FERVE - Fartas/os d'Estes Recibos Verdes. Este é o blogue de um grupo de trabalho que pretende atuar em duas vertentes: 1) denunciar a utilização dos falsos recibos verdes; 2) promover um espaço de debate que promova a mudança
31 maio 2010
Vídeo da Manifestação Nacional
FERVE, Precários/as Inflexíveis, Professores/as das Actividades de Enriquecimento Curricular, Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual foram alguns dos movimentos de precários/as que estiveram presentes na Grande Manifestação Nacional de 29 de Maio, convocada pela CGTP e que juntou cerca de 300 mil pessoas!
Vídeo dos Precários Inflexíveis.
30 maio 2010
Testemunho: O outro lado do PEPAC (estágios na administração pública)

Com efeito, os candidatos concorreram por distrito, a um ou mais distritos, e não a entidades em concreto, podendo, na prática, tal como sucedeu com muitos, ser notificados, em simultâneo ou sucessivamente, para aceitar estágios em diferentes entidades, podendo assim escolher aquela que
mais lhes convinha.
É legítimo que uma pessoa que mora em Aveiro e que foi notificada para aceitar um estágio em Faro, não aceite essa proposta, atento o número de vagas que ainda está por preencher noutras entidades, pois fazendo contas simples, sabe que irá ser notificada para aceitar estágio numa qualquer localidade mais próxima da sua residência.
E de facto, correu bem para muitos, até mesmo para aqueles que, por terem prestado falsas declarações quanto às habilitações detidas ou que omitiram o facto de já terem feito estágios financiados pelo Estado, passaram à frente dos que foram honestos e que, assim, ficaram "de mãos a abanar" e não receberam qualquer "convite"...
E de um momento para o outro, sem qualquer aviso, reduzem o número de estágios que havia sido publicado através de Portaria em Diário da República. Ficamos à espera que os meios de comunicação social documentem devidamente o que se está a passar, ao invés de se limitarem a reproduzir as barbaridades apregoadas pelos nossos (des)governantes...
O problema é que não houve 6000 pessoas notificadas, houve 6000 notificações. Ou seja, como é óbvio houve pessoas que foram notificadas para mais de uma instituição e optaram por uma delas, recusando as outras.
Chega de mentiras, chega de atirar areia para os olhos das pessoas.
Chega de distorcer os factos.
Esta bandalheira tem de acabar.
25 maio 2010
TODAS/OS À MANIFESTAÇÃO NACIONAL

Porque somos trabalhadoras/es;
Porque somos mais de dois milhões de precárias/os;
Porque somos 900 mil falsos recibos verdes;
Porque somos bolseiras/os de investigação científica;
Porque somos intermitentes do espectáculo e do audiovisual;
Porque trabalhamos com contratos a prazo;
Porque trabalhamos para Empresas de Trabalho Temporário (ETT's);
Porque somos estagiárias/os;
Porque somos obrigadas/os a trabalhar gratuitamente através dos Contratos Emprego Inserção;
Porque somos mais de 600 mil desempregadas/os.
PORQUE SABEMOS QUE A LUTA VALE A PENA
No dia 29 de Maio, vamos sair à rua e seremos milhares a fazer ouvir a força da nossa voz.
(saída de Metro de Picoas; junto ao edifício da PT)
19 maio 2010
Serralves: ACT confirma existência de falsos recibos verdes

Despedimentos ilegais dos recepcionistas poderiam ter sido evitados
Os movimentos de trabalhadores precários FERVE – Fartos/as d’Estes Recibos Verdes e Precários Inflexíveis tiveram acesso ao esperado relatório da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) sobre a situação dos recepcionistas despedidos pela Fundação de Serralves, depois de coagidos a formar uma empresa após anos a trabalhar para a instituição em regime de recibos verdes.
O relatório é totalmente claro sobre o essencial: como dissemos desde o início, existe uma relação de trabalho que deveria ser mediada por contratos de trabalho, ou seja, trata-se duma situação flagrante de falsos recibos verdes. As conclusões do relatório são inequívocas: os trabalhadores utilizavam as instalações e os instrumentos de trabalho da empresa, tinham um horário definido pela Fundação (tendo mesmo a obrigação de “picar ponto”!), existia uma hierarquia claramente identificável e instruções permanentes para o desenvolvimento do trabalho, a remuneração era dependente do número de horas de trabalho realizado, existindo ainda normas de procedimento estritamente definidas, como a utilização obrigatória de fardas de trabalho.
No procedimento inspectivo realizado pela ACT, os responsáveis da Fundação foram alertados para estes indícios de ilegalidade. Infelizmente, a sua opção foi continuar a ilegalidade que já durava há anos, agravada com a chantagem de despedimento se estes trabalhadores não aceitassem uma solução ainda mais precária que a anterior – a constituição de uma empresa para desenvolver um trabalho claramente subordinado.
No relatório pode ler-se que a Dra. Odete Patrício, Directora-Geral da Fundação, declarou à própria ACT que considerava a remuneração destes trabalhadores uma “mesada”, numa atitude que consideramos ser de displicência e desprezo pelos direitos que está obrigada a respeitar.
A Dra. Cristina Passos, Directora dos Recursos Humanos da Fundação, foi também inquirida pela ACT e confirmou a sua decisão ilegal de despedir os trabalhadores, não reconhecendo o vínculo existente e impondo uma nova prestação de serviços através duma empresa (admitindo, no entanto, que essa empresa deveria beneficiar da experiência dos trabalhadores que há anos desempenhavam as funções de recepcionistas).
Esperamos agora que, finalmente, seja dada a devida sequência às conclusões do relatório, que recomenda o reconhecimento dos contratos de trabalho devidos. No entanto, não podemos deixar de sublinhar a nossa indignação pelo facto de não terem sido evitados os despedimentos ilegais que a Fundação de Serralves insistiu em levar a cabo: este relatório, exemplar pela sua clareza, redigido com base numa inspecção realizada a 4 de Março, tem data de 11 de Março e os trabalhadores foram ilegalmente despedidos a 12 de Abril.
Também grave é o facto de Jorge Dias, dirigente da ACT, ter garantido publicamente, nas vésperas dos despedimentos ilegais, concretamente a 5 de Abril, que o relatório ainda não estava disponível (referindo ainda, erradamente, que a inspecção tinha decorrido a dia 30 de Março…). Aliás, a ACT optou sempre por não divulgar este relatório, mesmo quando solicitado pela própria Assembleia da República.
Fica, pois, totalmente claro o que os movimentos de trabalhadores precários sempre disseram: Serralves despediu ilegalmente estes trabalhadores, depois de impor durante anos uma relação de trabalho através de falsos recibos verdes. Sabemos como foi importante a denúncia pública desta situação, a recusa dos trabalhadores e a mobilização da sociedade civil, nomeadamente as várias dezenas de pessoas que exigiram a Serralves, através duma carta aberta, a regularização desta situação e o reconhecimento dos direitos destes trabalhadores.
Esperamos agora que muito rapidamente a Fundação de Serralves, nomeadamente o seu Conselho de Administração, emende as ilegalidades cometidas e reconheça imediatamente os direitos dos trabalhadores afectados, integrando-os, como é devido, no seu posto de trabalho, com acesso a contratos de trabalho e aos direitos subtraídos durante anos de arbitrariedades.
FERVE – Fartos/as d’Estes Recibos Verdes
Precários Inflexíveis
ACTUALIZAÇÃO (19/05/2010): Na sequência desta denúncia, o Bloco de Esquerda endereçou uma carta aberta à Fundação de Serralves; remeteu também perguntas ao Ministério da Cultura e ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social.
Continuamos a aguardar reacção por parte dos restantes partidos políticos.
15 maio 2010
BRUNA REAL NÃO É UMA PROFESSORA COMO AS OUTRAS...

Bruna Real não é contratada através do concurso nacional de professores, porque o Governo decidiu delegar a gestão das AEC's aos Municípios.
Bruna Real não tem um contrato de trabalho com todos os direitos que lhe são inerentes: tem um contrato precário com a autarquia de Mirandela (desconhecemos se tem contrato de trabalho a prazo ou se trabalha a recibos verdes).
Bruna Real dá aulas no Agrupamento de Escolas de Torre Dona Chama, algures no concelho de Mirandela.
Bruna Real era uma ilustre desconhecida professora das AEC's. Mas ontem, o Jornal de Notícias noticiou que Bruna Real havia posado nua para a revista Playboy portuguesa.
Confrontada com esta notícia e 15 dias após a chegada da revista Playboy às bancas, a Câmara Municipal de Mirandela, por intermédio da vereadora da educação, Maria Gentil Vaz, decide reagir:
a) Bruna Real vai ser colocada num outro serviço, onde não terá contacto com os/as alunos nem com os pais ou mães destes/as;
b) Bruna Real não será contratada no próximo ano.
Por seu turno, o director do Agrupamento de Escolas da Torre de Dona Chama, José Pires Garcia, afirma que "aparecer numa revista sem roupa não é compatível com a função de professora e de educadora".
Ora, o FERVE manifesta-se profundamente perplexo com este caso, considerando que a Câmara Municipal de Mirandela e o Agrupamento de Escolas de Torre Dona Chama estão a agir em total desnorte:
as Câmaras Municipais têm como função contratar os/as professores/as para as AEC's; consideramos que se deveriam preocupar com a legalidade das suas contratações bem como com a qualidade do ensino que é ministrado e que se deveriam abster que tecer considerações morais sobre os/as docentes.
Se há base legal para tal, entregue-se o processo à justiça. Se não há, sigamos em frente, sem despotismos iluminados, moralismos exagerados e atitudes exacerbadas até porque, se esta professora tivesse sido contratada como deveria, através de um concurso nacional de professores/as, nada disto aconteceria!
10 maio 2010
Colaboração em investigação: bolseiros/as e trabalhadores/as das TIC

- das tecnologias de informação (profissionais altamente qualificados);
- bolseiros de investigação científica (que se encontrem nesta situação há vários anos).
É importante que esses trabalhadores se encontrem na zona de Lisboa ou Margem Sul do Tejo, sendo que manifestamos, desde já, a nossa completa disponibilidade para nos deslocarmos até junto dessas pessoas.
Garantimos o anonimato e a confidencialidade. Agradecemos a disponibilidade de quem puder participar.
Poderão contactar a investigadora Ana Guerreiro através do endereço de correio electrónico anaguerreirolatas@gmail.com
08 maio 2010
06 maio 2010
Petição: conclusões da audição na Comissão de Trabalho

Ministra Helena André será interpelada pelo parlamento sobre os problemas dos trabalhadores a recibos verdes
Os movimentos de trabalhadores precários foram ontem recebidos na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública, na Assembleia da República. O motivo foi o cumprimento da audição enquanto organizadores da petição “Recibos Verdes: Antes da Dívida Temos Direitos!”, que, depois da mobilização de mais de 12 mil pessoas, continua o seu percurso de exigência dum verdadeiro combate aos falsos recibos verdes e pela justiça nas contribuições para o sistema de Segurança Social. Um dos resultados da audição foi a decisão de interpelar a sra. Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, Helena André, com as propostas da petição.
Recordamos que, na sequência da entrega da petição a Fevereiro último, após pedidos feitos a todos os grupos parlamentares, os promotores desta petição foram já recebidos pelo CDS/Partido Popular, Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português e Partido Socialista: todas estas forças políticas, sem excepção, confirmaram a pertinência da proposta da petição e se comprometeram com os contributos necessários para encontrar soluções para o problema levantado.
Aliás, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português apresentaram já propostas legislativas que respondem directamente às exigências expressas pela petição, através de dois projectos de resolução (disponíveis aqui e aqui, respectivamente).
Saudamos a existência das duas propostas já conhecidas, que constatando as referidas injustiças, dão o passo que consideramos mais importante: encarar com seriedade o problemas das dívidas à Segurança Social que pendem sobre os trabalhadores independentes, convocando a responsabilidade das entidades empregadoras incumpridoras, não só restabelecendo a capitalização do sistema, mas também reestabelecendo as carreiras contributivas de milhares de trabalhadores que, se nada for feito, estão a ser simplesmente afastados do sistema e dos direitos mínimos no trabalho e na vida.
A audição de ontem foi mais uma oportunidade para clarificar os objectivos dos peticionários e sublinhar a importância do parlamento, através dos contributos dos vários grupos parlamentares, garantir uma solução concreta que enfrente as injustiças que afectam tantos milhares de trabalhadores e trabalhadoras.
Além da relatora da petição, que tem a responsabilidade pelo que relatório que encaminhará a petição para a discussão em plenário, a deputada Margarida Almeida (do Partido Social Democrata), estiveram presentes representantes do Partido Socialista (deputada Maria José Gamboa), do Bloco de Esquerda (deputado José Soeiro) e do Partido Comunista Português (deputado Jorge Machado).
Registamos o renovado clima consensual em torno das exigências da petição, nomeadamente a constatação das injustiças nas contribuições para o sistema de Segurança Social para os trabalhadores que têm que suportar os falsos recibos verdes. Em particular, saudamos a interpelação à Ministra Helena André, proposta pela deputada Maria José Gamboa, que mereceu concordância dos peticionários e de todos deputados presentes.
Esperamos agora pela resposta da sra. Ministra, de quem se espera um posicionamento claro, pela responsabilidade particular que tem na definição de soluções para combater o problema em causa. Não esquecemos a recente operação de recuperação de dívidas levada a cabo pela Segurança Social que, infelizmente, ao congelar as contas bancárias de cerca de 2.100 trabalhadores independentes, não observou a justa exigência da petição – quantas destas pessoas contraíram a dívida numa situação de falso trabalho independente? Porque continuam as entidades empregadoras incumpridoras, que já tanto prejudicaram estes trabalhadores em nome duma poupança ilegal à custa dos seus direitos, dispensadas de assumir as suas responsabilidades?
Os movimentos de trabalhadores precários, apesar da satisfação pela capacidade de mobilização e pelos resultados concretos que já está a ter a petição, sabem que é preciso manter a energia por este combate. Reafirmamos essa vontade e sabemos como ela é essencial para a luta pelos direitos dos trabalhadores a falsos recibos verdes, pelos contratos de trabalho devidos e por uma verdadeira integração no sistema de Segurança Social.
Monumento ao/à Desempregado/a

DESEMPREGADOS PROCURAM-SE!
Baixos, altos, gordos, escanzelados, coxos, efeminados, homo/trans/
Convidamos todos os desempregados,
trabalhadores precários e apoiantes a participar como
estátuas vivas num pedestal para a criação colectiva do
Monumento ao Desempregado do Ano*.
Não damos emprego mas com a participação colectiva pretendemos
problematizar a realidade social, política e económica do nosso país.
ALISTA-TE, o Monumento precisa de ti!
O Monumento realizar-se-á nos dias 4, 5 e 6 de Junho
Para participares nesta performance colectiva e saberes mais informações:
monumentoaodesempregadodoano@
www.
Inscrições até ao dia 25 de Maio de 2010.
*projecto artístico seleccionado no âmbito do Concurso de Projectos Artísticos -
- Serralves em Festa 2010 das artistas/desempregadas/
Andrea Inocêncio e Mariana Bacelar.
05 maio 2010
Petição 'Antes da Dívida Temos Direitos': audição hoje na Comissão de Trabalho

No final da tarde de hoje, dia 5 de Maio, ocorrerá a audição obrigatória aos promotores da petição, na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública, no parlamento.
Os movimentos de trabalhadores precários serão ouvidos no âmbito da tramitação da petição, até à sua discussão em plenário da Assembleia da República.
Será mais uma oportunidade para dar voz ao combate contra os falsos recibos verdes e pela justiça nas contribuições para o sistema de Segurança Social.
A petição "Antes da Dívida Temos Direitos!" continua assim o seu percurso de mobilização, exigindo que seja tida em conta a situação dos trabalhadores independentes relativamente à Segurança Social: as milhares de pessoas que têm de viver com os falsos recibos verdes, prejudicadas por não terem os contratos de trabalho devidos e sem direito a prestações sociais, não podem continuar a suportar sozinhas as contribuições e, em muitos casos, a serem responsabilizadas por dívidas contraídas porque as entidades empregadoras não cumpriram a sua parte.
A petição, subscrita por mais de 12 mil pessoas, está a conseguir cumprir o objectivo de contribuir com soluções concretas para combater estas injustiças, que atingem hoje muitos milhares de pessoas.
Os movimentos de trabalhadores precários que organizaram a petição, depois de solicitarem audiências a todos os grupos parlamentares, foram já recebidos pelo CDS/Partido Popular, Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português e Partido Socialista – de todos estes grupos parlamentares ouvimos garantias e compromissos com as preocupações da petição. Em particular, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português tomaram já a iniciativa de apresentar propostas legislativas concretas (projectos de resolução aqui e aqui) que vão ao encontro das exigências dos peticionários.
04 maio 2010
02 maio 2010
280 euros mês, brutos, a recibos verdes!
O FERVE já denunciou esta situação à Autoridade para as Condições de Trabalho e considera escandalosas a impunidade e falta de pejo que fazem com que propostas ilegais como esta possam ser efectuadas.
De seguida, apresentamos esta proposta na íntegra, que pode também ser lida aqui:
Recepcionista para Health Club junto à Av. da Liberdade
Horário Turno manhã: 20horas semanais - 10h-14h de 2ªf a 6ªf
Horário Turno tarde: 20horas semanais - 18h-22h de 2ªf a 5ªf e das 8h30-12h30 ao Sáb
Condições: recibos verdes; 280€ + usufruto das instalações
disponibilidade imediata, pontualidade, sentido de responsabilidade, facilidade de relação com o público, conhecimentos de informática na óptica do utilizador
preferência a pessoas isentas de Seg Social (1º ano de recibos verdes) ou que façam a contribuição via outra entidade patronal.
MayDay 2010
O FERVE - Fartos/as d'Estes Recibos Verdes esteve presente no MayDay do Porto, que contou com a presença de diversos outros colectivos, tais como a APRA (Associação das Profissionais em Regime de Amas), os Professores/as das Actividades de Enriquecimento Curricular do Porto, trabalhadores do sexo, Panteras Rosa ou SOS Racismo.
27 abril 2010
MayDay::O precariado sai à rua

Concentração a partir das 13h00
LISBOA: Largo de Camões
PORTO: Praça dos Poveiros
Desde a estreia em Milão (2001), o MayDay tem-se multiplicado por todo o mundo.
Em 2007, a iniciativa MayDay chegou a Lisboa, repetindo-se em 2008. Em 2009, o MayDay realizou-se pela primeira vez em simultâneo, em Lisboa e no Porto.
Em 2010, novamente, o precariado sai à rua em Lisboa e no Porto, no MayDay 2010.
25 abril 2010
25 de Abril SEMPRE!
Cerca de 1h30 depois, a Rádio Renascença emitia a segunda senha musical: "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso.
Estava em curso a revolução de 25 de Abril.
Entre muitas outras, são conquistas decorrentes de Abril:
- Liberdade sindical
- Direito à greve
- Direito à negociação colectiva,
- Constituição de comissões de trabalhadores
- Institucionalização do salário mínimo nacional
- Direito a um mês de férias e respectivo subsídio,
- Generalização das pensões de reforma e do subsídio de desemprego.
36 anos após o reconhecimento destes direitos..
- cerca de 2 milhões de trabalhadores/as precários;
- 900 mil trabalhadores/as são falsos recibos verdes, que nunca terão direito a subsídio de Natal ou de férias;
- há 600 mil desempregados, sendo que cerca 300 mil não recebe subsídio de desemprego;
- a constante precarização do trabalho tem destruído a contratação colectiva, a sindicalização e a implementação de comissões de trabalhadores/as;
- o voluntariado forçado institucionalizou-se, com a generalização dos contratos de emprego inserção e contratos de emprego inserção+;
Que o manto de vergonha caia sobre aquelas e aquelas que ao longo dos anos e da alternância governativa, têm vindo conscientemente a destruir estes direitos, conquistas históricas de Abril, da luta dos/as trabalhadores/as e do povo.
23 abril 2010
24 Abril::16h00::Festa do MayDay Lisboa

A partir das 16h00, no Miradouro de São Pedro de Alcântara (ao Bairro Alto), haverá concertos, dança, música, jogos populares, performances, bancas, workshops, testemunhos de precariedade e de luta... e claro muita animação!
Vem fazer parte desta luta! Querem-nos calados mas não nos rendemos!
Vamos dar a volta à precariedade!
MayDay! - PARADA CONTRA A PRECARIEDADE
1 de Maio::13 horas
LISBOA: Praça de Camões
PORTO: Praça dos Poveiros
22 abril 2010
4ª audição: PS assume compromisso

Foi um encontro particularmente importante, que se realizou já após o Governo ter decidido acelerar a cobrança das dívidas à Segurança Social, mas sem observar a situação dos trabalhadores independentes. Apesar de conhecer o problema e a vontade expressa por milhares de pessoas, o Governo avançou para uma cobrança cega, não tendo em conta a vulgarização das situações de falsos recibos verdes entre os trabalhadores independentes devedores: no início do corrente mês, foram penhoradas as contas bancárias de milhares de devedores à Segurança Social, entre os quais 2.100 trabalhadores independentes. Quantas destas pessoas contraíram a dívida numa situação em que se viram forçadas a trabalhar a falsos recibos verdes? Como se pode aceitar que as entidades empregadoras incumpridoras, depois dos prejuízos que causaram a estes trabalhadores, sejam mais uma vez dispensadas das suas responsabilidades?
Estas e outras questões foram colocadas directamente às deputadas Inês de Medeiros e Isabel Coutinho, que receberam ontem os representantes dos movimentos. Foi uma longa conversa, em que as representantes do Partido Socialista se demonstram, também elas, preocupadas com o crescimento da precariedade e, em particular, com a ilegalidade dos falsos recibos verdes.
Mas destacamos aquilo que é mais importante: desta reunião resulta um compromisso por parte do Grupo Parlamentar do Partido Socialista para que, a partir da iniciativa desta petição, se encontrem soluções concretas para este problema, ou seja, não permitir que persistam as injustiças nas contribuições para o sistema de Segurança Social resultantes da situação de falso trabalho independente. Das senhoras deputadas ouvimos este compromisso, apesar de ainda não concretizado em proposta, partilhando até o sentimento de urgência em resolver o problema, prometendo ainda empenho na busca de soluções, tendo também em conta o posicionamento que os outros grupos parlamentares vão assumindo.
Os movimentos de trabalhadores precários que organizaram esta petição não vão desistir de alcançar uma solução concreta. Sabemos que esta iniciativa, tendo juntado muitos milhares de pessoas, está a garantir espaço para este problema na agenda política e nas preocupações de quem tem a responsabilidade de alterar as leis que enquadram estas injustiças. Acrescentamos ainda que, depois das audiências com o CDS/PP, Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português e Partido Socialista, temos ainda a expectativa de que o Partido Social Democrata esteja interessado em ouvir e dar a sua opinião e contributo.
19 abril 2010
Estado obrigado a reintegrar trabalhadora a falsos recibos verdes

Ana Lopes Araújo, engenheira agrónoma de 40 anos, que recorreu aos tribunais face à precariedade de trabalho em 2008, exercia desde 2001, através de um contrato a termo certo, funções no âmbito do programa agro do sector do vinho e sempre que necessário representava o IFAP junto de consultores externos. Em Abril de 2003, foi informada da quebra de contrato motivada por redução de pessoal para cortar nas despesas daquela entidade pública. “Nessa altura ocorreram alterações internas do réu relacionadas com a necessidade de corte dos custos fixos com pessoal”, refere o acórdão da Relação do Porto, ao qual o i teve acesso, que apenas confirmou a sentença anterior do Tribunal de Trabalho do Porto. No recurso, o IFAP critica a sentença por considerar que o contrato a termo não existiu sempre e desmentia que a funcionária cumprisse ordens.(...)
Segundo apurou o i, no IFAP continuam a trabalhar, em todo o território e há mais de três anos, cerca de 200 pessoas que passam recibos verdes, mas mantém todos os deveres e condições de um contratado que usa as instalações e equipamentos da entidade. Durante a luta judicial, a engenheira chegou a ser “desconsiderada” e “a sentir graves alterações no ambiente de trabalho”, explica o advogado que sublinha que agora os restantes colegas de Ana Lopes que se encontram em situações semelhantes podem usar o caso para defenderem também os seus direitos em tribunal.
Para a decisão final de reintegração, contribui em grande medida a opinião dos desembargadores de que Ana Lopes nunca deixou, apesar de dispensada, de ter um verdadeiro contrato com o IFAP – em vez dos recibos verdes – uma vez que cumpriu todas as condições para tal. “Concluímos que a autora está inserida na estrutura organizativa do réu, depende dele economicamente e exerce a sua actividade sob a direcção e fiscalização deste mediante retribuição”, referem os magistrados. Para além das ordens dos superiores hierárquicos que recebia nomeadamente dos directores, a técnica era ainda avaliada na estrutura do instituto, recebia acções de formação, ajudas de custo no âmbito das deslocações, usava as instalações do organismo e enviava correspondência em cartas com carimbo do instituto e assinadas também pelos directores. Usava um endereço de correio electrónico interno e estava sujeita a regulamento internos.(...)
Podem ler a notícia do jornal I, na íntegra, aqui.
16 abril 2010
MayDay inunda call-centres
Esta semana, foi realizada uma acção conjunta do MayDay, em Lisboa, no Porto e em Coimbra: entrámos em contacto com centenas de trabalhadores/as de diversos call-centres, convidando-os a participarem no MayDay.
Esta acção foi noticiada no jornal I.
No dia 1 de Maio, saímos à rua e faremos ouvir a força da nossa voz!
Lisboa: 13h00 - Praça de Camões
Porto: 13h00 - Praça dos Poveiros
15 abril 2010
Reportagem do 'Libération' sobre precariedade no Estado, em Portugal

Este trabalho jornalístico conta com a participação dos Precários Inflexíveis e do FERVE e apresenta testemunhos que espelham as diversas facetas da precariedade no Estado: profissionais com contratos a prazo, professores/as das Actividades de Enriquecimento Curricular pagos a recibos verdes, pessoas obrigadas a constituirem-se como empresa para poderem continuar a exercer funções na administração pública...
Segundo o 'Libération' 18% dos agentes do Estado exercem funções em situação contratual precária!
Esta reportagem pode ser lida na íntegra aqui.
12 abril 2010
Carta aberta à Fundação de Serralves: mais de 50 personalidades solidárias com os trabalhadores ilegalmente despedidos

Após anos a trabalhar a falsos recibos verdes, estas pessoas foram liminarmente afastadas pela Fundação de Serralves, por não terem aceitado constituírem-se como empresa para continuarem a trabalhar.
Hoje, mais de cinquenta personalidades ligadas ao mundo das artes, da cultura e do sindicalismo unem-se para subscrever a carta aberta, promovida pelo FERVE e pelos Precários Inflexíveis, em solidariedade para com estes/as trabalhadores/as.
FERVE e Precários Inflexíveis
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CARTA AO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DE SERRALVES
O MUSEU COMO PROJECTO. TRABALHADORES E SOCIEDADE.
"Quem faz os museus são as sociedades a que pertencem. Os problemas estruturais da sociedade revelam-se também um problema para o desenvolvimento de um projecto como um museu.”
Considerando a importância e notoriedade internacional alcançadas pela Fundação de Serralves, em poucos anos, através da actividade do Museu de Arte Contemporânea; o papel motor que essa instituição exerce na actividade cultural, tanto a nível local, como nacional, através das suas exposições itinerantes e inúmeras co-produções; o investimento do Estado Português na Fundação, eixo fundamental da acção do Estado em favor da Arte Contemporânea em Portugal; a extraordinária visibilidade pública do Museu, contando 3 milhões de visitantes em apenas 10 anos de existência e as constantes provas da solidariedade e consideração prestadas por inúmeras figuras públicas à Fundação, tema de orgulho para a instituição, que publica regularmente declarações desse tipo num suplemento promocional regular distribuído com o jornal O Público;
Considerando que Serralves sempre se posicionou como produtora de democracia, da criação cultural, do pensamento crítico sobre a contemporaneidade e que os direitos sociais e os direitos do trabalho são eles próprios fundadores e condição de instituições e sociedades democráticas;
Deduzindo que a Fundação de Serralves constitui aos olhos do mundo um modelo (de sucesso) de gestão público-privada de uma instituição cultural e que a afluência de público que caracteriza há vários anos o Museu envolve necessariamente uma equipa de qualidade para a recepção e informação do visitante:
- Parece-nos incompreensível que “os serviços de Recepção da Fundação de Serralves” tenham sido até hoje “assegurados por uma equipa variável de colaboradores, mediante uma regular e legítima prestação de serviços a recibo verde”;
- Parece-nos inaceitável que estes trabalhadores tenham sido mantidos, durante anos, sem vínculo, sem direito ao enquadramento que um contrato de trabalho assegura, deixando-os sem qualquer protecção perante o desemprego;
- Parece-nos também inaceitável que a estes trabalhadores tenha sido proposto constituírem-se como empresa, sob o pretexto, que como visitantes de Serralves rejeitamos, de “obter serviços com mais qualidade, maior eficiência e profissionalismo e desta forma contribuir para melhor acolher todos quantos nos visitam”;
- Parece-nos ilegal que perante a recusa da maioria dos trabalhadores em acatar a proposta supra-referida, a Fundação tenha pura e simplesmente dispensado os serviços de quem há anos assegurava a Recepção diária dos visitantes, e contribuía decisivamente para o sucesso detalhado anteriormente, em lugar de ter celebrado contratos de trabalho com estes trabalhadores.
Enquanto visitantes, amigos de Serralves, artistas que aí expomos, cidadãos, manifestamos a nossa solidariedade para com os e as recepcionistas despedidos, consideramos que os seus direitos deviam ter sido acautelados e apelamos à correcção desta situação, evitando-se o despedimento e celebrando contratos de trabalho com estes trabalhadores.
Os/As subscritores/as;
ADA PEREIRA DA SILVA: produtora cultural
ANA PÉREZ-QUIROGA: artista plástica
ANDRÉ ALVES: artista plástico e investigador académico
ÂNGELA BERLINDE: fotógrafa
ÂNGELO FERREIRA DE SOUSA: artista plástico
BRUNO MAIA: Membro da Comissão de Trabalhadores da ex-Qimonda
CARLA BOLITO: actriz e membro da Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual
CARLA CRUZ: artista plástica
CARLA MIRANDA: actriz
CARLOS COSTA: director artístico da Visões Úteis
CESÁRIO ALVES: fotógrafo
CRISTINA ANDRADE: membro do FERVE – Fartos/as d'Estes Recibos Verdes
DANIEL OLIVEIRA: cronista
DIANA ANDRINGA: jornalista
DUARTE VITÓRIA: artista plástico
EDUARDA DONÍSIO: escritora
EDUARDO VALDREZ: dirigente do Sindicato da Saúde, Solidariedade e Segurança Social
ESGAR ACELERADO: ilustrador
FILIPE RODRIGUES: artista plástico
FILOMENA MARONA BEJA: escritora
FILOMENA OLIVEIRA: dramaturga
FRANCISCO JOSÉ: membro da Comissão de Trabalhadores da Unicer
GRAÇA MARTINS: artista plástica
HENRIQUE BORGES: direcção do Sindicato dos Professores do Norte e membro da FENPROF
HENRIQUE DO VALE: artista plástico
INÊS LOUSINHA: artista plástica
INÊS VIEIRA: Dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços de Portugal
ISABEL LHANO: artista plástica
ISABEL MONTEIRO: artista plástica
ISABEL PADRÃO: artista plástica
JOÃO PACHECO: jornalista e membro dos Precários Inflexíveis
JOÃO PEDRO RODRIGUES: escultor
JOÃO TEIXEIRA LOPES: sociólogo
JORGE MAGALHÃES: Dirigente da FEPCES - Federação dos Trabalhadores dos Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal.
JOSÉ CARLOS TINOCO: produtor cultural
JOSÉ FERREIRA: Coordenador da Comissão de Trabalhadores da EFACEC e Dirigente do Sindicato de Trabalhadores da Indústria Eléctrica do Norte e Centro
JOSÉ PAIVA: artista plástico
JÚLIA PINTÃO: artista plástica
JULIETA GUIMARÃES: actriz, coordenadora da área norte da Operação Nariz Vermelho, membro da Erva Daninha e da direcção da Plateia
LUÍS TOBIAS: fotógrafo
LUÍSA GONÇALVES: escultora e professora aposentada da Escola Secundária Artística de Soares dos Reis
MANUEL LOFF: historiador
MARIA JOSÉ FERREIRA: pintora
MIGUEL REAL: escritor
NATÉRCIA PACHECO: docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto
PAULA GODINHO: antropóloga e docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
PAULO PIMENTA: fotógrafo
PAULO RICARDO: dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Celulose, Papel, Gráfica e Imprensa
PEDRO RUIZ: escultor
RAQUEL FREIRE: cineasta
REGINA GUIMARÃES: escritora
RENATO ROQUE: fotógrafo
SÓNIA CARVALHO: artista plástica
TERESA DIAS COELHO: pintora
TIAGO GILLOT: membro dos Precários Inflexíveis
07 abril 2010
FESTA PRECÁRIA MayDay PORTO 2010

A QUE HORAS: 22h00
ONDE: Fábrica da Rua da Alegria (Rua da Alegria, nº341). Porto
O QUE VAI ACONTECER:
Haverá teatro, música, filmes e muita animação com a participação (entre outros) de:
- Erva Daninha
- DJ Ruba Linho
- DJ's Golpe de Estado (RUC)
PORQUÊ: o MayDay está aí chegar! No dia 1 de Maio, o precariado sai à rua e faz ouvir a força da sua voz!
QUEM É O PRECARIADO?:
- somos 2 milhões de pessoas que não têm um vínculo estável de trabalho;
- somos 900 mil falsos recibos verdes;
- somos 400 mil pessoas contratadas através de empresas de trabalho temporário,
- somos bolseiros/as de investigação científica;
- somos 600 mil pessoas que estamos desempregados/as;
- somos todos/as os/as trabalhadores que estão solidários/as com esta luta pela dignidade laboral e pelo direito ao trabalho com direitos
- O PRECARIADO SOMOS TODOS NÓS!.
NO SÁBADO, DIA 10, APARECE NA FÁBRICA E TRAZ UM/A AMIGO/A TAMBÉM!
Entrada solidária: 2 euros
06 abril 2010
Serralves: Resultados da inspecção podem ser conhecidos na próxima semana

A notícia pode ser lida parcialmente de seguida ou integralmente aqui.
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A Autoridade para as Condições de Trabalho analisou a dispensa dos 18 funcionários da Fundação de Serralves. As conclusões da acção inspectiva poderão ser conhecidas no final da próxima semana.
A Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) efectuou uma acção inspectiva à Fundação de Serralves na passada terça-feira, dia 30 de Março, na sequência da dispensa de 18 funcionários. Segundo um responsável da organização, Jorge Dias, os resultados poderão ser divulgados na próxima semana.
A dispensa de 18 recepcionistas por parte da Fundação de Serralves foi dada a conhecer aos mesmos através de uma carta da directora-geral, Odete Patrício, na qual esta os informava de que os respectivos "contratos de prestação de serviço" com Serralves cessariam a 12 de Abril.
A situação dos recepcionistas de Serralves já se arrasta desde Janeiro, altura em que os funcionários denunciaram a situação ao grupo "Fartos dos Recibos Verdes" (FERVE). Nessa altura, a Direcção-Geral convocou os recepcionistas para uma reunião, na qual lhes propôs que criassem uma empresa, cujos serviços a fundação depois contrataria. Foi-lhes ainda sugerido que procurassem orientação junto da IN Serralves, a incubadora de indústrias criativas da fundação. A proposta foi recusada de forma unânime por todos os trabalhadores. Como consequência, a fundação anunciou que recorreria a uma empresa externa para assegurar os serviços de atendimento.
Cristina Passos, directora de recursos e projectos especiais de Serralves, afirma que "os serviços de recepção da Fundação de Serralves são assegurados por uma equipa variável de colaboradores, mediante uma verdadeira e legítima prestação de serviços". Segundo Cristina Passos, os recepcionistas não estão sujeitos a "qualquer horário elaborado e imposto pela Fundação, como sucede nos genuínos contratos de trabalho", nem a nenhum regime de faltas, ou controlo de assiduidade.
O contrato de trabalho não existiu porque "os recepcionistas não se encontram sujeitos ao exercício de qualquer poder disciplinar pela fundação, pois não existe nenhuma subordinação daqueles a esta". "Por estes motivos, não existe qualquer tipo de vínculo laboral entre os recepcionistas e a fundação", esclarece. Assim, Serralves justifica a sua posição quanto à decisão de propôr aos trabalhadores a criação uma empresa, decisão essa que justifica como "um incentivo ao empreendedorismo."
Associações juntam-se aos protestos e consideram "situação ilegal"
Os grupos Precários Inflexíveis e FERVE são algumas das organizações que deram voz aos recepcionistas dispensados por Serralves. Tiago Gillot, membro dos Precários Inflexíveis, afirma que houve uma relação de trabalho, durante todos estes anos, entre a Fundação e os recepcionistas, e que, por isso, estas pessoas foram prejudicadas. (...)
A Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) efectuou uma acção inspectiva à Fundação de Serralves, mas ainda não foram divulgados os resultados. Segundo Jorge Dias, responsável da organização, os dados da inspecção ainda estão "em segredo de justiça", pelo que não poderão ser conhecidos para já. (...)
O responsável da ACT refere, ainda, que esta situação não é nova, acrescentando que o órgão já "acompanha o caso de Serralves desde 2008".
05 abril 2010
PROPOSTA DE TRABALHO ILEGAL NA UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA

- Apoio a postos de trabalho do campus da FCSH
- Criação de contas LDAP e gestão de uma base de dados (trata-se de processos simples, em relação aos quais o colaborador receberá formação)
Requisitos:
- Possuir formação em informática
- Ter conhecimentos de instalações de software, formatação de computadores e troca de componentes de hardware
- Caso seja estudante da FCSH, ser finalista de licenciatura ou estudante de 2º ou 3º Ciclo
O horário de trabalho será entre as 10-18 h. ou 9-17 h (a combinar)
O vencimento a auferir será de 950 euros mensais (ilíquido)
Aos candidatos interessados solicitamos o envio de CV para este email. De entre eles, os que apresentarem melhores requisitos serão convidados para uma breve entrevista.
Com os melhores cumprimentos,
--
**dro **usa
Gabinete de Informática
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL
Avenida de Berna, 26-C, 1069-061 Lisboa
Tel: +351 217908361 Fax: +351 217908308"
Testemunho: jornalismo

"Peço a divulgação duma proposta de trabalho apresentada pela revista BLITZ à minha filha que tem licenciatura em comunicação social e mestrado.
O Blitz tem uma proposta de trabalho para jornalista , o vencimento é ZERO euros nos primeiros 3 meses, sem qualquer pagamento e se o pasquim gostar do trabalho renova por mais 3 meses com o vencimento de ZERO euros, sem qualquer pagamento.
Estamos assim em plena ESCRAVATURA no século XXI! Pensando bem, é pior anda no pasquim porque na escravatura ainda dão comida e instalações."
COMUNICADO DO BLITZ (06-04-2010)
Informamos que este post não corresponde à realidade e que rejeitamos liminarmente a afirmação em causa. Para além de pagarmos atempadamente a todos os nossos trabalhadores e colaboradores pelo trabalho que produzem para a nossa revista, nunca propusemos contrato de trabalho ou de prestação de serviços que não fosse remunerado. Apesar de não conseguirmos encontrar uma explicação para as graves e infundadas afirmações divulgadas no blog FERVE, é possível que o “pai indignado” em causa tenha confundido prestações laborais (que são pagas) com estágios curriculares (que não são pagos). De facto, a Blitz acolhe estagiários ao abrigo de protocolos assinados com universidades públicas (como a Faculdade de Ciências Sócias e Humanas da Universidade Nova de Lisboa) que passam entre três a seis meses na redacção da revista. Estes estágios curriculares, normais em qualquer órgão de informação, estão legalmente enquadrados e regulados através de um Regulamento de Estágios interno. Quando fazemos o primeiro contacto telefónico, para saber se realmente o candidato tem interesse em estagiar, informamos-lhe as condições do mesmo (3 a 6 meses) e que não são remunerados. Nunca, em nenhuma entrevista de estágio, foi dada a indicação que o estagiário iria estagiar três meses e, caso o trabalho fosse do agrado da revista, trabalharia outros três meses sem receber, nem que haveria continuidade após o período de estágio.
Direcção de Recursos Humanos da BLITZ
Impresa Publishing
Depois de ler a resposta do Blitz, que agradeço, ponho a hipótese desta situação partir dum erro, quiçá de algum estagiário que neste momento "enriquece" curricularmente no departamento de RH do Blitz.
É que a minha familiar JÁ TEM estágio feito há uns anos como se pode ler no currículo que enviou ao Blitz e no entanto foi convocada para uma entrevista de trabalho, ou estágio, ou escravatura, ou o que preferirem chamar a esta coisa de horário laboral a tempo inteiro sem qualquer remuneração.
02 abril 2010
O Mayday Porto 2010 foi a Serralves!
Sob o mote de "Cultura é sermos solidários" pedimos o livro de reclamações para fazermos ouvir o nosso descontentamento para com esta situação e apelar para que se regularize a situação destas pessoas que, sendo na prática trabalhadores por contra de outrem, são tratadas como empresários.
31 março 2010
AS CORES DE SERRALVES

As pessoas que trabalham na recepção e nas bilheteiras de Serralves têm horários? Têm. Ocupam uma função fixa e sempre necessária à instituição? Ocupam. Dependem de uma hierarquia? Sim. Trabalham nas instalações da Fundação de Serralves? Nem podia ser de outro modo. São funcionários da Fundação que gere aquele espaço cultural? Não. Trabalham a recibos verdes. Aqueles que supostamente foram criados para prestadores de serviços.
Os da Fundação de Serralves são falsos recibos verdes. Ilegais, portanto. Porque a lei é clara: um trabalhador que obedece a uma hierarquia dentro da empresa, cumpre horário por esta estipulado, exerce actividade nas suas instalações e usa ferramentas de trabalho fornecidas pela mesma não pode trabalhar a recibos verdes. É o caso destas pessoas.
Perante este facto, o que seria normal? Que a Fundação de Serralves integrasse aqueles trabalhadores como seus funcionários, que é o que eles são. Foi isso que fez? Claro que não. Afinal de contas, estamos em Portugal. A lei é apenas um conselho para quem o queira seguir.
Convidou os seus trabalhadores, ilegalmente pagos através de recibos verdes, a constituírem a sua própria empresa e fornecerem o serviço externos à instituição. Ou seja, para continuarem a ser trabalhadores na Fundação de Serralves têm de ser empresários de portaria e bilheteira. Com que objectivo? "Por forma a promover o empreendedorismo" . Ou seja, depois da fase verde, a Fundação passou à cor-de-rosa.
Houve queixas à Autoridade para as Condições de Trabalho. Houve perguntas de deputados às autoridades. O que fez a Fundação? Regularizou a situação? Claro que não. Continuamos em Portugal e a lei continua a ser facultativa. Enviou uma carta aos recepcionistas anunciando que a partir do próximo dia 12 estão sem emprego . Chegámos finalmente à fase negra.
Irá contratar um serviço externo para desempenhar as funções que os seus trabalhadores ilegalmente pagos através de recibos verdes já desempenhavam e, ao que parece, bem, já que a instituição até os queria lá a trabalhar.
É esta a moda destes tempos: o empregador quer ter funcionários com a obrigação de cumprir horários e desempenhar tarefas com "profissionalismo". Mas não quer a maçada de fazer a sua parte. E chama a este negócio - em que tem o direito de exigir tudo e nenhum dever a cumprir - promoção do "empreendedorismo".
A Fundação de Serralves tem dois representantes do Estado na administração - de seus nomes Rui Guimarães e Elisa Ferreira (a tal que estava disposta a perder a "gamela de Bruxelas"). O seu presidente até é um ex-ministro: Luís Braga da Cruz. E o seu vice-presidente também: Luís Campos e Cunha. Todos em algum momento das suas vidas foram responsáveis pelas leis que regem este país e, julgava-se, a Fundação de Serralves. A Fundação recebeu e recebe apoio financeiro do Estado. O mesmo que fez as leis que esta acha que não tem de cumprir. E não hesita em pedir voluntários (não pagos) com base "nos princípios da participação, da solidariedade e cooperação". Ou seja, não hesita em pedir à comunidade os bons sentimentos que não pratica em casa.
Conclusão: uma instituição que tem dinheiros públicos e representantes do Estado e três ex-ministros na administração contrata trabalhadores de forma ilegal. Quando confrontada com o problema tenta que eles formem uma empresa para cumprirem a mesma função. Perante a recusa despede os trabalhadores.
E querem estes distintos senhores que levemos a sério as leis que aprovam quando se sentam nos conselhos de ministros e no Parlamento.
Crónica de Daniel Oliveira no Expresso.
30 março 2010
FUNDAÇÃO DE SERRALVES DESPEDE TRABALHADORES/AS A FALSOS RECIBOS VERDES
A Fundação de Serralves tem um horário de funcionamento. A Fundação de Serralves tem recepcionistas que asseguram estes serviços, permanentes e imprescindíveis, alguns há mais de cinco anos.
A Fundação de Serralves saberá que deveria ter celebrado contratos de trabalho com estes/as trabalhadores/as, visto tratarem-se de pessoas que utilizam material disponibilizado pela entidade empregadora, visto utilizarem uma farda da instituição, visto estarem inseridos numa equipa, visto terem chefias, visto estarem na dependência económica da entidade que as contrata: tudo critérios que permitem aferir a existência de um contrato de trabalho e não de trabalho independente.
A Fundação de Serralves sabe que estas pessoas são falsos recibos verdes.
No entanto, em vez de regularizar a situação contratual destes/as trabalhadores/as, a Fundação de Serralves optou por 'convidá-los' a constituírem-se como empresa para que pudessem continuar a desempenhar as mesmas funções de sempre. A esta chantagem a Fundação de Serralves chama "apelo ao empreendedorismo".
O FERVE denunciou esta situação publicamente, à Autoridade para as Condições de Trabalho (que efectuou já uma acção inspectiva à Fundação de Serralves) e também junto dos partidos políticos (o que motivou uma pergunta do Bloco de Esquerda ao Ministério da Cultura e uma outra ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social).
Agora, a Fundação de Serralves enviou uma carta a todos/as os/as recepcionistas, informando-os/as de que, a partir de 12 de Abril, deixam de trabalhar naquela instituição.
O FERVE e os Precári@s Inflexíveis consideram inenarrável o comportamento que a Fundação de Serralves tem vindo a assumir, alheado do cumprimento da lei, desprovido de moralidade, dignidade e respeito para com as pessoas que, ao longo de anos, trabalharam nesta instituição.
Estamos total e incondicionalmente solidários com estes/as trabalhadores/as e continuaremos a desenvolver acções de solidariedade para com eles/as, que serão comunicadas nos próximos dias.
ACTUALIZAÇÕES:
1) Esta denúncia foi noticiada, entre outros, no SOL, na Antena 1, no Público, no Rádio Clube Português, na Rádio Universitária do Minho, na agência LUSA (aqui citada pelo Diário de Notícias).
2) Também na sequência desta denúncia, o Bloco de Esquerda endereçou uma carta aberta ao conselho de administração de Serralves, dirigiu perguntas ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e ao Ministério da Cultura e solicitou à Autoridade para as Condições de Trabalho a documentação referente à acção inspectiva recentemente realizada.
3) Continuamos a aguardar reacções por parte dos restantes partidos políticos.
29 março 2010
Mayday Lisboa 2010 vai ao Colombo
Estivemos em contacto directo com os trabalhadores, mas também com os consumidores, porque sabemos que, neste como em qualquer outro centro comercial, nas suas várias lojas, encontram-se pessoas que vivem condições semelhantes.
Via MayDay Lisboa.
28 março 2010
Assembleia MayDay Lisboa::30 de Março

O MayDay Lisboa está na rua com muita actividade!
Somos precários e precárias que juntam forças para dar a volta à precariedade!
Junta-te a este combate e aparece na próxima Assembleia MayDay Lisboa 2010:
QUANDO: Terça-feira, 30 de Março
HORÁRIO: 20h45
ONDE: SPGL - Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (Rua Fialho d'Almeida nº3, Lisboa)
NOTA: Seremos pontuais, a assembleia termina às 24h.
27 março 2010
REPORTAGEM DA ARTE SOBRE RECIBOS VERDES EM PORTUGAL

A televisão ARTE esteve recentemente em Portugal para conhecer a realidade dos recibos verdes. O resultado foi uma reportagem, que divulga a escandalosa situação vivida nas Actividades de Enriquecimento Curricular, pela voz duma das professoras que participa na emergência duma nova capacidade de organização e resposta destes profissionais em Lisboa.
Este programa governamental é, de facto, um dos mais tristes exemplos do avanço da precariedade e do abuso dos falsos recibos verdes. Os Precários Inflexíveis participam também na reportagem, que está disponível em língua alemã e também francesa.
VIA Precári@s Inflexíveis.
26 março 2010
Reportagem da RFI

A jornalista Murielle Paradon esteve em Portugal efectuando uma grande reportagem sobre a precariedade e os recibos verdes para a rádio francesa RFI.
Podem ouvir este trabalho jornalístico aqui.
25 março 2010
Colaboração em investigação

- do comércio e serviços (trabalhadores das superfícies comerciais);
- bolseiros de investigação científica (que se encontrem nesta situação há vários anos).
É importante que esses trabalhadores se encontrem na zona de Lisboa ou Margem Sul do Tejo, sendo que manifestamos, desde já, a nossa completa disponibilidade para nos deslocarmos até junto dessas pessoas.
Garantimos o anonimato e a confidencialidade. Agradecemos a disponibilidade de quem puder participar.
Poderão contactar a investigadora Ana Guerreiro através do endereço de correio electrónico anaguerreirolatas@
Crónica de Ricardo Araújo Pereira na Visão

Esta pode ser a geração dos 500 euros porque quem lhe estabelece o ordenado é a geração rasca.
Um dia, num protesto contra a política educativa do Governo, um cidadão da minha idade resolveu avançar com um argumento de autoridade e mostrou o rabo à ministra. Não é, de todo, o pior e mais deselegante argumento que já vi esgrimir (se se pode dizer de um rabo que foi esgrimido) no âmbito de um debate político, mas ainda assim o gesto fez com que aquilo a que se chama "a minha geração" passasse a ser conhecida por "geração rasca". Nunca me queixei. Pelo menos no que me dizia respeito, o título pareceu-me adequado à minha personalidade, e não gosto de censurar ninguém por ser perspicaz. Hoje, a geração que entra no mercado de trabalho é conhecida por "geração dos 500 euros". O que definia a minha geração era o seu carácter; o que define esta é o seu salário. Na verdade, há uma hipótese inquietante: é possível que quem paga a esta geração seja a minha. Esta pode ser a geração dos 500 euros, porque quem lhe estabelece o ordenado é a geração rasca. Tudo aponta para isso: somos mais velhos do que eles, e portanto é lógico que tenhamos cargos de chefia quando eles saem da escola. E é próprio de um patrão rasca generalizar o pagamento de salários de 500 euros. Sobretudo, é improvável que a "geração rasca" e a "geração dos 500 euros" coincidam: quem é rasca, em princípio arranja sempre maneira de ganhar mais de 500 euros.
Como costuma dizer normalmente quem tem muito dinheiro, o dinheiro não é importante. Sempre me comoveu que as pessoas ricas tivessem a gentileza de partilhar connosco (logo elas, que são tantas vezes avessas a partilhar) uma ideia formada com conhecimento de causa: o dinheiro não traz felicidade. Essa é, no entanto, uma das características que eu mais aprecio no dinheiro: a felicidade é tão fugaz, tão frágil e, às vezes, tão imoral, que acaba por ser higiénico e nobre que o dinheiro não a traga. Para falar com franqueza, não conheço nada que traga felicidade. Mas - chamem-me sentimental - acho que o dinheiro não traz felicidade de uma maneira especial. Vendo bem, a minha geração teve bastante mais sorte do que esta: uma pessoa pode mudar o seu carácter, mas na esmagadora maioria das vezes não pode mudar o seu salário. É bem mais fácil deixar de mostrar o rabo do que passar a ganhar mais de 500 euros.
