05 abril 2010

Testemunho: jornalismo



Recebemos um contacto de um pai indignado com a 'proposta' de trabalho que foi efectuada à filha. Aqui fica:

"Peço a divulgação duma proposta de trabalho apresentada pela revista BLITZ à minha filha que tem licenciatura em comunicação social e mestrado.


O Blitz tem uma proposta de trabalho para jornalista , o vencimento é ZERO euros nos primeiros 3 meses, sem qualquer pagamento e se o pasquim gostar do trabalho renova por mais 3 meses com o vencimento de ZERO euros, sem qualquer pagamento.


Estamos assim em plena ESCRAVATURA no século XXI! Pensando bem, é pior anda no pasquim porque na escravatura ainda dão comida e instalações."


COMUNICADO DO BLITZ (06-04-2010)


Informamos que este post não corresponde à realidade e que rejeitamos liminarmente a afirmação em causa. Para além de pagarmos atempadamente a todos os nossos trabalhadores e colaboradores pelo trabalho que produzem para a nossa revista, nunca propusemos contrato de trabalho ou de prestação de serviços que não fosse remunerado. Apesar de não conseguirmos encontrar uma explicação para as graves e infundadas afirmações divulgadas no blog FERVE, é possível que o “pai indignado” em causa tenha confundido prestações laborais (que são pagas) com estágios curriculares (que não são pagos). De facto, a Blitz acolhe estagiários ao abrigo de protocolos assinados com universidades públicas (como a Faculdade de Ciências Sócias e Humanas da Universidade Nova de Lisboa) que passam entre três a seis meses na redacção da revista. Estes estágios curriculares, normais em qualquer órgão de informação, estão legalmente enquadrados e regulados através de um Regulamento de Estágios interno. Quando fazemos o primeiro contacto telefónico, para saber se realmente o candidato tem interesse em estagiar, informamos-lhe as condições do mesmo (3 a 6 meses) e que não são remunerados. Nunca, em nenhuma entrevista de estágio, foi dada a indicação que o estagiário iria estagiar três meses e, caso o trabalho fosse do agrado da revista, trabalharia outros três meses sem receber, nem que haveria continuidade após o período de estágio.

Direcção de Recursos Humanos da BLITZ
Impresa Publishing



RESPOSTA DA PESSOA QUE EFECTUOU A DENÚNCIA (11/04/2010)

Depois de ler a resposta do Blitz, que agradeço, ponho a hipótese desta situação partir dum erro, quiçá de algum estagiário que neste momento "enriquece" curricularmente no departamento de RH do Blitz.


É que a minha familiar JÁ TEM estágio feito há uns anos como se pode ler no currículo que enviou ao Blitz e no entanto foi convocada para uma entrevista de trabalho, ou estágio, ou escravatura, ou o que preferirem chamar a esta coisa de horário laboral a tempo inteiro sem qualquer remuneração.

Entretanto alguém me chamou a atenção para o seguinte: "por acaso no outro dia tive oportunidade de folhear o Blitz e achei estranho a grande maioria dos artigos ser assinado pela mesma pessoa. Se calhar essas propostas de emprego são um sinal de que a revista não está muito bem."

02 abril 2010

O Mayday Porto 2010 foi a Serralves!





Hoje de manhã, o MayDay Porto foi à Fundação Serralves reclamar contra o despedimento de 18 trabalhadores que trabalham a recibos verdes, alguns há mais de 5 anos!

Sob o mote de "Cultura é sermos solidários" pedimos o livro de reclamações para fazermos ouvir o nosso descontentamento para com esta situação e apelar para que se regularize a situação destas pessoas que, sendo na prática trabalhadores por contra de outrem, são tratadas como empresários.

PROFESSORAS/ES DAS AEC's COM O MAYDAY

31 março 2010

Reportagem da RTP sobre despedimentos em Serralves

AS CORES DE SERRALVES


Esta exposição em Serralves pode ser dividida em três. A primeira é a fase verde, dos recibos dos seus trabalhadores. A segunda é cor-de-rosa, com apelos ao "empreendedorismo". A terceira é negra: o despedimento.

As pessoas que trabalham na recepção e nas bilheteiras de Serralves têm horários? Têm. Ocupam uma função fixa e sempre necessária à instituição? Ocupam. Dependem de uma hierarquia? Sim. Trabalham nas instalações da Fundação de Serralves? Nem podia ser de outro modo. São funcionários da Fundação que gere aquele espaço cultural? Não. Trabalham a recibos verdes. Aqueles que supostamente foram criados para prestadores de serviços.

Os da Fundação de Serralves são falsos recibos verdes. Ilegais, portanto. Porque a lei é clara: um trabalhador que obedece a uma hierarquia dentro da empresa, cumpre horário por esta estipulado, exerce actividade nas suas instalações e usa ferramentas de trabalho fornecidas pela mesma não pode trabalhar a recibos verdes. É o caso destas pessoas.

Perante este facto, o que seria normal? Que a Fundação de Serralves integrasse aqueles trabalhadores como seus funcionários, que é o que eles são. Foi isso que fez? Claro que não. Afinal de contas, estamos em Portugal. A lei é apenas um conselho para quem o queira seguir.

Convidou os seus trabalhadores, ilegalmente pagos através de recibos verdes, a constituírem a sua própria empresa e fornecerem o serviço externos à instituição. Ou seja, para continuarem a ser trabalhadores na Fundação de Serralves têm de ser empresários de portaria e bilheteira. Com que objectivo? "Por forma a promover o empreendedorismo" . Ou seja, depois da fase verde, a Fundação passou à cor-de-rosa.

Houve queixas à Autoridade para as Condições de Trabalho. Houve perguntas de deputados às autoridades. O que fez a Fundação? Regularizou a situação? Claro que não. Continuamos em Portugal e a lei continua a ser facultativa. Enviou uma carta aos recepcionistas anunciando que a partir do próximo dia 12 estão sem emprego . Chegámos finalmente à fase negra.

Irá contratar um serviço externo para desempenhar as funções que os seus trabalhadores ilegalmente pagos através de recibos verdes já desempenhavam e, ao que parece, bem, já que a instituição até os queria lá a trabalhar.

É esta a moda destes tempos: o empregador quer ter funcionários com a obrigação de cumprir horários e desempenhar tarefas com "profissionalismo". Mas não quer a maçada de fazer a sua parte. E chama a este negócio - em que tem o direito de exigir tudo e nenhum dever a cumprir - promoção do "empreendedorismo".

A Fundação de Serralves tem dois representantes do Estado na administração - de seus nomes Rui Guimarães e Elisa Ferreira (a tal que estava disposta a perder a "gamela de Bruxelas"). O seu presidente até é um ex-ministro: Luís Braga da Cruz. E o seu vice-presidente também: Luís Campos e Cunha. Todos em algum momento das suas vidas foram responsáveis pelas leis que regem este país e, julgava-se, a Fundação de Serralves. A Fundação recebeu e recebe apoio financeiro do Estado. O mesmo que fez as leis que esta acha que não tem de cumprir. E não hesita em pedir voluntários (não pagos) com base "nos princípios da participação, da solidariedade e cooperação". Ou seja, não hesita em pedir à comunidade os bons sentimentos que não pratica em casa.

Conclusão: uma instituição que tem dinheiros públicos e representantes do Estado e três ex-ministros na administração contrata trabalhadores de forma ilegal. Quando confrontada com o problema tenta que eles formem uma empresa para cumprirem a mesma função. Perante a recusa despede os trabalhadores.

E querem estes distintos senhores que levemos a sério as leis que aprovam quando se sentam nos conselhos de ministros e no Parlamento.

Crónica de Daniel Oliveira no
Expresso.

30 março 2010

FUNDAÇÃO DE SERRALVES DESPEDE TRABALHADORES/AS A FALSOS RECIBOS VERDES

A Fundação de Serralves tem um horário de funcionamento.

A Fundação de Serralves tem uma recepção e uma bilheteira.
A Fundação de Serralves tem recepcionistas que asseguram estes serviços, permanentes e imprescindíveis, alguns há mais de cinco anos.

A Fundação de Serralves saberá que deveria ter celebrado contratos de trabalho com estes/as trabalhadores/as, visto tratarem-se de pessoas que utilizam material disponibilizado pela entidade empregadora, visto utilizarem uma farda da instituição, visto estarem inseridos numa equipa, visto terem chefias, visto estarem na dependência económica da entidade que as contrata: tudo critérios que permitem aferir a existência de um contrato de trabalho e não de trabalho independente.

A Fundação de Serralves sabe que estas pessoas são falsos recibos verdes.

No entanto, em vez de regularizar a situação contratual destes/as trabalhadores/as, a Fundação de Serralves optou por 'convidá-los' a constituírem-se como empresa para que pudessem continuar a desempenhar as mesmas funções de sempre. A esta chantagem a Fundação de Serralves chama "apelo ao empreendedorismo".



O FERVE denunciou esta situação publicamente, à Autoridade para as Condições de Trabalho (que efectuou já uma acção inspectiva à Fundação de Serralves) e também junto dos partidos políticos (o que motivou uma pergunta do Bloco de Esquerda ao Ministério da Cultura e uma outra ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social).



Agora, a Fundação de Serralves enviou uma carta a todos/as os/as recepcionistas, informando-os/as de que, a partir de 12 de Abril, deixam de trabalhar naquela instituição.


O FERVE e os Precári@s Inflexíveis consideram inenarrável o comportamento que a Fundação de Serralves tem vindo a assumir, alheado do cumprimento da lei, desprovido de moralidade, dignidade e respeito para com as pessoas que, ao longo de anos, trabalharam nesta instituição.

Estamos total e incondicionalmente solidários com estes/as trabalhadores/as e continuaremos a desenvolver acções de solidariedade para com eles/as, que serão comunicadas nos próximos dias.


ACTUALIZAÇÕES:

1) Esta denúncia foi noticiada, entre outros, no SOL, na Antena 1, no Público, no Rádio Clube Português, na Rádio Universitária do Minho, na agência LUSA (aqui citada pelo Diário de Notícias).


2) Também na sequência desta denúncia, o Bloco de Esquerda endereçou uma carta aberta ao conselho de administração de Serralves, dirigiu perguntas ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e ao Ministério da Cultura e solicitou à Autoridade para as Condições de Trabalho a documentação referente à acção inspectiva recentemente realizada.


3) Continuamos a aguardar reacções por parte dos restantes partidos políticos.




29 março 2010

Mayday Lisboa 2010 vai ao Colombo



O MayDay Lisboa 2010 visitou este domingo à tarde o Centro Comercial Colombo, uma das catedrais da precariedade. Fizemo-lo propositadamente ao domingo, porque quisemos denunciar o facto da precariedade não dar descanso às suas vítimas. Estes trabalhadores, sujeitos a um trabalho repetitivo e desgastante, quase sempre com baixos salários e tratados como descartáveis, asseguram um negócio que não admite interrupções e que não reconhece direitos.

Estivemos em contacto directo com os trabalhadores, mas também com os consumidores, porque sabemos que, neste como em qualquer outro centro comercial, nas suas várias lojas, encontram-se pessoas que vivem condições semelhantes.

Via MayDay Lisboa.

28 março 2010

Assembleia MayDay Lisboa::30 de Março


O MayDay Lisboa está na rua com muita actividade!

Somos precários e precárias que juntam forças para dar a volta à precariedade!


Junta-te a este combate e aparece na próxima Assembleia MayDay Lisboa 2010:


QUANDO: Terça-feira, 30 de Março

HORÁRIO: 20h45

ONDE: SPGL - Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (Rua Fialho d'Almeida nº3, Lisboa)


NOTA: Seremos pontuais, a assembleia termina às 24h.

27 março 2010

REPORTAGEM DA ARTE SOBRE RECIBOS VERDES EM PORTUGAL


A televisão ARTE esteve recentemente em Portugal para conhecer a realidade dos recibos verdes. O resultado foi uma reportagem, que divulga a escandalosa situação vivida nas Actividades de Enriquecimento Curricular, pela voz duma das professoras que participa na emergência duma nova capacidade de organização e resposta destes profissionais em Lisboa.

Este programa governamental é, de facto, um dos mais tristes exemplos do avanço da precariedade e do abuso dos falsos recibos verdes. Os Precários Inflexíveis participam também na reportagem, que está disponível em língua alemã e também francesa.

VIA Precári@s Inflexíveis.

26 março 2010

Reportagem da RFI


A jornalista Murielle Paradon esteve em Portugal efectuando uma grande reportagem sobre a precariedade e os recibos verdes para a rádio francesa RFI.

Podem ouvir este trabalho jornalístico
aqui.

25 março 2010

Colaboração em investigação


No âmbito de dois projectos de investigação a decorrer no SOCIUS (centro de investigação associado ao ISEG), sobre a conciliação trabalho/vida familiar e precariedade no mercado de trabalho, coordenados pela Prof.ª Ilona Kovács, necessitamos de contactar, para a recolha de testemunhos, trabalhadores que estejam em situação de precariedade laboral das áreas:

- do comércio e serviços (trabalhadores das superfícies comerciais);
- das tecnologias de informação (profissionais altamente qualificados);
- bolseiros de investigação científica (que se encontrem nesta situação há vários anos).


É importante que esses trabalhadores se encontrem na zona de Lisboa ou Margem Sul do Tejo, sendo que manifestamos, desde já, a nossa completa disponibilidade para nos deslocarmos até junto dessas pessoas.


Garantimos o anonimato e a confidencialidade. Agradecemos a disponibilidade de quem puder participar.


Poderão contactar a investigadora Ana Guerreiro através do endereço de correio electrónico anaguerreirolatas@gmail.com

Crónica de Ricardo Araújo Pereira na Visão


Acerca da repercussão política de rabos e recibos verdes

Esta pode ser a geração dos 500 euros porque quem lhe estabelece o ordenado é a geração rasca.

Um dia, num protesto contra a política educativa do Governo, um cidadão da minha idade resolveu avançar com um argumento de autoridade e mostrou o rabo à ministra. Não é, de todo, o pior e mais deselegante argumento que já vi esgrimir (se se pode dizer de um rabo que foi esgrimido) no âmbito de um debate político, mas ainda assim o gesto fez com que aquilo a que se chama "a minha geração" passasse a ser conhecida por "geração rasca". Nunca me queixei. Pelo menos no que me dizia respeito, o título pareceu-me adequado à minha personalidade, e não gosto de censurar ninguém por ser perspicaz. Hoje, a geração que entra no mercado de trabalho é conhecida por "geração dos 500 euros". O que definia a minha geração era o seu carácter; o que define esta é o seu salário. Na verdade, há uma hipótese inquietante: é possível que quem paga a esta geração seja a minha. Esta pode ser a geração dos 500 euros, porque quem lhe estabelece o ordenado é a geração rasca. Tudo aponta para isso: somos mais velhos do que eles, e portanto é lógico que tenhamos cargos de chefia quando eles saem da escola. E é próprio de um patrão rasca generalizar o pagamento de salários de 500 euros. Sobretudo, é improvável que a "geração rasca" e a "geração dos 500 euros" coincidam: quem é rasca, em princípio arranja sempre maneira de ganhar mais de 500 euros.

Como costuma dizer normalmente quem tem muito dinheiro, o dinheiro não é importante. Sempre me comoveu que as pessoas ricas tivessem a gentileza de partilhar connosco (logo elas, que são tantas vezes avessas a partilhar) uma ideia formada com conhecimento de causa: o dinheiro não traz felicidade. Essa é, no entanto, uma das características que eu mais aprecio no dinheiro: a felicidade é tão fugaz, tão frágil e, às vezes, tão imoral, que acaba por ser higiénico e nobre que o dinheiro não a traga. Para falar com franqueza, não conheço nada que traga felicidade. Mas - chamem-me sentimental - acho que o dinheiro não traz felicidade de uma maneira especial. Vendo bem, a minha geração teve bastante mais sorte do que esta: uma pessoa pode mudar o seu carácter, mas na esmagadora maioria das vezes não pode mudar o seu salário. É bem mais fácil deixar de mostrar o rabo do que passar a ganhar mais de 500 euros.

24 março 2010

Testemunho: Centro Novas Oportunidades

Gostaria que tornassem pública a situação laboral que se vive no Centro Novas Oportunidades (CNO) da Marinha, parte integrante do Centro Naval de Ensino à Distância (CNED).

Não posso calar a situação de exploração em que se encontram os profissionais que trabalham naquele CNO, e que em grande parte resulta do facto de a relação laborar se basear em recibos verdes.

Falsos recibos, na verdade, pois ali trabalha-se a tempo inteiro, a flexibilidade de trabalho existe só teoricamente, havendo uma exigência de cumprimento de metas - por outras palavras: envio de um número obrigatório de candidatos, que querem obter o 12º ano, a um júri de certificação que se realiza todos os meses - que obriga na prática os formadores a fazerem jornadas de trabalho que podem ir até às 12 horas. Esta pressão, que raia a coacção psicológica, recai sobretudo nos Formadores, alguns não aguentando a pressão e vendo-se obrigados a sair. A agravar esta situação, não se procede depois à substituição dos que saem, desculpando-se a Coordenação e a Direcção que o número dos candidatos certificados não justifica o recrutamento de novos formadores.

Recentemente, ultrapassaram-se todos os limites, ao colocarem-se formadores de áreas tão díspares como a História a ministrarem formação em áreas relacionadas com a Biologia e a Química. Diariamente se assiste ao desespero de formadores a contactarem os formandos, implorando-lhes que lhes enviem mais algumas linhas de trabalho (este processo das Novas Oportunidades baseia-se na construção de uma narrativa autobiográfica por parte do formando, em que experiências de vida são trabalhadas, de acordo com um referencial de competências-chave, e em que um mínimo de 44 competências, num conjunto de três áreas, tem de ser atingido).

Para além, do envio pela Internet, o formando tem a possibilidade de frequentar sessões de apoio. Mas as tarefas dos formadores não se ficam por ler e fazer relatórios dos trabalhos enviados ou realizar aquelas sessões presenciais (o que, só por si, é já trabalho de exigência e que exige tempo para ser feito com qualidade), havendo ainda que fazer sessões para se proceder a uma avaliação das competências demonstradas, sessões de Formação Complementar com aqueles que têm mais dificuldades, sessões de preparação de júri, sessões de entrega de relatórios, sessões iniciais de descodificação do referido referencial, revisão de toda a parte ortográfica da narrativa antes de esta seguir para júri, correcção da parte de língua estrangeira, na prática realizada pelo formador da área, e até trabalho burocrático, que os competentes serviços deviam assegurar, lhes está atribuído, desde a análise de certificados de formação profissional, à inserção de dados nos sistema informático de todas as sessões realizadas.

A única possibilidade, para se cumprirem as tais metas (obrigatoriedade de levar um mínimo de 30 formandos a júri por mês) é fechar os olhos ao trabalho realizado, certificando-se com o 12º ano pessoas sem competência para tal, ou marcar sessões individuais com a maior parte dos candidatos (são muito poucos aqueles que são autónomos para realizarem o trabalho sozinho), para quase lhes ditar o que tem que aparecer na narrativa autobiográfica.

É também obrigatório (embora se diga que não) que a data apresentada por um Formando para terminar o 12º ano seja cumprida pelo Formador, facto que aumenta sobremaneira a pressão em que este último se encontra.

O mais lastimável é que seja uma instituição estatal - a Marinha Portuguesa - a agir desta forma inqualificável, desrespeitando os profissionais que para si trabalham, mantendo-os durante anos numa situação de grande precariedade laboral (há profissionais há 9 anos a recibos verdes), obrigando-os a trabalhar desta forma desumana, em nome de estatísticas. E, mais grave, está a perverter-se uma matéria, como é a da qualificação dos portugueses, que é de suma importância para o futuro do país.


Assembleias MayDay: 24 Março


No dia 24 de Março, decorrem assembleias MayDay em Lisboa e no Porto.

No Porto, a assembleia decorre às 21h30, na Pinoteca dos Maus Hábitos (Rua Passos Manuel).

Em Lisboa, a assembleia inicia às 21h00, no C.E.M - Centro Em Movimento (Rua dos Fanqueiros, 150, 1º).


Mayday! Mayday!

NO DIA 1 DE MAIO, DIA DO/A TRABALHADOR/A, O PRECARIADO SAI À RUA!

PORTO: 13 horas: Praça dos Poveiros
LISBOA: 13h00 : Praça de Camões

22 março 2010

Segurança Social acelera cobrança de dívidas a recibos verdes


Os trabalhadores independentes que acumulem dívidas à Segurança Social vão ser mais rapidamente "apanhados" pela Previdência e obrigados a regularizar a situação. O mesmo acontecerá com os beneficiários que receberam prestações sociais às quais não tinham direito.

A maior agilidade dos serviços resulta da automatização do processo de instauração de execuções fiscais (procedimento que dá lugar à cobrança coerciva das dívidas e que até agora, era feito manualmente) para estes contribuintes que, até agora, raramente eram incomodados por terem descontos em falta.


Os parágrafos supracitados são parte integrante da notícia hoje publicada pelo Jornal de Negócios, segundo a qual o Governo se prepara para acelerar os processos de cobrança de dívidas aos/às trabalhadores/as a recibos verdes.

Esta parece ser a vergonhosa resposta do Governo à situação de total injustiça em que se encontram milhares de trabalhadores/as a falsos recibos verdes aos/às quais demos voz através da petição "Antes da Dívida Temos Direitos", subscrita por mais de 12 mil pessoas!

Após a entrega desta petição da Assembleia da República, no final do mês de Fevereiro, solicitámos audiências com todos os grupos parlamentares. Até ao momento, fomos ouvidos pelo CDS-PP, pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda, sendo que continuamos a aguardar resposta por parte do PSD, d'Os Verdes e, naturalmente, do PS.

20 março 2010

Reportagem do 'Libération'


O jornalista François Musseau e o foto-jornalista Pierre-Yves Marzin, do jornal francês 'Libération', estiveram em Portugal efectuando uma reportagem sobre precariedade.

Este trabalho contou com a participação de Tiago Gillot e João Pacheco (Precários/as Inflexíveis), Bruno Cabral (Plataforma dos/as Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual) e Ana Avoila (Frente Comum de Sindicatos).

O 'Libération' falou também com Manuel Villaverde-Cabral, sociólogo e vice-reitor da Universidade de Lisboa, que afirma que 'a revolta vai alastrar-se' acrescentando que 'a situação de Portugal é comparável com a da Grécia'.

Podem ler a reportagem na íntegra
aqui e a entrevista a Manuel Villaverde-Cabral aqui.

19 março 2010

3º audiência parlamentar: PCP


Depois das reuniões com o CDS/PP e com o Bloco de Esquerda, uma delegação de membros dos movimentos que organizaram a petição pelos direitos dos trabalhadores a falsos recibos verdes foi recebida pelo grupo parlamentar do Partido Comunista Português (PCP), no parlamento. Este encontro decorreu na sequência dos pedidos de audiência feitos a todos os grupos parlamentares, após a entrega da petição “Antes da Dívida Temos Direitos!” ao senhor Presidente da Assembleia da República, com mais de 12 mil assinaturas.

A delegação foi recebida pelo deputado Jorge Machado, que nos transmitiu a sintonia do grupo parlamentar do PCP com as preocupações da petição, afirmando que o PCP se encontra disponível para encontrar soluções e contribuir para o debate que foi impulsionado pela mobilização e entrega desta petição. Na reunião foram abordados vários aspectos das dificuldades sentidas pelos trabalhadores e trabalhadoras a falsos recibos verdes e, em particular, a urgência de defender a Segurança Social e de reclamar a responsabilização das entidades empregadoras incumpridoras nas situações de dívida.

Aguardamos agora a resposta dos grupos parlamentares do Partido Socialista, do Partido Social Democrata e do Partido Ecologista “Os Verdes”, com os quais contamos trocar impressões e conhecer o seu posicionamento face a este problema.

17 março 2010

2ª audiência parlamentar: Bloco de Esquerda


Hoje, alguns representantes dos movimentos que promoveram a petição 'Antes da Dívida Temos Direitos' foram recebidos pelos deputados do Bloco de Esquerda, José Soeiro e Mariana Aiveca.

Nesta reunião, o Bloco de Esquerda confrontou os movimentos com uma proposta concreta: um projecto de resolução, entregue no mesmo dia no parlamento, no qual se propõe que a recuperação das dívidas à Segurança Social dos trabalhadores independentes seja alvo dum processo automático de cruzamento de dados com a Direcção-Geral das Contribuições e Impostos, com o objectivo de averiguar, para cada caso, a eventual presença duma falsa relação de trabalho independente – nessas situações, o processo de recuperação fica suspenso até apuramento das responsabilidades de todas as partes envolvidas, nomeadamente as entidades empregadoras.

Continuamos a aguardar resposta dos grupos parlamentares do Partido Socialista, do Partido Social Democrata e do Partido Ecologista “Os Verdes”.

16 março 2010

Precários na Crise: para quê o Mayday?


QUANDO: 20 Março

HORÁRIO: 16hOO

ONDE: Padaria do Povo (Rua Luís Derouet nº20 - Campo de Ourique - Lisboa)

O QUÊ: Serão projectados pequenos filmes sobre MayDays internacionais e os que contam a história do Mayday em Portugal, seguindo-se um debate aberto para o qual estão todos/as convidados/as.

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O MayDay é uma manifestação alternativa contra a precariedade, que acontece no 1.º de Maio.

Desde a estreia em Milão (2001), o MayDay tem-se multiplicado por todo o mundo.
Em 2007, a iniciativa MayDay chegou a Lisboa, repetindo-se em 2008. Em 2009, o MayDay realizou-se pela primeira vez em simultâneo, em Lisboa e no Porto.

Em 2010, novamente, o precariado sairá à rua em Lisboa e no Porto, no MayDay 2010.

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Mayday! Mayday!

NO DIA 1 DE MAIO, DIA DO/A TRABALHADOR/A, O PRECARIADO SAI À RUA!

PORTO: 13 horas: Praça dos Poveiros
LISBOA: 13h00 : Praça de Camões

15 março 2010

IV Assembleia MayDay Lisboa


Quarta-feira, 17 de Março, às 21h

SOLIM - Associação Solidariedade Imigrante (Rua da Madalena, nº8, 2ºandar. Lisboa)

- Vem pensar e construir este percurso e traz um amigo também

- Vamos dar voz aos/às Precários/as e dizer NÃO à exploração!

Mais informações
aqui.