11 agosto 2011

BANCA É A PRINCIPAL BENEFICIADA COM CORTE DA TSU



Os bancos serão os mais beneficiados pela descida da taxa social única (TSU). Segundo o estudo do Governo e do Banco de Portugal, os serviços financeiros e seguros serão os sectores cujos custos directos e indirectos com remunerações mais vão descer.

Sem contar com a Administração Pública, e o já referido sector financeiro, os serviços de apoio prestados às empresas, o comércio de reparação de automóveis e motas, bem como os serviços administrativos prestados às empresas, serão os que mais ganharão com a medida.



via: DN.

08 agosto 2011

ETT's florescem na Galiza graças a um mercado laboral altamente precarizado

O aumento do número de trabalhadores e trabalhadoras contratadas na Galiza por Empresas de Trabalho Temporário (ETT) entre janeiro e abril deste ano certifica um modelo de mercado laboral cada vez mais precarizado. Concretamente, o aumento de contratos via ETT foi de 26.145, o que supom mais 9,37% do que no período anteriormente medido.

Estes dados completam os relativos à queda do desemprego no verão, devida à ocupação no setor serviços, de qualquer maneira, a redução estacional do desemprego foi menor neste verão em relação ao anterior, apesar das reformas neoliberais e da precarização crescente do mercado laboral galego imposta polos diferentes governos.

Via Diário Liberdade.

06 agosto 2011

ILEGALIDADE LABORAL NA PARFOIS

A situação de ilegalidade laboral na Parfois, denunciada pelo FERVE e pelos Precários Inflexíveis no início da semana, chegou agora ao jornal i.

Recordamos que foi entretanto criado um grupo de denúncia no Facebook designado Loja Parfois Escraviza Trabalhadores.

05 agosto 2011

COBRANÇA DE DÍVIDAS - MOVIMENTOS REUNIRAM ONTEM COM PS. CDS E PSD NÃO RESPONDERAM



Depois das reuniões com o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP), os movimentos Precários Inflexíveis, FERVE-Fartos/as d'Estes Recibos Verdes e a Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e Audiovisual, reuniram-se ontem com o Grupo Parlamentar do Partido Socialista (PS), na Assembleia da República.

Nesta reunião transmitimos a urgência de que o poder político, também através dos grupos parlamentares, responda às cerca de 50.000 pessoas, na sua maioria trabalhadores precários e com baixos rendimentos, que poderão ser alvo iminente de processos de penhora - contas bancárias, casas ou outros bens - para pagamento das dívidas à Segurança Social. As dívidas de cada trabalhador poderão rondar os 5.000€ em média, segundo dados que nos chegam dos próprios trabalhadores.

Estes processos executivos decorrem sem critérios ou justiça, pois o Ministério da Solidariedade e Segurança Social, bem como Pedro Mota Soares, prefere ignorar a forma como as dívidas foram contraídas. Como sempre, as responsabilidades recaem essencialmente sobre os trabalhadores a (falsos) recibos verdes, tal como confirma o documento público divulgado pelo governo (disponível aqui), enquanto as entidades empregadoras incumpridoras saem impunes após sucessivos atropelos à lei. Sublinhámos mais uma vez, perante o PS, que defendemos o pagamento integral de todas as dívidas, porque só dessa forma poderemos conseguir uma Segurança Social inclusiva e abrangente, de todos para todos os cidadãos. Mas para isso as entidades empregadoras, que usam e abusam da exploração ilegal por falsos recibos verdes, terão de ser chamadas a pagar a sua parte das contribuições para a Segurança Social, bem como a repor os direitos subtraídos aos trabalhadores devido à falta de contrato de trabalho (contribuições para a Segurança Social, subsídios de férias e Natal, apoio na doença e na paternidade, etc).


Apesar do Ministro Pedro Mota Soares ter veiculado através da imprensa que reunirá com os movimentos de trabalhadores precários até ao final do mês, ainda não recebemos qualquer resposta ou contacto que confirme essa intenção.

Aguardamos também as respostas dos Grupos Parlamentares do PSD e do CDS-PP, partidos que formam a coligação de governo e que portanto têm responsabilidades acrescidas neste processo.

Com esta situação perdem os trabalhadores e perde a Segurança Social.



Precários Inflexíveis
FERVE – Fartos/as d’Estes Recibos Verdes
Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual

04 agosto 2011

SEGURANÇA SOCIAL PREPARA-SE PARA PENHORAR BENS A TRABALHADORAS/ES A RECIBOS VERDES



Reportagem da RTP sobre a cobrança de dívidas que a Segurança Social está a levar a cabo junto de milhares de trabalhadoras/es a recibos verdes.

Rui Maia, dos Precários Inflexíveis, dá voz aos movimentos de precárias/os: exigimos que sejam verificadas as condições em que as dívidas foram contraídas e, sendo em situação de falso recibo verde, a entidade contratante deve ser chamada à responsabilidade, algo que já solicitamos desde que promovemos a petição "Antes da Dívida Temos Direitos".

Na sequência desta cobrança cega de dívidas solicitámos uma reunião de urgência a Pedro Mota Soares (Ministro da Segurança Social) e aos partidos com assento parlamentar. Fomos recebidos pelo BE, PCP e PS. Aguardamos resposta do PSD e CDS.

PENHORAS AOS RECIBOS VERDES: GOVERNO AMEAÇA 50 MIL PESSOAS


A dívida dos trabalhadores a recibos verdes à Segurança Social ronda os 500 milhões de euros. O Governo já conseguiu acordo para recuperar 250 milhões. A restante verba abrange cerca de 50 mil trabalhadores, que devem ao Estado uma média de 5 mil euros cada, encontrando-se com os bens e as contas bancárias sob ameaça de penhora.

"Os bons resultados na recuperação da dívida nos últimos anos e, no último semestre, em particular, têm, em parte resultado da cobrança coerciva de dívida de trabalhadores independentes, cujas participações foram, até ao final do primeiro semestre, na ordem de 500 milhões de dívida", lê-se numa carta, a que o CM teve acesso, enviada pelo gabinete do ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, em resposta ao grupo parlamentar do Bloco de Esquerda.

Os movimentos de trabalhadores precários manifestaram ontem grande preocupação com a intenção do Executivo em cobrar os restantes 250 milhões de euros "rapidamente", na certeza de que "o Governo se prepara para dar instruções para que o Instituto da Segurança Social avance com penhoras de bens e contas bancárias".

Sobre esta matéria, fonte ministerial adiantou ao CM: "Vamos accionar todos os mecanismos necessários para recuperar essa verba", recusando, desta forma, a possibilidade de o Governo vir a seguir a sugestão dos bloquistas para que a dívida em causa seja perdoada. "Esta cobrança é um compromisso com a troika", sublinhou.


Notícia na íntegra no Correio da Manhã

PENHORAS DA SEGURANÇA SOCIAL: MOVIMENTOS REÚNEM HOJE COM PS

Depois das reuniões com o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP), os movimentos Precários Inflexíveis, FERVE-Fartos/as d'Estes Recibos Verdes e a Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e Audiovisual, irão reunir hoje com o Grupo Parlamentar do Partido Socialista (PS) pelas 18h30m na Assembleia da República.

Estas reuniões decorrerem na sequência do pedido de audiência urgente, tendo em conta a operação em curso para recuperação coerciva de dívidas pelos serviços da Segurança Social. Com a possibilidade de, durante o segundo semestre de 2011, mais de 50.000 pessoas serem alvo de penhoras (contas bancárias, casas ou outros bens) através de processos de cobrança coerciva, sem critérios ou justiça, o Ministério da Solidariedade e Segurança Social, bem como Pedro Mota Soares, ignora premeditadamente a forma como as dívidas foram contraídas. Como sempre, as responsabilidades recaem essencialmente sobre os trabalhadores a (falsos) recibos verdes, tal como indica o documento público divulgado pelo governo, enquanto os patrões saem impunes após sucessivos atropelos à lei.

Aguardamos ainda as respostas dos Grupos Parlamentares do PSD e do CDS-PP, partidos que formam a coligação de governo e que portanto têm responsabilidades acrescidas neste processo. Salientamos a injustiça perante os trabalhadores a falsos recibos verdes sobre os quais se multiplica a injustiça de terem estado vários anos em situações de baixos salários, falta de direitos laborais e com a quase completa ausência de direitos perante a Segurança Social, uma vez que os empregadores não cumprem a lei nem contribuem com a sua parte para a Segurança Social, saindo desta situação em total impunidade. Com esta situação perdem os trabalhadores e perde a Segurança Social.

O Ministro da Solidariedade e Segurança Social (MSSS) - Pedro Mota Soares - a quem os movimentos solicitaram uma reunião urgente, mantém-se em silêncio perante a dramática situação de milhares de pessoas.

03 agosto 2011

PARFOIS COMETE ILEGALIDADES LABORAIS


O FERVE recebeu uma denúncia, que apresentamos de seguida, referindo diversas ilegalidades e abusos laborais nas lojas Parfois.

Entretanto, foi criada uma página de denúncia no Facebook designada "Loja Parfois escraviza trabalhadores" que podem consultar aqui.

"Dia 19 de Julho de 2011, uma loja PARFOIS do Centro Comercial Colombo, em Lisboa, admitiu uma funcionária a qual, por imposição ditatorial da gerente, desempenhou funções por 8 dias consecutivos (19 a 26 de Julho), no âmbito dos quais trabalhou perto de 80 horas. Por exemplo, a 22 de Julho, trabalhou das 15h às 4 horas da manhã do dia seguinte, unicamente com uma hora de intervalo para comer. As idas à casa de banho são sinalizadas com o cartão de ponto. Quando, a 28 de Julho, a funcionária exigiu o cumprimento da lei e o fim do arbítrio passou a ser alvo de terror psicológico por parte da gerente da loja."

DÍVIDAS À SEGURANÇA SOCIAL: MOVIMENTOS REUNIRAM COM BE E PCP

Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português afirmam-se empenhados em soluções

Os movimentos de trabalhadores precários reuniram no parlamento, entre ontem e hoje, com o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP). Estas reuniões decorreram na sequência do pedido de audiência urgente, tendo em conta a operação em curso, generalizada e sem critérios, de cobrança de dívidas pela Segurança Social aos trabalhadores a recibos verdes. Destes encontros trazemos o compromisso, tanto do BE como do PCP, do seu empenho na defesa de soluções que tenham em conta a situação destes trabalhadores. Aguardamos as respostas dos restantes Grupos Parlamentares.

Registamos o incompreensível silêncio do Ministro da Solidariedade e Segurança Social (MTSS) - Pedro Mota Soares - perante uma situação da maior gravidade para milhares de pessoas e a quem os movimentos solicitaram reunião.

Mas observando a resposta do senhor Ministro a uma pergunta recente do grupo parlamentar do BE sobre o mesmo assunto, percebemos que o Governo insiste em avançar com a cobrança cega e injusta. Segundo a carta, que pode ser lida aqui, o valor total em dívida aos trabalhadores a recibos verdes notificados ronda os 500 milhões de euros, havendo acordos para pagamento de cerca de metade desse montante. O MTSS afirma a intenção de cobrar rapidamente os restantes cerca de 250 milhões de euros. Admitindo uma média de 5 mil euros de valor em dívida por trabalhador, conclui-se que o Governo se prepara para dar instruções para que o Instituto da Segurança Social avance com penhoras de bens e contas bancárias a cerca de 50 mil trabalhadores a recibos verdes.

O Governo aposta no silêncio, no medo e no isolamento destes trabalhadores. A esmagadora maioria das pessoas agora confrontadas com esta situação é vítima e não culpada da acumulação de dívidas à Segurança Social. Durante anos, sem acesso ao contrato de trabalho e aos direitos mínimos, foram forçadas a contribuir para a Segurança Social sem a devida co-responsabilização das entidades empregadoras. Quase sempre com baixos salários e passando dificuldades, muitas vezes confrontadas com a falta de informação, são agora, muitas vezes com as suas famílias, friamente confrontadas com uma factura injusta e cega.

Hoje, defendemos com reforçada legitimidade a implementação de um procedimento simples e obrigatório que, precedendo à cobrança das dívidas, detecte as situações que correspondem a falsos recibos verdes, responsabilizando as entidades empregadoras que, com grande prejuízo para os trabalhadores e para a Segurança Social, fugiram às suas obrigações contributivas.

A sociedade compreende hoje, perante a urgência, que inevitavelmente algum governo terá de cumprir o objectivo de recuperar os montantes em dívida, não comprometendo direitos, e parando finalmente a legitimidade de facto de ilegalidades gritantes com décadas de persistência, que têm tido o olhar parceiro dos sucessivos governos. Esta situação exige soluções concretas, num prazo compatível com as vidas de milhares de pessoas.

Prosseguimos o trabalho continuado de informação e contacto, para romper o isolamento destes trabalhadores e os mobilizar para soluções colectivas – não cessam de chegar diariamente relatos desesperados, pedindo informação e apoio. Daí que, além das sessões públicas que temos realizado em vários pontos do país, disponibilizámos também respostas às perguntas mais frequentes para quem foi notificado para pagamento de dívida à Segurança Social. E estamos obviamente comprometidos com a exigência colectiva que reconheça os direitos antes de cobrar cega e injustamente dívidas.


Precários Inflexíveis
FERVE – Fartos/as d’Estes Recibos Verdes
Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual

PETIÇÃO DE SOLIDARIEDADE COM AS VÍTIMAS DOS ATENTADOS NA NORUEGA


Foi lançada hoje uma petição de solidariedade com as vítimas dos atentados na Noruega, promovida por várias organizações: Artigo 21.º, Associação 25 de Abril, Associação Abril, Associação República e Laicidade, ATTAC Portugal, Bloco de Esquerda, Convergência e Alternativa, Crioulidades - Arte e Cultura na Diáspora, FERVE, M12M, Movimento Escola Pública, Não Apaguem a Memória, Opus Gay, Panteras Rosa, PES Portugal, Portugal Uncut, Precários Inflexíveis, Rainbow Rose Portugal, Renovação Comunista, SPGL, UMAR, Vidas Alternativas.


A petição pode ser assinada aqui.

Será dado conhecimento da iniciativa a várias organizações sociais norueguesas.


Texto da Petição

Solidariedade com a Noruega :: Solidarity with Norway

Acompanhámos, num misto de choque, fúria e profunda tristeza, o horror que aconteceu em Oslo e Utoya no dia 22 de Julho. Antes de mais, pensamos, obviamente, nas vítimas, famílias, amigos e camaradas. Aceitem as nossas mais sentidas condolências e solidariedade.
Enquanto activistas de diferentes movimentos sociais e políticos portugueses, estendemos as nossas condolências à Liga dos Jovens Trabalhistas e também ao povo norueguês. E ainda a todos aqueles que, como nós, na Europa e no resto do mundo, compreendem a ameaça representada por ideologias racistas, xenófobas e fascistas, sobretudo quando encontram eco nos discursos e crenças políticas que nos entram pelas casas dentro todos os dias.
Quando se vota no ódio e na exclusão, quando líderes políticos põem em causa os valores do multiculturalismo, quando as minorias são transformadas em bodes expiatórios para os erros de sistemas políticos que promovem a exclusão e a discriminação, o ódio passa a ser aceite na política. E as armas precisarão sempre do ódio como munição.
Podia ter sido qualquer um de nós. Por isso, a maior homenagem que podemos prestar a todos os que morreram, ficaram feridos ou perderam entes queridos é o nosso compromisso com a luta pelo respeito, diversidade, justiça e paz e por uma sociedade verdadeiramente democrática e inclusiva. Responderemos com mais democracia.

We followed, in shock, anger and deep sadness the horrendous events in Oslo and Utoya on the 22nd of July. Our first thoughts are towards the victims, their family, friends and comrades. Please accept out heartfelt condolences and solidarity.
As activists from different social and political movements in Portugal, we extend our condolences to the AUF, but also to the people of Norway. And towards all of us in Europe and the rest of the world who understand and aknowledge the threat posed by racist, xenophobic, fascist ideologies, too frequently endorsed by mainstream political discourses and beliefs everywhere.
When people vote for hate and exclusion, when political leaders question multicultural values, when minorities are chosen as scapegoats for the failures of political systems aimed at exclusion and discrimination, hate has been accepted into mainstream politics. And guns will always need hate as ammunition.
It could have been any of us, political activists whose biggest tribute to those who perished, sustained injuries or have lost loved ones is our pledge to keep on struggling for respect, diversity, justice, peace and a truly democratic and inclusive society. We will answer with more democracy.

02 agosto 2011

DÍVIDAS À SEGURANÇA SOCIAL: MOVIMENTOS REUNEM COM BE e PCP

O Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP) responderam afirmativamente ao pedido dos movimentos de trabalhadores precários, que solicitaram reuniões com carácter de urgência a propósito do processo acelerado de recuperação de dívidas à Segurança Social aos trabalhadores a recibos verdes. Os encontros terão lugar na Assembleia da República: hoje, dia 2, pelas 18h30 com o BE; e amanhã, dia 3, pelas 12h45 com o PCP.

Os pedidos de encontro com todos os Grupos Parlamentares surgiram na sequência do silêncio de Pedro Mota Soares. O Ministro da Solidariedade e Segurança Social ignorou o pedido de reunião urgente, recusando uma audiência sobre um assunto que está a afectar de forma muito profunda a vida muitos milhares de pessoas.

Recordamos que foram notificados nos últimos meses milhares de trabalhadores a recibos verdes. A Segurança Social está assim a proceder a uma mega-operação de recuperação de dívidas, correspondentes a contribuições em falta, mas sem ter em conta a forma injusta como estas dívidas foram contraídas Hoje, defendemos com reforçada legitimidade a implementação de um procedimento simples e obrigatório que, precedendo à cobrança das dívidas, detecte as situações que correspondem a falsos recibos verdes, responsabilizando as entidades empregadoras que, com grande prejuízo para os trabalhadores e para a Segurança Social, fugiram às suas obrigações contributivas.

Depois de décadas em que a impunidade das empresas incumpridoras impediu o reconhecimento de vários direitos básicos, os trabalhadores não podem ser novamente penalizados, agora forçados a pagar isoladamente uma factura que só existe porque foram negados contratos de trabalho e todos os direitos.
Esperamos que estas reuniões possam contribuir para encontrar soluções para a situação desesperada e injusta que milhares de trabalhadores estão a enfrentar. Esperamos ainda que os restantes Grupos Parlamentares demonstrem a sua disponibilidade com a brevidade que o assunto reclama. Os diversos responsáveis – Goveno, partidos políticos e os próprios serviços da Segurança Social – não podem fingir que esta situação não está a acontecer. Consideramos que estão obrigados a encontrar soluções e não aceitamos que o silêncio e a indiferença substituam a responsabilidade.

www.antesdadividatemosdireitos.org

Precários Inflexíveis
FERVE – Fartos/as d’Estes Recibos Verdes
Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual

31 julho 2011

ENTREVISTA DE CARVALHO DA SILVA


A seis meses de abandonar a direcção da CGTP, Manuel Carvalho da Silva está preocupado com uma eventual regressão social na sociedade portuguesa. Admite que os sindicatos têm debilidades que os impedem de ter uma capacidade de resposta imediata, lamenta a falta de respostas à esquerda e diz que o Governo tomou o comando do ataque aos direitos laborais.


Em que grau de gravidade classifica este pacote laboral, face aos outros por que passou?
É o mais grave de todos. Incontestavelmente.

Porquê?
Pelo conteúdo concreto que está a começar a ser desenvolvido. Neste momento, ainda não é perceptível tudo o que vai ser mexido na legislação laboral. Há apenas um conjunto de indicações e surgiu este diploma relativo às indemnizações no despedimento. Vão surgir outros. Mas por aquilo que está delineado do ponto de vista conceptual e pelo facto de esta regressão na legislação laboral, nos direitos laborais – e vamos ver se sindicais – se articular com um retrocesso social muito profundo. Isto fragiliza duplamente o trabalho.

Não nos esqueçamos que os direitos do trabalho foram ancoradouro da conquista de direitos sociais fundamentais. A fragilização de uns e de outros terá na sociedade um impacto regressivo fortíssimo do ponto de vista civilizacional. Não se pode desligar as alterações do contexto

Qual é a coisa mais grave que se pode perder?
A primeira é a nível do valor do trabalho e do conceito de emprego. Acho que esse é o maior problema. Escrevi um artigo que saiu no sábado que tem por título Regressão social, não. E digo – e é uma das coisas que penso convictamente – que um dos compromissos fundamentais, se não o fundamental no momento presente, era o de mobilizar a sociedade de forma muito ampla para se evitar a regressão social.

Pertenço a uma geração que começou a ter consciência daquilo que se passava no final dos anos 50 e lembro-me da sociedade em que vivi. Tenho a felicidade de, quando faço uma reflexão, ver o tanto que nós avançámos. E o que vemos nesses anos 50, num Portugal que era pobre, que era rural? Vê-se uma fragilidade de condições sociais chocante. Uma falta profundíssima de trabalho, havia pouco emprego, pouco trabalho valorizado. Existia muito trabalho: as pessoas trabalhavam imenso para subsistir. Não havia infra-estruturas, nem nas casas das pessoas, nem nas aldeias, nem nas vilas. Havia uma situação que levou muitos dos meus companheiros de escola – para fugir a essa tristeza, a essa limitação – a emigrar.

Hoje, quando vemos aumentar as inseguranças e as instabilidades de emprego, e simultaneamente haver toda uma política que induz rupturas de solidariedades entre gerações, entre trabalhadores qualificados e menos qualificados, estratos diferentes da sociedade – há um trabalhar político de rupturas de solidariedades que tornam muito mais frágil a estruturação de um funcionamento equilibrado do ponto de vista social – temos que ficar preocupados. E no centro de tudo isto está o trabalho.

Se me pergunta qual o aspecto mais preocupante, digo que é o aumento das inseguranças e das instabilidades no trabalho e a proliferação do desemprego e a ausência de alternativas. Por isso, insisto muito na ideia de que as políticas que nos estão a ser apresentadas têm este traço – o Governo em reuniões directas reconhece-o e já o fez em intervenções públicas. Nós temos pela frente dois anos e meio de sacrifícios duros – a expressão é do próprio Governo – em que não vai ser vista a luz ao fundo do túnel. Vamos ter mais recessão económica, mais desemprego, mais desigualdades, mais pobreza e, ao mesmo tempo, mais agravamento da nossa dívida. Porque se não crescermos, agrava-se a dívida.

Mas há um outro elemento. Temos tido um aumento grande da emigração – jovens e a que se tem juntado trabalhadores muito qualificados em áreas diversas, como construção e obras públicas. E se se mantiver o ritmo dos últimos dois a três anos, num período de oito anos teremos a saída do país de meio milhão de portugueses. E essencialmente jovens. Isto coloca o país numa situação de enorme debilidade para responder aos desafios futuros.

O Governo diz: não, estes sacrifícios são essenciais, agora a prioridade é as contas públicas. E depois vamos ter crescimento. Ora, a questão coloca-se: de que patamar vamos partir para esse crescimento e em que condições sociais de distribuição da riqueza, em que quadro de condições da nossa estrutura económica, qual o quadro de capacidades do Estado, etc.

Para culminar, há uma questão que nos parece essencial: é cada vez mais claro – aqui e na UE – de que só há um caminho para a ortodoxia neoliberal se manter dominante e aumentar a sua permanência no poder. Esse caminho passa pela regressão social e civilizacional. Se não houver essa regressão, o fundamentalismo neoliberal entra em situação de contradição profunda.

Só é possível a continuação e o aprofundamento de políticas de cariz liberal, duro – a que vamos assistir – se houver uma dinâmica política que faça a regressão social, quebre expectativa de esperança e de futuro dos portugueses.

Para fechar, vai estar na CGTP até quando?
Está redito. O congresso é a 27/28 de Janeiro. São poucos meses em que procurarei cumprir as minhas obrigações de ser dirigente activo.

Está a trabalhar na área universitária.
Sim e noutras conexas. No outro dia, alguém fazia uma crítica. Se uma pessoa não dá atenção a outros espaços na sociedade – para lá do mero e difícil exercício da função sindical – aqui d’el-rei que não tem ligações com a sociedade. Dá-me um certo gozo olhar para isto, porque desde 1994 me dediquei a fazer formação sem nunca diminuir a actividade sindical e saiu-me do pêlo – tive sorte, porque a natureza deu-me uma capacidade significativa que me permitiu fazê-lo – mas desde relacionar-me com outras gerações até intervir na sociedade por razões diversas, gasto horas e horas a preparar intervenções em conferências, em seminários, onde – em regra – a retribuição é zero. Mas dá-me horas e horas de trabalho. É preciso pensar nas coisas.

Faço imenso trabalho voluntário. Agora, sou um ser humano com direito a viver, para lá do tempo de sindicalista, e portanto preciso de desenvolver outras actividades. Preciso de contribuir para o orçamento familiar. Tenho uma filha pequena a que tenho de dar maior atenção. Ainda ontem, o meu filho mais velho jantou comigo e deixou-me o recado: “Pai, ela está a ficar grande, mas não te iludas. Olha que ela só tem oito anos. Tens muito ainda a fazer.”

Portanto, tenho de trabalhar. Não sei onde vou trabalhar do ponto de vista geral. Primeiro, porque ando na acção. Em relação ao centro de estudos sociais de Coimbra, estive na discussão dos estatutos – há dois anos – e na reformulação do funcionamento das universidades e depois engajaram-me e, com todo o gosto, ajudei à criação do pólo de Lisboa do CES de Coimbra. Outros fazem-me desafios e a gente vai-se metendo e vai trabalhando. Não ia ficar à espera do dia 28 de Janeiro e dizer: “Hoje é que...” A vida não é assim. Tem os seus tempos. E portanto desde meados deste ano assumi um conjunto de outras tarefas numa fase de passagem.

Mas sempre no meio universitário.
Para já, sim. Mas eu costumo dizer que o meio universitário não se alheia, muito pelo contrário, em particular de um pronunciamento, de uma intervenção sociopolítica. De uma análise dos problemas da sociedade e de intervir.

E imagina-se um dia ser candidato à Presidência da República?
Neste momento, tenho que me imaginar a ser membro responsável da família a que pertenço. O que já dá muito trabalho. Sei lá o que vou ser. O que digo é que tenho direitos iguais a qualquer cidadão da minha idade. Ou a qualquer cidadão.

Entrevista na íntegra no jornal Público.

29 julho 2011

SEGURANÇA SOCIAL NOTIFICA RECIBOS VERDES A PAGAREM 500 MILHÕES


No primeiro semestre deste ano, a Previdência recuperou 240 milhões. Nos próximos seis meses o alvo são os profissionais independentes.

A Segurança Social notificou trabalhadores independentes com contribuições em atraso a pagarem 500 milhões de euros durante o segundo semestre do ano. O objectivo é que estes contribuintes se voluntariem para aderir a planos de pagamento em prestações, que podem estender-se por 120 meses. (Notícia do Jornal de Negócios)

Recorde-se que, no dia 13 de Julho, os movimentos de precárias/os FERVE, Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual e Precários Inflexíveis solicitaram uma reunião urgente a Pedro Mora Soares, ministro da Segurança Social, precisamente por causa desta situação. Até ao momento, ainda não obtivemos resposta.

HOJE, NINGUÉM PASSA RECIBOS VERDES ELECTRÓNICOS...


O sistema do portal das Finanças que permite passar recibos verdes eletrónicos está em baixo.

"Por motivos de ordem técnica não nos é possível responder ao seu pedido", é a mensagem que aparece quando o utilizador tenta aceder aos recibos verdes eletrónicos.

O Expresso pediu uma justificação ao Ministério das Finanças, mas até à hora de publicação desta notícia ainda não tinha obtido resposta.

Mais Informações sobre os recibos verdes electrónicos podem ser obtidas aqui.

Notícia na íntegra no Expresso.

26 julho 2011

PEDRO MOTA SOARES AINDA EM SILÊNCIO


Movimentos pedem reunião urgente a todos os grupos parlamentares

26 de Julho de 2011

Os movimentos de trabalhadores precários solicitaram no passado dia 13 de Julho uma reunião com carácter de urgência ao Ministro da Solidariedade e da Segurança Social. Em causa está a situação dramática vivida por milhares de trabalhadores a recibos verdes, em resultado da notificação pela Segurança Social para pagamento de dívidas, que, em alguns casos, já avançou para a aplicação de procedimentos de cobrança coerciva (penhoras de contas bancárias e bens, nomeadamente).

Apesar do exposto, o Ministro Pedro Mota Soares desprezou o apelo e não respondeu aos movimentos de trabalhadores precários nem deu qualquer sinal no sentido de querer encontrar soluções justas para este problema. Esta situação não deixará de existir apenas porque é oportunamente ignorada pelo senhor Ministro, nem os milhares de pessoas confrontadas com ela podem esperar mais por uma solução justa, porque para muitos, o que se coloca já hoje, é uma questão de sobrevivência, sua ou até do seu agregado familiar, por vezes incluindo crianças e idosos. Desta forma, os movimentos de trabalhadores precários, que continuam a receber inúmeros pedidos de ajuda e relatos desesperados, decidiram agora solicitar reuniões urgentes com todos os grupos parlamentares.

STIGLITZ, NOBEL DA ECONOMIA, DISCURSA EM ENCONTRO DE PRECÁRIAS/OS



O primeiro encontro do movimento espanhol 15-M, que dá voz aos trabalhadores precários espanhóis e aos indignados contra a crise, contou com a visita surpresa do economista Joseph Sitglitz. O Prémio Nobel da Economia falou da necessidade de os governos regularem os mercados.

Sitglitz manifestou a sua simpatia para com a “energia” do movimento 15-M e defendeu a necessidade de uma maior regulação dos mercados. “A crise económica mostrou que os problemas actuais do capitalismo com mercados sem regulação. A experiência das três últimas décadas demonstra a necessidade de os governos terem um papel importante na regulação dos mercados”, afirmou o Nobel, citado pelo “El País”.

Num discurso de 12 minutos, partilhado com o seu tradutor, o economista deixou um desejo à plateia: “vejo aqui uma energia reconfortante, espero que a useis de forma construtiva. Não se podem substituir as más ideias pela ausência de ideias. Temos é que trocá-las por boas ideias”.

Sitglitz defendeu que se tem que lutar para que as boas ideias “entrem no debate público”, o que exige “organização e liderança”. “Vai ser uma luta difícil porque as más ideias estão instaladas no discurso económico dominante, mas agora temos uma grande oportunidade para associar a ciência económica com o compromisso de justiça social e conseguir uma nova economia. Desejo-vos a melhor sorte”, afirmou na despedida.

Notícia na íntegra no
Jornal de Negócios.

25 julho 2011

LEI CONTRA A PRECARIEDADE: CONTAMOS CONTIGO!

A "Lei Contra a Precariedade" esteve este fim-de-semana no Festival de Músicas do Mundo, em Sines.


São necessárias 35 mil assinaturas para que esta Iniciativa Legislativa de Cidadãs/ãos, designada 'Lei Contra a Precariedade" seja entregue na Assembleia da República.


Já temos mais de 10 mil assinaturas mas falta-nos a tua!


Se ainda não assinaste, vê aqui como o podes fazer!


CONTAMOS CONTIGO!

22 julho 2011

MEDIDAS DO XIX GOVERNO: isentar os dividendos e pôr o trabalho a pagar

Se o Governo incluísse os dividendos, obteria uma receita de 256 milhões de euros, mais do que os pensionistas e os trabalhadores independentes terão de pagar.

Incluir os dividendos distribuídos pelas empresas no perímetro do novo impostos extraordinário permitira ao Governo arrecadar uma receita superior aquela que estima conseguir com os rendimentos dos pensionistas e dos trabalhadores independentes.

Segundo os números do Banco de Portugal, em 2010 foram distribuídos 7,3 mil milhões de euros de dividendos em Portugal. A aplicação de uma taxa de 3,5% sobre este montante representaria uma receita de 256 milhões de euros para o Estado (0,15% do PIB).


Os pensionistas vão contribuir com 25% da receita da sobretaxa de IRS, ou seja, 210 milhões de euros, enquanto os trabalhadores independentes e rendimentos prediais pagarão 185 milhões de euros. Os trabalhadores por conta de outrem contribuem com a parte de leão do imposto - 630 milhões de euros.

Notícia no Diário de Notícias

21 julho 2011

CES/COIMBRA PROMOVE CURSO DE FORMAÇÃO AVANÇADA


O Centro de estudos Socias (CES) da Universidade de Coimbra promove um curso de formação avançada designado “A Crise do Trabalho: instituições, políticas e movimentos”, que decorrerá nos dias 9, 10, 16 e 17 de Setembro de 2011, nas instalações do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra – Laboratório Associado, em Lisboa (Picoas Plaza, Rua do Viriato 13, Lj 117/118).

Numa altura em que os mercados de trabalho em geral e o português em especial são atravessados por inúmeras transformações, quase todas apontando para sinais de perturbação das relações laborais, este curso pretende tratar, sob diversas perspectivas (académicas, institucionais, sindicais, etc.), os impactos da crise do trabalho no domínio das suas instituições, políticas e movimentos.

Este curso tem como formadores/as Alan Stoleroff, Elísio Estanque, Francisco Madelino, Giovanni Alves, Hermes Augusto Costa, Ilona Kovács, Vítor Coelho, Jorge Leite, José Maria Castro Caldas, Manuel Carvalho da Silva, Maria da Paz Campos Lima, Paulo Pedroso, Sara Falcão Casaca.

Trata-se de uma actividade dirigida a membros de associações, dirigentes empresariais e sindicais, agentes da concertação social; quadros do IEFP, gestores de recursos humanos, activistas sindicais, estudantes ou cientistas sociais, entre outros, programada no âmbito do POSTRADE/Núcleo das Políticas Sociais, Trabalho e Desigualdades do CES. Conta com a coordenação de Elísio Estanque, Hermes Augusto Costa e Manuel Carvalho da Silva.

Mais informações podem ser obtidas aqui.

20 julho 2011

MEDIDAS DO XIX GOVERNO: redução das indemnizações por despedimento



O governo aprova hoje em Conselho de Ministros o diploma que reduz as indemnizações por despedimento: um trabalhador que seja despedido vai passar a ter direito 20 dias de indemnização por cada ano de trabalho na empresa, em vez dos actuais 30. E no máximo só vão contar 12 meses.

As novas regras das indemnizações deverão entrar em vigor a partir de Setembro e aplicam-se aos novos contratos. Mas as mexidas no Código de Trabalho não ficam por aqui. Terminada esta primeira fase, o governo atacará já em Agosto o segundo pacote legislativo que vai alterar as regras dos novos contratos: será mais fácil contratar, mas também despedir.


O secretário de Estado do Emprego, Pedro Martins, considera que o desemprego não vai diminuir por via da recuperação económica. Pedro Martins terá mesmo dito que as reformas laborais "avançam com ou sem o acordo da concertação social".

Notícia na íntegra no
jornal i