações em que prolonga até ao limite legalmente permitido uma relação laborai cuja existência o legislador quis, claramente, que fosse excecional; e assim, o SEE faz uma interpretação do n° 3 do artigo 252° do RCTFP que, conduzindo a uma total desproteção do trabalhador, ignora o fim subjacente à consagração daquela norma e subverte a intenção do legislador ao deixar sem tutela situações que este quis acautelar."

Quase simultaneamente, o IEFP enviou uma carta aos trabalhadores assumindo um suposto erro na data do despedimento, o que tornaria o despedimento realizado ilegal. Em todo o caso, este é apenas mais um dado que pretende lançar a confusão sobre os trabalhadores, tentando fazer avançar o tempo e aumentar as dificuldades de centenas de pessoas que pretendem receber as compensações justas e devidas por lei.

Consideramos que este governo, o seu Secretário de Estado do Emprego e os responsáveis do IEFP, agem de má fé, e são os primeiros a procurar agir fora-da-lei. Consideramos também que a argumentação do Provedor de Justiça confirma legalmente e juridicamente essa interpretação e por isso temos todos os motivos e razão para avançar de todas as formas com vista a obter o reconhecimento dos direitos destes trabalhadores.

Precários Inflexíveis 
FERVE

FESTA MAYDAY::20 ABRIL::LISBOA

A festa de todos/as os/as precários/as, pessoas desempregadas e mal empregadas!

Dia 20 de Abril, o MayDay Lisboa 2012 organiza uma festa na Galeria Zé dos Bois (Bairro Alto, Rua da Barroca, nº 59) a partir das 21h30.

Nesta festa queremos juntar amigos e amigas, comprometidos/as com a mudança, para juntos/as descobrirmos e celebrarmos a força que nos querem tirar.

Teremos performances, concertos, dj's, cultura, filmes, jogos, bancas de associações e movimentos sociais, muito convívio, boa disposição e muita garra. Como podes ver, a noite de 20 de Abril vai ser em grande. A entrada na festa terá o valor de 2€ com direito a um pin.

Programa

21.30h - abertura de porta e espectáculo de fogo no Lg. Camões

22h - Hip hop de batom

23h - Vijazz

23.30h - Leitura de textos e cantorias - Inês Nogueira

24h - Understood Project


O MayDay é a resposta das/os precárias/os no dia 1 de Maio.

Esta iniciativa nasceu em Milão em 2001, espalhando-se depois por várias cidades da Europa e do Mundo. Em 2007, fizemos pela primeira vez o MayDay em Lisboa, com uma manifestação que juntou um grito de revolta contra a precariedade aos protestos do Dia dos Trabalhadores e Trabalhadoras. Desde aí, não parámos: a luta contra a precariedade é mais urgente do que nunca, precisamos de cada vez mais força para combater o infernal ciclo desemprego-trabalho precário.

Até ao 1º de Maio procuraremos abalar consciências, denunciar múltiplas situações de precariedade, propôr alternativas, despertar a nossa criatividade e juntar forças. No Dia 1 de Maio, faremos uma parada mobilizadora contra a precariedade, onde as sinergias criadas e a imaginação transformam a rua num espaço em que se afirma a alegria da recusa de uma vida aos bocados.

MayDay!! MayDay!!
 
Evento no Facebook (aqui)

INDEMNIZAÇÃO POR DESPEDIMENTO BAIXA PARA 6 A 10 DIAS

A partir de Novembro, as indemnizações pagas aos trabalhadores em caso de despedimento deverão baixar para metade ou para menos de um terço. Um estudo do Ministério da Economia conclui que o valor médio das compensações na União Europeia é de 6 a 10 dias por cada ano de antiguidade, enquanto em Portugal oscila entre os 20, para os trabalhadores admitidos após 1 de Novembro de 2011, e os 30 dias, para os trabalhadores que já estavam no mercado de trabalho antes dessa data.

Esta era a peça que faltava para o Governo finalizar a reforma da legislação laboral que está em discussão na Assembleia da República e deverá afectar sobretudo os trabalhadores que entraram no mercado de trabalho mais recentemente, dado que as pessoas com mais anos de casa têm os seus direitos adquiridos salvaguardados.

A proposta em cima da mesa prevê que quem estava no mercado de trabalho antes de Novembro de 2011 mantém 30 dias de indemnização por cada ano na empresa e, caso ultrapasse os limites máximos, o valor fica congelado e não acumula mais direitos. Quem ficar abaixo dos tectos verá a compensação pelo trabalho prestado de Novembro de 2011 a 30 de Outubro de 2012 calculado com base nos 20 dias e, daí em diante, com base nos novos valores (6 ou 10 dias consoante a decisão do Governo).
Notícia e foto no Público

16 abril 2012

III ASSEMBLEIA MAYDAY PORTO

O MayDay é uma parada que congrega trabalhadores/as precários/as, percorrendo um percurso autónomo após o qual integra a marcha do 1º de Maio da CGTP. Em Portugal, o MayDay realizou-se pela primeira vez, em 2007, em Lisboa. No Porto, iniciámos a parada MayDay em 2009.

Em 2012, vamos novamente sair à rua porque acreditamos num futuro digno para todas/os e não aceitamos que nos condenem à precariedade, ao desemprego e à emigração forçada!

Hoje, 16 de abril, às 21h30, realiza-se a terceira assembleia preparatória do MayDay, às 21h30, no Café Aviz (Rua de Aviz, Porto).


VEM E TRAZ UM/A AMIGO/A TAMBÉM!



14 abril 2012

PARADA MAYDAY::1º DE MAIO::13h00:: PORTO - PRAÇA DOS POVEIROS



Contra a "cowboyada" das empresas de trabalho temporário que nos ficam com metade do salário, sairemos à rua no próximo 1º de Maio para dizer bem alto que já basta de precariedade nesta vida

PRAÇA DOS POVEIROS::13H

SESSÃO PÚBLICA: OBSERVATÓRIO SOBRE CRISES E ALTERNATIVAS


Enquadramento
O Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Laboratório Associado, em colaboração com o Instituto para os Estudos Laborais da Organização Internacional do Trabalho, apresenta o Observatório sobre Crises e Alternativas, criado para acompanhar o desenvolvimento da(s) crise(s) nas suas várias dimensões e manifestações em Portugal.
Este Observatório trabalhará em torno de três eixos temáticos principais: a governação e a democracia; o estudo das dinâmicas no mundo do trabalho; as relações entre finança e economia e o modo como afetam a vida das famílias, a atividade das empresas e a evolução da economia portuguesa.
O Observatório irá promover a realização regular de seminários, conferências e ações de formação, a edição de estudos temáticos, em resultado da investigação desenvolvida, e a produção de um relatório anual sobre a situação em Portugal.

Oradores 
Boaventura Sousa Santos, Diretor do Centro de Estudos Sociais
Raymond Torres, Diretor do Instituto para os Estudos Laborais da Organização Internacional do Trabalho
Manuel Carvalho da Silva, Coordenador do Observatório sobre Crises e Alternativas

Moderação: Mafalda Troncho, Diretora da OIT-Lisboa

11 abril 2012

450 POSTOS DE TRABALHO DESAPARECERAM DA IMPRENSA ENTRE 2006 E 2010

Perto de meio milhar de postos de trabalho desapareceu dos principais grupos de imprensa entre 2006 e 2010, conclui um estudo do Fórum de Jornalistas. O número representa um corte de 14% nos quadros destes grupos.

Porém, o panorama do sector da comunicação social é actualmente ainda mais complicado: as contas deste estudo não incluem, por exemplo, as reduções efectuadas no ano passado no grupo RTP e que roçaram as duas centenas – mas que o operador público, em virtude do seu plano de reestruturação, quer alargar a 300 trabalhadores –, ou o processo de rescisões amigáveis aberto pelo Expresso, nem os processos anunciados já este ano como os de rescisões amigáveis em títulos como o Diário Económico, Sol, i, Focus.

De acordo com o estudo, o sector dos media cortou, em quatro anos, 500 efectivos aos seus quadros, sendo só a imprensa responsável pela redução por 452 postos de trabalho – eram 7700 em 2006, passaram a 7200 em 2010. Este corte permitiu que a evolução da receita anual por trabalhador tenha subido na imprensa de 125 mil euros em 2006 para 132 mil euros em 2010. Estes números referem-se, porém, aos trabalhadores efectivos. Mas o sector também "rejeitou" muitos colaboradores a recibos verdes, que não é possível contabilizar oficialmente.

Os sectores mais debilitados são a imprensa e a rádio. Na imprensa, perderam-se 35 milhões de euros em publicidade neste período e apenas a Impresa e a Cofina (generalistas) e o sector da imprensa desportiva (Bola, Edisport e Jogo) conseguiram apresentar resultados positivos. Na rádio, Renascença, Media Capital e TSF apresentaram prejuízos em 2006 e 2010, mas o total subiu de cinco para 9,5 milhões de euros negativos.

Notícia na íntegra e foto no Público.



10 abril 2012

CARTA DE UM PRECÁRIO: A TRISTEZA QUE SE TRANSFORMOU EM LUTA



Começou a precariedade a corroer-me os ossos e as emoções. Tenho 23 anos e ainda à pouco saí do lugar onde o sonho, o estatuto e a sabedoria eram discurso que quase parecia realidade. Ponho os pés cá fora e o futuro do sonho, que me prometeram, parece-me tão longínquo como o horizonte que vejo no outro lado do mar. Tenho medo do futuro e fico às vezes a pensar o quão bom era ser criança de novo. O... quão bom era não fazer parte dos 7 cães que anseiam por um osso. 
Olho as noticias e parecem-me tudo achas para a fogueira da depressão. Demito-me de olhar para a vossa verdade.Demito-me, dentro dos limites do meu corpo, de deixar que aqueles que estão a transformar a nossa vida nesse buraco negro, vençam e se deliciem na sua poltrona confortável (anti qualquer tipo de dores). Demito-me de acreditar que este país onde eu nasci é um antro de um povo submisso e inerte. Demito-me de alimentar o lucro sequioso das grandes corporações de fato e gravata. Demito-te de ser o pão (que já sou) de uma banca corrupta que é salva por governos corruptos que eu não escolhi. Demito-me de não transformar o pessoal em politico. 
Quero a simples utopia de poder ser feliz. Apenas isso. E por isso, farei da minha voz, e corpo, arma, até que a paz o pão, a saúde e a educação nos sejam devolvidas. Até que ser feliz deixe de ser apenas metáfora

06 abril 2012

GOVERNO QUER ACABAR COM INDEMNIZAÇÕES A TRABALHADORES DESPEDIDOS NA FUNÇÃO PÚBLICA


Contratados a prazo no Estado sem direito a indemnização: Esta é uma das propostas que o Governo (na foto, Hélder Rosalino, Secretário de Estado). 
A proposta em causa foi enviada aos sindicatos do sector e será discutida no dia 10 de Abril.

Os contratados a prazo na administração pública vão ficar sem direito a indemnização quando o seu contrato de trabalho chegar ao fim. Esta é uma das propostas que ontem o Governo enviou aos sindicatos do sector e que será discutida na próxima ronda negocial, dia 10.
Atualmente, os funcionários públicos com contratos a prazo têm direito a uma compensação de dois ou três dias da sua remuneração base por cada mês de trabalho quando o seu contrato caduca. E os contratos podem ser renovados por um máximo de três anos. No documento ontem enviado às estruturas sindicais e a que o Diário Económico teve acesso, o Governo propõe agora que a caducidade do contrato a termo certo "não confere ao trabalhador o direito a compensação".
Notícia na íntegra no Diário Económico

02 abril 2012

15% DE DESEMPREGO

Segundo a Eurostat, a taxa de desemprego em Portugal cifra-se neste momento em 15%. Esta taxa, a mais elevada desde sempre, coloca Portugal como o terceiro país com mais desemprego na Europa, atrás da Espanha e da Grécia.

Notícia no Público.

AÇÃO MAYDAY LISBOA::RAPTO DA TROIKA



No dia 1 de Abril, dia das mentiras, o MaydayLisboa esteve na rua para festejar o rapto de representantes da troika, que inadvertidamente passeavam calmamente pelo miradouro de São Pedro de Alcântara.

Em troca da sua libertação foi pedido um resgate bem diferente daquele que eles nos fizeram que só trouxe mais precariedade, desemprego, pobreza e destruição dos serviços públicos.

Junta-te ao MayDay Lisboa 2012! Precariado sem medo!



II ASSEMBLEIA MAYDAY PORTO

O MayDay é uma parada que congrega trabalhadores/as precários/as, percorrendo um percurso autónomo após o qual integra a marcha do 1º de Maio da CGTP. Em Portugal, o MayDay realizou-se pela primeira vez, em 2007, em Lisboa. No Porto, iniciámos a parada MayDay em 2009.

Em 2012, vamos novamente sair à rua porque acreditamos num futuro digno para todas/os e não aceitamos que nos condenem à precariedade, ao desemprego e à emigração forçada!


Hoje, 2 de abril, às 21h30, realiza-se a segunda assembleia preparatória do MayDay, às 21h30, no Café Aviz (Rua de Aviz, Porto).


VEM E TRAZ UM/A AMIGO/A TAMBÉM!




01 abril 2012

TESTEMUNHO: 3 dias na PATAMAR

O FERVE recebeu este testemunho de uma trabalhadora que realizou 3 dias de formação na empresa PATAMAR. Um exemplo da exploração e abuso que grassa em muitas empresas do país. O FERVE fará chegar uma denúncia à Autoridade para as Condições do Trabalho.


No dia 5 de março respondi a uma oferta de emprego para um call-centre na empresa PATAMAR. Seria a part-time, com um ordenado-base de 300 euros, remuneração até atraente para o que se tem encontrado.

Dia 6 de março, pelas 10h da manhã, estava já a ter uma formação de três dias, não remunerada, para ver se me adaptava àquele posto de trabalho.  Segundo a pessoa que me entrevistou, Raquel Pimenta (que depois me apercebi ser mais do que a menina dos recursos humanos), aquele trabalho era exigente, mas bem pago – tinha como ordenado-base 300euros, e depois ganhava consoante o número de marcações que fizesse, podendo chegar aos 800 euros.

Eram 11h da manhã quando me chamaram, a mim e mais três pessoas para descer ao piso -1 para experimentar, então, trabalhar na empresa. Levaram-nos até uma sala de 5x7m, com duas pequenas janelas fechadas, duas secretárias com vários telefones, folhas e canetas no topo e, ao fundo, um rádio que gritava alguma música comercial energizante. As pessoas que compunham o cenário eram dez trabalhadoras agarradas àqueles telefones, a algumas canetas e às folhas arrancadas das Páginas Amarelas, pousadas sobre as mesas. Por cima do barulho da rádio, e com um falso sorriso nos lábios, gritavam frases repetidas de memória, envoltas de simpatia forçada. Para além disto, duas raparigas estavam de pé, uma em cada ponta, andando enervadamente de um lado para o outro da sala, rente às secretárias e a quem lá se sentava, berrando, por cima das restantes vozes e por cima do barulho da rádio quase em volume máximo, frases que misturavam a psicologia barata, a autoridade praxista, e a total ausência de respeito pelas pessoas que ali levantavam o telefone a cada 30 segundos.

Na tarde anterior tinha visto quatro daquelas dez pessoas sentadas numa mesa de corredor, junto à casa de banho a que me dirigi e não usei, por não ter nem condições nem papel higiénico. Percebi, logo naquele primeiro dia, que tinham ficado na tarde anterior a trabalhar até às 17h porque não tinham conseguido os objectivos mínimos do dia no seu horário (10h às 14h). Aquelas horas, perguntei no meu 2º dia de formação (porque se repetira o prolongamento até às 17h no dia seguinte), seriam pagas como extra? Não, nem pensar, porque o erro tinha sido delas: elas [as trabalhadoras] é que não tinham conseguido fazer marcações, pelo que, por solidariedade com as chefes (a tal Raquel Pimenta e sua copincha, Catarina Fernandes) que lhes berram durante toda a manhã, ficaram por livre vontade. Hmmm, livre vontade?

A todo este cenário, acrescia uma outra figura, a do chefe-more, Leandro, que se passeava, a si e ao seu fato e cabelo loiro penteado, entre as secretárias, as trabalhadoras e as chefes que lhes berravam. De vez em quando, também ele grunhia algo para alguma das trabalhadoras por esta estar parada, falar com o colega, ou telefonar sem o tal sorriso nos lábios.

Durante esse tempo consegui perceber que aquele espaço não era só um espaço de opressão laboral (pressão constante, autoridade ilegítima, coação, retórica de submissão e de fragilização dos trabalhadores, falta de condições de higiene – ao pedir papel higiénico, o chefe responde-me “pede um lenço a alguém, nós não colocamos porque eles comem muito”, desrespeito pelo horário de trabalho, entre outras), mas era também um espaço que se baseava em ações fraudulentas para sobreviver e conseguir vender os seus produtos.

Este era o local de trabalho da 1970 Viagens, uma das secções da empresa Patamar. Tem parceiros tão conhecidos quanto a Optimus, o Não + Pelo, o Jardim Zoológico, entre outros.

O seu modo de agir é, basicamente, percorrer as listas telefónicas dos distritos de Aveiro e Porto (dizem que vão agora difundir-se pelos distritos de Guimarães, Oliveira de Azeméis, entre outros), e fazer as pessoas acreditar que, incrivelmente, foram seleccionadas para um fim-de-semana gratuito numa das 600 casas rurais que a empresa tem à disposição. As pessoas têm apenas de se dirigir à sede da empresa (Aveiro ou Porto) para levantar o voucher de oferta, que se assemelha aos pacotes “Vida é Bela”. Acontece que o voucher não é oferta, mas há que pagar por ele 30 euros. Há que também assinar com eles um pré-contrato de adesão como cliente à empresa. Mas isto só se perceberá o cliente quando vier levantar a “oferta”. Após percorrerem, muitas vezes, dezenas de quilómetros, para o levantar, e se demorarem ali, não 5 minutos como é entusiasticamente anunciado, mas mais de 1hora, entre filmes e argumentação abusiva, tresandando, claro, a simpatia e honestidade falsas.

Três dias depois, recebi uma mensagem, por telemóvel, que dizia: “tivemos a fazer a selecção das pessoas que tiveram de formação, e tu não foste seleccionada. Obrigada até uma próxima."

APRESENTAÇÃO DO LIVRO "JOVENS EM TRANSIÇÕES PRECÁRIAS"

No próximo dia 4 será apresentado o livro “Jovens em Transições Precárias” da autoria de um grupo de sociólogos investigadores do ISCTE-IUL, CIES-IUL: Nuno de Almeida Alves, Frederico Cantante, Inês Baptista e Renato Miguel do Carmo.

A apresentação, às 18:00 na Fnac de Stª Catarina, no Porto, contará também com a presença e comentários de Nuno de Almeida Alves (ICS-UL), João Teixeira Lopes (professor FLUP) e Adriano Campos (Ativista do FERVE). 




Este livro procura entender como da precariedade laboral se pode passar à precariedade enquanto como modo de vida, focando-se na situação dos jovens inseridos em postos de trabalho pouco qualificados e de baixa remuneração. Procura perceber as condições que levam à precariedade laboral, nomeadamente, o percurso escolar, a entrada no mercado de trabalho, os tipos de contrato e salários. O livro tem por base um estudo qualitativo baseado em 80 entrevistas a jovens trabalhadores com idades compreendidas entre os 18 e os 34 anos. Esta análise permite perceber como a precariedade extravasa a condição laboral e contamina os restantes aspectos da vida pessoal, encobrindo as perspectivas de um futuro melhor.

Este é um grande contributo para o estudo da precariedade em Portugal e para as consequências que este problema tem na vida das pessoas que vivem diariamente a instabilidade contratual e o desemprego, que depois se reflecte numa sensação de estado de limite permanente e que dificulta a autonomização pessoal destes trabalhadores. 

29 março 2012

LIVRO ¡OCUPEMOS EL MUNDO!

Este livro, que conta com a participação de activistas dos movimentos de precários FERVE e Precários Inflexíveis, foi publicado no Estado Espanhol e trata das mobilizações globais a que assistimos e participamos no último ano. De Barcelona ao Cairo, de Lisboa a Oakland, do movimento Occupy à praça Sintagma, do 12 de Março ao 15 de Outubro, milhões de pessoas juntaram-se contra a precariedade, o ataque austeritário e a ditadura dos mercados. Que dinâmicas foram estas? O que ficou desse processo de mobilização? que alianças podem tecer estes movimentos? Que teoria temos para enfrentar esta nova fase? São estas e outras questões de que se ocupa este livro. 



En 2011, se ha dado una exten­sión imparable de las luchas populares que han alumbrado un nuevo “ciclo rebelde global”, en el que hemos sido, de algún modo, un huelguista por­turario de Oakland, una estudiante griega okupando su facultad, un islandés cacerola en mano frente a un banco, una activista egipcia enfrentando a Mubarak y a la Junta Militar, un precario portugués organizándose contra el miedo y la inseguridad. 

La “dictadura de los mercados” ha sido ese elemento necesario para re­co­nocernos en el “otro”. Somos la misma cosa: el mismo objeto de explotación. Pero también somos el mismo sujeto, el mismo cuerpo capaz de negar lo existente como inevitable: Es por eso que hemos apren­dido juntos y juntas a vencer el miedo individual para encontrar la fuerza en lo colectivo y ocupar el espacio público. Cada práctica de resistencia está siendo un estímulo. Se difunden y se readaptan a contextos apa­ren­temente desconectados y lo ha­cen para trasladar, casi cada día, el cen­tro del movimiento de un escenario a otro: hoy Egipto, mañana alguna ciudad de EEUU, pasado Atenas o Moscú. El mes siguiente un nuevo país. Este libro recoge y analiza este crisol de experiencias con escritos de autores de todo el mundo.


Barcelona, Madrid, Atenas, Túnez, El Cairo, Lisboa, Islandia, Oakland, Wall Street, Londres, Moscú, Tel Aviv...
Esto solo ha sido el principio, no hay vuelta de hoja.

"Se nos dice que [...] la única manera de salvarnos en estos tiempos difíciles es empobrecer más a los pobres y enriquecer más a los ricos. ¿Qué deberían hacer los pobres? ¿Qué pueden hacer?" Slavoj Žižek

Autores:
Joseba Fernández, Carlos Sevilla, Miguel Urbán, Eric Toussaint, Sandra Ezquerra, Andrés Antebi, Jose Sánchez, Colectivo Madrilonia, Guillermo Zapata, Josep Maria Antentas, Esther Vivas, Cinzia Arruzza, Víctor Sampedro, Santiago Alba Rico, Panagiotis Sotiris, Diego Crenzel, Sergio Yahni, Adriano Campos, Marco Marques, Daniel Alcalde y Slavoj Žižek.




Editora Icaria.



26 março 2012

I ASSEMBLEIA MAYDAY PORTO


O MayDay é uma parada que congrega trabalhadores/as precários/as, percorrendo um percurso autónomo após o qual integra a marcha do 1º de Maio da CGTP. Em Portugal, o MayDay realizou-se pela primeira vez, em 2007, em Lisboa. No Porto, iniciámos a parada MayDay em 2009.

No dia 26 de Março, às 21h30, realiza-se a primeira assembleia preparatória do MayDay, às 21h30, no Café Aviz (Rua de Aviz, Porto)




VEM E TRAZ UM/A AMIGO/A TAMBÉM!

Em 2012, vamos novamente sair à rua porque acreditamos num futuro digno para todas/os e não aceitamos que nos condenem à precariedade, ao desemprego e à emigração forçada!

25 março 2012

UM SNS PRECÁRIO?


As arremetidas contra o SNS movidas pelos sucessivos governos, por via do aumento das taxas moderadoras e da entrega a uma gestão privada de tal modo incompetente que, há não muito tempo, certo hospital quase teve de deixar de fazer cirurgias por falta de compressas, são complementadas com a precarização dos profissionais de saúde, designadamente dos médicos.

Um médico de clínica geral foi, em Maio de 2011, contratado para o Centro de Saúde de Fernão Magalhães - Extensão Adémia, em Coimbra. Diga-se de passagem que esse Centro de Saúde, que serve uma população de quase três mil pessoas, estava, até então, inteiramente desprovido de clínicos gerais. O suprir desta necessidade, flagrantemente ignorada, veio a ser feito de um modo duplamente errado:

- em primeiro lugar, ao referido médico foram confiados todos os 2800 doentes que acorrem ao centro de saúde supracitado, no que constitui a imposição de quase 200% do número máximo de pacientes que um médico de clínica geral e familiar pode ter a seu cargo, de acordo com a regulamentação legal do exercício da actividade médica no serviço público;
- em segundo lugar, neste lugar para o qual é manifesta a necessidade a título permanente de um profissional, e que, portanto, demanda por definição a produção de um contrato de trabalho, o médico foi, todavia, colocado com o estatuto de avençado, até 31 de Dezembro de 2011.

Com o ano novo, por algum motivo se inferiu na Administração Regional de Saúde (ARS) que a sanidade física ia ser coisa inexpugnável entre a população servida por esse Centro de Saúde.

Lastimavelmente, tal informação há-de ter sido deficientemente transmitida às populações, que se sentiram temerosas pela sua saúde e foram ao ponto de exigir a reintegração do referido médico!

Porque a luta é o caminho e só dela resultam as vitórias, a população utente do Centro de Saúde de Fernão Magalhães - Extensão Adémia insurgiu-se contra a demissão do seu médico, vergando a ARS e impondo-lhe a sua readmissão. Contudo, foi essa uma vitória incompleta: é que o regime contratual obtido em Fevereiro do ano corrente foi, novamente, a avença, e uma vez mais com término estabelecido para 31 de Dezembro de 2012.

A ARS brinca com a saúde de quase três mil pessoas!
O médico aufere 1190 euros de salário líquido mensal. A tabela salarial dos médicos de clínica geral demonstra que mesmo no escalão mais baixo o rendimento líquido não pode ser ser inferior a 1390,47 euros/mês. Não tem direito a férias e, porque nenhum dos contratos foi por período de tempo igual ou superior a um ano, tampouco tem direito a subsídio de desemprego.
Como escreve, acertadamente, a Ordem dos Médicos: «o Ministério da Saúde está a discriminar negativamente os jovens Médicos portugueses e a empurrá-los consciente e determinadamente para a emigração».

A precariedade espalha-se invadindo todos os domínios profissionais, impondo-se mesmo à saúde pública, mesmo aos direitos mais fundamentais e imprescritíveis.
A luta contra a precariedade no SNS não é apenas a já de si justíssima e vital acção popular em nome do trabalho condigno, do trabalho com direitos, do trabalho sem opressão.
É a luta sobretudo pela dignificação de uma estrutura de protecção social sem a qual a própria vida dos cidadãos está em cheque. Um SNS precário nos contratos que celebra é um SNS precário no serviço que fornece. E essa é uma situação inadmissível.