14 março 2010

Comunicado

AS INQUIETAÇÕES DOS/AS INTERMITENTES DO ESPECTÁCULO E DO AUDIOVISUAL FACE À PROPOSTA DO PS DE REVISÃO DA LEI 4 / 2008


A Plataforma dos Intermitentes analisou atentamente o novo Projecto Lei do PS, que procede à alteração da Lei nº 4 / 2008.

Embora saudemos, em princípio, esta iniciativa que provém, como se sabe, do empenho pessoal da nossa colega e actual deputada Inês de Medeiros, importa registar que, longe de satisfazer as nossas legítimas expectativas o documento nos coloca (tal como, aliás, acontecia com a sua versão de 2008) muitas e importantes dúvidas e inquietações:

1. O documento, cheio de louváveis intenções, não parece, no entanto, preocupado em definir as condições que garantam a sua aplicação prática. Mais uma vez se constata a ténue presunção de existência de contrato de trabalho e a inexistência de mecanismos sancionatórios para o empregador que não cumpra (o artigo 21º-G, que define critérios para atribuição de apoios estatais sujeitos à existência de contratação efectiva de profissionais, não regulamenta essa dependência). Há outras formas de intervir – sugerimos, por exemplo, que se atribua ao IGAC e ao ICA, nomeadamente, competência para a fiscalização da contratação dos profissionais que participam nos espectáculos / rodagens que credenciam.

2. Pode vir a agravar as condições dos actuais contratados, nomeadamente no que respeita aos horários de serviço nocturno (reduzidos face à lei geral, que actualmente se aplica) fins-de-semana e feriados. Prevê, para os profissionais do Sector das Actividades Artísticas, Culturais e de Espectáculo (SAACE) um “dever especial de diligência”, sem definição nem contrapartidas.

3. Na sua actual formulação, as questões referentes aos períodos de trabalho - em tudo o que esta Lei diverge da lei geral – não acautelam, na nossa perspectiva, o inalienável direito ao descanso. Toda esta matéria (artigos 13º, 14º, 15º, 16º) carece de revisão exaustiva.

4. O subsídio de desemprego, conforme enunciado no presente documento, não parece adequar-se à condição de trabalho intermitente dos trabalhadores do sector – importa esclarecer se pode ser interrompido e retomado tantas vezes quantas as solicitações de trabalho pontual que são a realidade deste grupo profissional. E como funcionam, nesta contingência, os prazos de garantia?

5. Por outro lado, para muitas especialidades e modalidades de produção o prazo de garantia definido não tem em conta os dias de preparação individual e de ensaio do artista, mas apenas os da sua apresentação pública (o que vem tornar inviável o seu enquadramento no regime de apoios sociais).

6. A certificação dos profissionais do SAACE, matéria que vínhamos, de há muito, ressalvando a importância, não definindo qualquer campo específico de aplicação, revela-se inócua, da forma aqui regulamentada. Esta matéria carece de reflexão aprofundada no referente ao seu âmbito bem como à entidade responsável pela sua emissão (que deverá ser participada por profissionais do sector).

7. A manutenção do artigo 18º, na sua redacção anterior contraria toda a legislação geral de direitos de autor e conexos, definindo uma prerrogativa de gestão individual desses direitos (ou cedência!)

8. A modalidade de “contrato de intermitência”, que esta proposta de alteração mantém, continua, por várias razões a provocar o nosso profundo desagrado. Desde logo pela confusão dos conceitos – a “intermitência” que aqui é acautelada é a do empregador, não a do profissional! A nossa intermitência é realizada para com empregadores e funções plurais e não está espelhada nesta proposta. A manter-se a referida modalidade contratual, ela deve prever um subsídio de apoio para o período de inactividade, em que é suposto que o profissional viva, coma, habite e pague as contas com 30 % do seu salário! – para quem não saiba, a vida não é intermitente…

Tais inquietações só poderão ser cabalmente esclarecidas com a promoção de um amplo debate público, com a presença de todos os partidos com assento na Assembleia e os profissionais do Espectáculo a quem esta Lei se destina, repto que lançamos desde já e trataremos de organizar nos próximos dias.


Por outro lado, parece-nos indispensável que os partidos assumam a responsabilidade de votar positivamente na generalidade os vários Projectos Lei entrados na Assembleia (BE e PS até à data) a fim de proporcionar um longo e esclarecedor debate na especialidade que permita a aprovação de um documento final que sirva, de facto, a acautelar condições dignas de exercício da actividade profissional no sector.


Queremos ainda chamar a atenção aos Intermitentes e todos os Profissionais das Artes do Espectáculo que qualquer Lei, por melhor que seja nas suas formulações, mais não faz que abrir as portas a um longo e árduo caminho de negociação colectiva com os representantes legítimos dos empregadores do sector, tarefa à qual dará peito a nova organização sindical unitária dos Profissionais das Artes do Espectáculo que está em formação.

13 março 2010

Testemunho: leitura de contadores da EDP


Arranjei um tempinho hoje para fazer contas ao meu primeiro ano como colectada. Já sabia que andava a perder dinheiro, não fazia ideia era de quanto.

Ora bem, eu faço leituras aos contadores da EDP. No início, iludiram-me dizendo que os ganhos seriam entre 1000 a 1200€ por mês, que até podem ser, mas não na minha zona.

Fiz contas, somei todos os recibos que passei (os primeiros dois recibos foram os únicos que ultrapassaram os 1000€). Em doze meses de trabalho, recebi um total de 5546€, ou seja, cerca de 462€ por mês.

Sou mãe solteira e não tenho apoio financeiro paterno.

Para poder trabalhar, tenho que deixar o meu filho de 21 meses num Centro Social onde me cobram cerca de 115€/mês.

Para poder trabalhar, tenho que colocar gasóleo no carro.

Para poder trabalhar, também tenho que fazer a manutenção do carro.

Passado o ano de isenção de pagamento à Segurança Social, fui verificarse era possível manter-me isenta. Foi-me dito que não e acabei memsode receber uma carta informando-me que devo pagar 159€ por mês.

Ou seja, dos 462€ que recebia vou passar a ficar com apenas 303€!

Estou revoltada! Desculpem... é só mais um desabafo porque eu não vou aguentar muito mais...



NOTA do FERVE: em 2009, o lucro líquido da EDP foi de 1024 milhões de euros.

11 março 2010

Encontro MayDay em Coimbra::Sábado::13 de Março::16h00



O MayDay é uma parada contra a precariedade, que decorre no dia 1 de Maio. Desde a estreia em Milão (2001), o MayDay tem-se multiplicado por todo o mundo. Em 2007, a iniciativa MayDay chegou a Lisboa, e a partir de 2009 ao Porto. Em 2010, novamente, o precariado sairá à rua nestas duas cidades, no MayDay 2010. Em Coimbra queremos também fazer parte desta voz de indignação e protesto.

Em Portugal, à semelhança de muitos outros países, a precariedade laboral instalou-se como uma realidade incontornável nas nossas vidas.

A precariedade congela-nos as vidas: submete-nos a piores condições de trabalho, a remunerações mais baixas, anula e adia os nossos projectos de vida. É preciso desmistificar a «propaganda» dos governos neoliberais acerca das suas vantagens. Para a maioria de nós, significa instabilidade laboral e insegurança económica, e não maior autonomia e realização.

O movimento MayDay nasceu deste sentimento de revolta e de indignação que se tem propagado um pouco por todo o mundo. Tem como objectivo reunir todas as vozes, na sua diversidade, que reclamam uma maior justiça social e laboral. É tempo de (in)formar, reflectir, dar visibilidade, agir. É este o repto que te fazemos.

Por isso, convidamos-te para um encontro no Sábado, dia 13 de Março, pelas 16:00, na Casa da Esquina. Este tem como propósito discutir que iniciativas poderiam ser realizadas em Coimbra, no quadro do movimento Mayday. Estarão presentes membros do Mayday Porto e Lisboa com vista a partilhar as suas experiências e contribuir para a nossa própria reflexão.


Não faltes! O Mayday é contigo!

Testemunho

Recentemente, a empresa a quem eu presto serviços a recibos verdes, a G*ET onde tenho horário a cumprir, folha de ponto e utilizo computador e equipamento da empresa, pediu-me para assinar as seguintes declarações:

"Declaração
“(Nome) vem, pela presente, solicitar à Empresa G*ET – GLOBAL SERVIÇOS E ENGENHARIA, TOTAL, LDA a cedência, a título provisório e apenas temporariamente, dos equipamentos de protecção individual e os recursos materiais descritos nas folhas em anexo à presente declaração, assumindo, desde já que tal pedido em nada modifica a natureza da relação contratual existente entre ambos."

e

"Declaração
(Nome), por causa da natureza da actividade profissional que exerço, venho pedir à Empresa G*ET – GLOBAL SERVIÇOS E ENGENHARIA, TOTAL, LDA, que o Contrato a realizar, seja uma Prestação de Serviços em vez de um Contrato de Trabalho, para poder prestar serviços como profissional liberal, sem prejudicar a empresa acima referida.
Caso não seja possível, não poderei assinar um contrato de trabalho, por não poder cumprir o dever de lealdade à empresa referida, imposto por lei."


A ideia é proteger legalmente o facto da grande maioria dos trabalhadores do GRUPO A**DA que contempla outras empresas, estar com esta situação precária. Estão espalhados pelo país todo em várias obras públicas. Claro que as chefias passeiam-se pelo território em veículos de alta cilindrada.

HOJE::11 de Março::Concentração em Lisboa


Fica aqui um apelo final para a participação na concentração de logo à tarde. A partir das 17h, em frente ao Ministério da Educação (na Avendida 5 de Outubro, em Lisboa), mas decorrendo até ao final da tarde, possibilitando que mais gente se vá juntando e deixando as suas mensagens de protesto e exigência, após o seu horário de trabalho. Por volta das 18 horas, está previsto o ponto alto da concentração, com uma intervenção que representa os principais problemas vividos pelos milhares de profissionais das AECs.


A presença neste primeiro protesto público de professores das AECs em frente ao Ministério da Educação é fundamental. Apelamos a todos os professores e professoras, mas também a quem recusa a precariedade e acredita na Escola pública e na sua qualidade.

Via
http://www.precariosinflexiveis.org/

08 março 2010

1ª audiência parlamentar: CDS/PP


Depois da entrega de mais de 12.000 assinaturas na Assembleia da República, os movimentos que organizaram a petição "Antes da Dívida Temos Direitos!" requereram audições com todos os partidos com representação parlamentar. O primeiro a responder foi o CDS/PP, sendo que a audiência se irá realizar no próximo dia 9 de Março, 3ª feira, pelas 17h30.


Procuraremos ouvir quais as propostas dos partidos para a questões lançadas pela petição, e tentaremos que sejam assumidos compromissos pelas forças políticas que podem, concretamente, fazer uma alteração que é urgente para a vida de tantos homens e mulheres que trabalham a falsos Recibos Verdes.

Não é possível suportar mais a injustiça em que se encontram estes trabalhadores, que somam a uma situação generalizada de baixos salários, os poucos direitos na Segurança Social e na vida. É necessário que todos contribuam com o que devem, e os deveres e responsabilidades na relação entre trabalhador, empregador e Estado têm de ser assumidos por todas as partes, o que não acontece hoje.

Iniciaremos então na 3ª feira a exigência concreta desse caminho e aguardamos resposta dos restantes grupos parlamentares.


ACTUALIZAÇÃO:

A delegação foi recebida pelo deputado Artur Rêgo, representante do CDS/PP na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública. A conversa abordou vários aspectos associados aos recibos verdes e a outras formas de precariedade laboral, bem como uma troca de impressões sobre a importância do sistema de Segurança Social.

Sublinhamos, no entanto, o essencial: o CDS/PP assumiu o compromisso de apresentar uma proposta concreta relativamente à matéria abordada pela petição, remetendo ainda para a discussão na Comissão e para o diálogo com os outros partidos a formulação dessa proposta.

05 março 2010

Portugal é o segundo país europeu com mais recibos verdes

75% dos empresários admitiu ter utilizado recibos verdes, contratos a prazo ou trabalho temporário.

As empresas portuguesas recorrem mais a contratos instáveis ou precários do que a generalidade dos congéneres europeus. Num ano marcado pela crise económica, cerca de 66% dos empresários portugueses admitiram ter utilizado contratos com duração definida e quase 35% revelou ter recorrido a trabalho independente.

Esta pode parecer uma percentagem modesta mas na verdade coloca Portugal na segunda posição entre 30 países (incluindo os três estados candidatos à União Europeia) e apenas abaixo da Polónia. Os dados constam do European Company Survey, o inquérito do Eurofound que realizou entrevistas em empresas com mais de 10 trabalhadores nos primeiros meses de 2009, questionando as práticas do ano anterior.

Em resposta ao Diário Económico, o Eurofound explica que o recurso ao trabalho de "freelance" - que inclui recibos verdes - está em crescimento. "É um assunto complexo" relacionado com as normas legais de cada país e com a forma "e como os empregadores podem interpretar a lei em seu favor". E por isso mesmo, é uma questão que será incluída na agenda política da Europa, explica a fundação.

Podem ler a notícia na íntegra
aqui.

01 março 2010

Reportagem da France 3 sobre falsos recibos verdes

- Uma ama da Segurança Social;
- Uma estudante universitária de farmácia, filha da ama da Segurança Social;
- Um geólogo;
- Tiago Gillot, dos Precários Inflexíveis

Estão todos aqui, numa reportagem da televisão francesa sobre esta bizzaria que tão bem conhecemos: os falsos recibos verdes.

Podem ver o vídeo aqui (ao minuto 13h45).

Instituto de Formação

Os assistentes pedagógicos do Instituto Uni**nter (Porto), estão a viver uma situação bastante precária: são trabalhadores que cumprem e respeitam todas as directrizes de um contrato de trabalho, contudo passam recibo verde.

A empresa sabendo-o bem, em vez de assumir as suas responsabilidades em fazer um contrato de trabalho, convida os empregados a colectarem-se e passar recibos verdes. Estes trabalhadores cumprem horário de trabalho estipulado pela empresa, cumprem objectivos propostos, obedecem a ordens de responsáveis vários, têm formação que não é remunerada e, cumpre também relembrar que ocupam o seu posto na empresa com meios fornecidos pela firma.

Acresce que, na altura em que trabalhei na dita empresa, trabalhavam, na mesma sala, cerca de 12 a 15 pessoas, sem qualquer condições de trabalho: falta de asseio, apenas uma casa de banho para aquele departamento (sem distinção de masculino / feminino), ausência de barreiras acústicas, falta de ventilação, ausência de cacifos, etc.

Esta situação gerou participação a ACT Porto (Autoridade para as Condições do Trabalho).

26 fevereiro 2010

SOLIDARIEDADE para com recepcionistas de Serralves


Os/As recepcionistas da Fundação de Serralves trabalham a falsos recibos verdes, alguns deles/as há mais de cinco anos. Estas pessoas, deveriam, obviamente, ter um contrato de trabalho. No entanto, estão neste momento a ser sujeitas a uma enorme pressão por parte da Fundação de Serralves para que se constituam como empresa, de modo a que possam continuar a exercer as mesmas funções de sempre.

Perante esta denúncia, efectuada pelo FERVE, a Fundação de Serralves veio afirmar que esta medida visada 'promover o empreendedorismo dos seus colaboradores/as' e acrescentou que não considera que a sua actuação seja passível de crítica.

A situação dos/as recepcionistas de Serralves foi já denunciada à Autoridade para as Condições de Trabalho e a todos os grupos parlamentares, sendo que o Bloco de Esquerda endereçou uma pergunta sobre esta situação ao Ministério do Trabalho e também ao Ministério da Cultura.

Porque consideramos esta situação inaceitável, imoral e ignóbil, apelamos à solidariedade de todos/as vós para que copiem o texto que apresentamos de seguida (ou que escrevem um do vosso agrado) e o enviem para os endereços que vos providenciamos.

Sugerimos também que, se/quando forem a Serralves, solicitem o Livro de Reclamações e escrevam sobre este assunto.

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À Fundação de Serralves:

Tendo tomado conhecimento da situação em que se encontram a trabalhar os/as recepcionistas da Fundação de Serralves, venho por este meio expressar o meu mais veemente desacordo perante a proposta a que estas pessoas estão a ser sujeitas.

Os/As recepcionistas de Serralves são falsos recibos verdes: estão inseridos numa equipa, têm uma local de trabalho definido e utilizam o material providenciado pela entidade que os contrata. Como tal, deveriam ter um contrato de trabalho.

Considero inaceitável que, ao invés de contratar estes/as trabalhadores/as, a Fundação de Serralves tenha proposto que estas pessoas se constituam como empresa para que possam continuar a trabalhar. Ora, trabalhadores/as por conta de outrem não são empresas: esta é uma torpe estratégia para incumprir obrigações contratuais!

Assim, apelo a que a Fundação de Serralves aja como entidade de bem, celebrando contratos de trabalho com estes/as trabalhadores/as.

Com os melhores cumprimentos;

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serralves@serralves.pt, informacoes@serralves.pt, eventos@serralves.pt, dir.geral@serralves.pt, dir.museu@serralves.pt, dir.parque@serralves.pt, dir.marketing@serralves.pt, dir.adm.financeira@serralves.pt, comunicacao@serralves.pt

25 fevereiro 2010

I Assembleia MayDay Lisboa 2010


O MayDay 2010 vai arrancar em Lisboa e já arrancou no Porto!!!

Vamos dar voz aos/às precários/as e dizer NÃO à exploração!

Aparece na primeira assembleia de preparação do MayDay e traz um/a amigo/a também!

QUANDO:quinta-feira, 25 Fevereiro
HORÁRIO: às 21h
ONDE: Associação de Residentes de Telheiras (Rua Professor Mário Chico, 5. Lisboa)

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O MayDay é uma parada contra a precariedade, que decorre no dia 1 de Maio.
Desde a estreia em Milão (2001), o MayDay tem-se multiplicado por todo o mundo.
Em 2007, a iniciativa MayDay chegou a Lisboa, repetindo-se em 2008.
Em 2009, pela primeira vez, o MayDay realizou-se em Lisboa e no Porto.
Em 2010, novamente, o precariado sairá à rua no dia 1 de Maio, em Lisboa e no Porto.

22 fevereiro 2010

12.125 assinaturas entregues na Assembleia da República




A petição "Antes da Dívida Temos Direitos!" foi entregue no parlamento no passado dia 22 de Fevereiro. Foram entregues mais de 12 mil assinaturas, recolhidas num percurso de mobilização pela justiça nas contribuições para a Segurança Social e pela exigência de contratos de trabalho para os 900 mil trabalhadores a falsos recibos verdes.

Alguns representantes dos movimentos de trabalhadores precários que organizam a petição reuniram com o sr. Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, a quem entregaram em mão as subscrições. A audiência resultou numa conversa viva e prolongada, na presença também do Presidente da Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública, Ramos Preto, na qual foi possível discutir os vários aspectos e consequências do crescimento da precariedade nas relações laborais, além das questões mais directamente relacionadas com as dificuldades de quem trabalha a falsos recibos verdes, bem como a importância do sistema de Segurança Social e da necessidade de estar ao serviço do conjunto dos trabalhadores e da sociedade.

A petição será agora avaliada pela Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública, que produzirá um relatório prévio à discussão em plenário. Entretanto, os movimentos enviaram já um pedido de audiência a todos os grupos parlamentares, no sentido de discutir com profundidade a proposta da petição e o problema que pretende resolver, apelando, desta maneira, a que da Assembleia da República resulte uma solução que responda às dificuldades de tantos milhares de pessoas.

Uma coisa é certa: o contributo desta petição nunca perderá validade, neste combate pela justiça na Segurança Social e pelo fim dos falsos recibos verdes. Sabêmo-lo difícil, mas é também inadiável e irreversível.

21 fevereiro 2010

22 Fevereiro::17h30::Entrega da petição 'Antes da Dívida Temos Direitos' na Assembleia da República


A petição "Recibos Verdes: Antes da Dívida Temos Direitos!" fez, nos últimos meses, um forte percurso de mobilização pela justiça nas contribuições para a Segurança Social e pelo direito a contrato de trabalho para todos os trabalhadores e trabalhadoras a falsos recibos verdes.

As assinaturas, recolhidas online e no contacto na rua junto de milhares de pessoas, serão agora entregues na Assembleia da República, após pedido de audiência com o senhor Presidente da Assembleia da República, Dr. Jaime Gama. Serão entregues mais de 12 mil assinaturas, sinal duma forte exigência no sentido de garantir os direitos dos 900 mil trabalhadores forçados a suportar os falsos recibos verdes e defender a Segurança Social universal e efectiva.

A audiência terá lugar no dia 22 de Fevereiro, pelas 17h30. A entrega será feita em horário pós-laboral, uma vez que a precariedade implica também que o direito à organização não seja reconhecido.

Esperamos agora que as propostas e a exigência que esta petição transporta, pela voz de muitos milhares de pessoas, sejam discutidas no parlamento com a maior brevidade. Esperamos também que dessa discussão resultem soluções para as dificuldades sentidas pelos trabalhadores e trabalhadoras a falsos recibos verdes, quebrando um longo ciclo de injustiças e ilegalidades. Assim, anunciamos também que, imediatamente após a entrega das subscrições, serão solicitadas audiências a todos os grupos parlamentares.



Reportagem da TSF sobre entrega da petição aqui.

19 fevereiro 2010

Serralves diz querer promover empreendedorismo junto de falsos recibos verdes


O FERVE denunciou na passada quarta-feira, dia 17 de Fevereiro, a situação a que estão a ser submetidos/as os/as recepcionistas de Serralves: estas pessoas trabalham a falsos recibos verdes, algumas há mais de cinco anos, e foram agora 'convidadas' por Serralves a constituírem-se como empresa para poderem continuar a trabalhar no mesmo local de sempre (Serralves), exercendo as mesmas funções de sempre, sujeitas à mesma hierarquia de sempre.

Perante esta situação, eis a resposta de Serralves:


"Caro Amigo de Serralves

Recebemos a sua comunicação, que agradecemos. Todas as questões que os nossos visitantes nos colocam merecem a nossa melhor atenção, pelo que passo a responder à questão que nos colocou.

Os serviços de Recepção da Fundação de Serralves são assegurados por uma equipa variável de colaboradores, mediante uma regular e legítima prestação de serviços.

No sentido de melhorar a qualidade do serviço prestado, a Fundação de Serralves equacionou recorrer a uma empresa especializada para o efeito.

No entanto, e
por forma a promover o empreendedorismo, potenciando e alavancando financeiramente as capacidades e competências dos membros daquela equipa, reforçando a sua capacidade de geração de proveitos, os mesmos foram abordados no sentido de saber se teriam vontade de avançar com a constituição de uma empresa para prestação de serviços desta natureza.

Com este processo Serralves procura obter serviços com mais qualidade, maior eficiência e profissionalismo e desta forma contribuir para melhor acolher todos quantos nos visitam.

Não nos parece que a nossa actuação seja passível de crítica."


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- NÃO???

- Não vos parece que a vossa actuação seja passível de crítica?

"Promover a capacidade de empreendedorismo" é uma nova modalidade contratual, prestes a ser inserida num Código de Trabalho que ainda desconhecemos?


A resposta providenciada por Serralves é de tal forma alheada da realidade que a torna particularmemnte arrepiante: é nestes moldes que uma fundação privada com participação do Estado orienta as suas relações laborais?

17 fevereiro 2010

Falsos recibos verdes na Fundação de Serralves

O FERVE - Fartos/as d'Estes Recibos Verdes sabe que os/as recepcionistas da Fundação de Serralves, no Porto, estão a ser coagidos para se constituirem como empresa, de modo a que possam continuar a trabalhar em Serralves.

Estes/as trabalhadores/as exercem funções a falsos recibos verdes, alguns deles há mais de cinco anos. Como tal, deveriam ver a sua situação profissional regularizada, com a celebração de contratos de trabalho com a Fundação de Serralves.

No entanto, ao invés de assumir as suas resposabilidades para com estes/as trabalhadores/as, a Fundação de Serralves 'convidou' os/as recepcionistas a constituirem-se como empresa, de modo a que possam continuar a exercer as mesmas funções de sempre, no mesmo posto de sempre.

O FERVE considera esta situação lamentável, vergonhosa e evidenciadora da desfaçatez que assiste a algumas entidades patronais, que tudo fazem para fugir às suas responsabilidades, encontrando esquemas mirabolantes para contornar a lei.

Esta denúncia segue também para a Autoridade para as Condições do Trabalho, para o Ministério da Cultura e para todos os partidos com assento parlamentar, dos quais aguardamos reacção.


ACTUALIZAÇÃO (18/02/2010): O Bloco de Esquerda endereçou hoje uma pergunta ao Ministério do Trabalho e da Segurança Social e ao Ministério da Cultura.


ACTUALIZAÇÃO (25/05/2010): a Juventude Socialista do Porto endereçou uma carta ao presidente do Conselho de Administração de Serralves.

Continuamos a aguardar reacções por parte dos restantes partidos políticos, ACT e Ministério da Cultura.

11 fevereiro 2010

Petição: últimos dias para assinar!




Petição "Antes da Dívida Temos Direitos!" vai ser entregue no Parlamento no dia 22 de Fevereiro


Se ainda não assinaste, é altura de o fazer!
Se recolheste assinaturas, envia para o apartado (Apartado 7008. 4051-901 Porto)


A petição "Recibos Verdes: Antes da Dívida Temos Direitos!" fez, durante cerca de 3 meses, um percurso de visibilidade e mobilização por uma causa inadiável: a justiça nas contribuições para a Segurança Social e o combate aos falsos recibos verdes.

Através do contacto na rua e da petição online, os quatro movimentos de trabalhadoras/es precárias/os que organizaram esta petição interpelaram milhares de pessoas, provando a urgência de resolver esta injustiça. Pensamos que contribuímos, desta maneira, para o combate por uma Segurança Social universal e justa, simultaneamente denunciando e exigindo contratos de trabalho para os 900 mil trabalhadores sujeitos às arbitrariedades dos falsos recibos verdes.

Já com muitos milhares de assinaturas, a petição será entregue na Assembleia da República no próximo dia 22 de Fevereiro. Assim, fica cumprido o principal objectivo: a mobilização de muitos milhares de pessoas levará o Parlamento a discutir a forma como devem ser regularizadas as dívidas à Segurança Social por parte dos trabalhadores a falsos recibos verdes, nomeadamente sobre a necessidade de responsabilizar as entidades empregadoras incumpridoras.

Até à entrega da petição na Assembleia da República, continuamos a apelar à subscrição. Todas as assinaturas são importantes para dar força a esta exigência. Assim, além da divulgação final e do apelo à subscrição online, pedimos a todas as pessoas que recolheram assinaturas para as enviar com a máxima brevidade possível para:

APARTADO 7008
4051-901 PORTO

Para as podermos entregar, as folhas devem chegar ao apartado, no máximo, até dia 18 de Fevereiro! Todas as assinaturas contam, pelo que devem ser enviadas mesmo as folhas que não estejam completas.

Esta petição dará mais passos no sentido de ver reconhecida esta exigência. Para receber mais informações no futuro, basta enviar um mail para antesdadividatemosdireitos@gmail.com


FERVE - Fartos d'Estes Recibos Verdes
APRE! - Activistas Precários
Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual
Precários Inflexíveis

Empresas cobram 5 euros a desempregados por um carimbo

O jornal 'I' denuncia hoje uma realidade há muito conhecida de muitos de nós: diversas empresas cobram valores que rondam os cinco euros por um carimbo que os/as desempregados/as necessitam para poderem comprovar junto dos Centros de Emprego que se encontram 'activamente à procura de emprego'.


"Chamam-lhe "chapa cinco" e é uma prática de algumas empresas da região do vale do Cávado conhecida pelos desempregados da zona. Não se trata de pagar para trabalhar, mas de pagar para provar que se está à procura de emprego. É pedido aos desempregados da região cinco euros por carimbo. O esquema das empresas vai mais longe e várias desempregadas relataram ao i que foram "convidadas" a trabalhar à experiência, de graça, sem que lhes fosse garantido qualquer contrato de trabalho e sem que essas horas (ou dias) viessem a ser pagas."

Podem ler a notícia na íntegra
aqui.

07 fevereiro 2010

Encerramento da petição


Precários/as Inflexíveis, APRE!, Plataforma dos/as Intermitentes do Espectáculo e FERVE juntaram-se ontem, 6 de Fevereiro, para o encerramento da petição "ANTES DA DÍVIDA TEMOS DIREITOS".

Esta petição, pugnando pela justiça nas contribuições para a Segurança Social e pelo fim dos falsos recibos verdes, foi lançada no dia 20 de Novembro, em Lisboa.

Nesta festa de encerramento, decorrida no Labirintho, no Porto, foram apresentados todos os vídeos de divulgação da petição, houve conversa, intervenções de Regina Guimarães, que leu o Manifesto da Petição, de Cristina Andrade (FERVE), Tiago Gillot (Precários Inflexíveis), Amarante Abramovici (APRE!) e Bruno Cabral (Intermitentes do Espectáculo e Audiovisual).

Terminámos com a música com Heidi M e D. Chica ao que se seguiu muito convívio e a natural tertúlia para preparação de novas e mais fortes lutas.

Recordamos que, em pouco mais de dois meses, contactámos milhares de pessoas e juntámos mais de 10 mil assinaturas (online e em papel).

Figuras de peso de várias áreas da sociedade deram o seu apoio público à nossa petição: Carvalho da Silva, Sandra Barata Belo, Diana Andringa, Chullage e Miguel Guilherme (ver o vídeo aqui).

Quanto à petição, ela continuará a receber todas as assinaturas de todos e todas quantos ainda não se tenham juntado a esta causa, até ao dia da entrega na Assembleia da República, dentro de sensivelmente duas semanas.

02 fevereiro 2010

Sábado::6 Fevereiro::21h30::Labirintho - Porto::Encerramento da petição






Festa de encerramento da petição "ANTES DA DÍVIDA TEMOS DIREITOS" com balanço da iniciativa, conversa, música, performance e muito convívio.


ONDE: Labirintho (Rua Nossa Senhora de Fátima, 334. Porto)

QUANDO
: Sábado, 6 de Fevereiro


HORÁRIO
: início às 21h30

ACTUAÇÕES: Heidi M + D. Chica; Igor Gandra


Precários/as Inflexíveis, APRE!, Plataforma dos/as Intermitentes do Espectáculo e FERVE juntaram-se para o lançamento da petição "Antes dívida temos direitos". Esta petição, pugnando pela justiça nas contribuições para a Segurança Social e pelo fim dos falsos recibos verdes, foi lançada no dia 20 de Novembro, em Lisboa. Nesta festa, foram apresentados dois vídeos de divulgação da petição, que podem ser vistos
aqui e aqui.

Em pouco mais de dois meses, contactámos milhares de pessoas, juntámos mais de 10 mil assinaturas (
online e em papel), entregámos um presente de Natal à Ministra do Trabalho e congregámos em vídeo apoios à nossa petição de Carvalho da Silva, Sandra Barata Belo, Diana Andringa, Chullage e Miguel Guilherme.

Agora, vamos encerrar a recolha de assinaturas no Porto, numa festa onde haverá música, convívio e debate acerca das próximas etapas desta petição.


No dia 6 de Fevereiro, no Labirintho, CONTAMOS CONTIGO!! E traz um/a amigo/a também!

25 janeiro 2010

Novo vídeo de divulgação da petição

Carvalho da Silva, Sandra Barata Belo, Chullage, Diana Andringa e Miguel Guilherme apoiam a petição "Antes da Dívida Temos Direitos!", pelos direitos nas contribuições para a Segurança Social das/os trabalhadoras/es a falsos recibos verdes






A petição "Antes da dívida temos direitos!" continua a recolher assinaturas e a juntar vozes pela exigência inadiável de garantir justiça nas contribuições para a Segurança Social e o direito a contratos de trabalho para as centenas de milhar de trabalhadores e trabalhadoras a falsos recibos verdes.

Os movimentos que organizam esta campanha lançam hoje um vídeo onde são apresentados testemunhos de apoio à petição. São cinco personalidades amplamente reconhecidas em diversas áreas da vida social: Manuel Carvalho da Silva, Secretário-Geral da CGTP, Sandra Barata Belo, actriz, Chullage, Músico e activista contra a exclusão e pelos direitos dos imigrantes, Diana Andringa, Jornalista, e Miguel Guilherme, actor.

São neste vídeo expostas formas diferentes e complementares de entendimento e de apoio à iniciativa. São testemunhos que muito contribuem e acrescentam significado a uma campanha que, organizada por diversos movimentos de trabalhadores precários a nível nacional, está a ter o alcance de propor uma solução concreta para o problema de tantos milhares de trabalhadores e trabalhadoras. O apoio destas figuras de relevo na sociedade portuguesa renova a nossa perspectiva de contribuir, com esta iniciativa, para gerar o debate com vista a obter justiça na Segurança Social para tanta gente.

Somos cada vez mais: a petição recolheu já cerca de 10 mil assinaturas, tanto online, como no contacto directo na rua. Está a ser uma enorme experiência e mais um passo importante na luta pelos direitos no trabalho, num momento em que o número de trabalhadores sujeitos às mais diversas formas de precariedade não cessa de aumentar.